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Ex-campeã do Pan doa medalhas para museu de Santo André


Kati Dias
Do Diário do Grande ABC

29/04/2006 | 08:53


“Um dia, em algum momento, alguém jogará seus troféus no lixo”. A frase do livro Uma Vida com Propósito, de Rick Warren, mudou a vida ex-judoca Soraia André, de 42 anos. A ex-atleta, ouro nos Jogos Pan-Americanos de Indianápolis (1987), nos Estados Unidos, decidiu doar todas medalhas e troféus para o Museu Doutor Octaviano Armando Gaiarsa, de Santo André. Foram mais de 300 itens cedidos ao acervo, e Soraia esteve no espaço na última quinta-feira para entregar as peças mais valiosas. Entre elas, estava o ouro no Pan. Antes de ligar para o museu, porém, a ex-judoca precisou vencer um conflito interior. “A medalha era minha ou era do Brasil? Descobri que se ficasse comigo, com o tempo ela perderia o valor. Lá, isso não vai acontecer. As pessoas vão saber que eu fui a primeira brasileira a conquistar um ouro para o judô feminino”, completou Soraia.

Para a ex-atleta, que leciona em três escolas municipais de Santo André, a situação do judô feminino não mudou. “A modalidade ainda vive na sombra do masculino. Enquanto os dirigentes não entenderem que as mulheres precisam de treinamento diferenciado, excursões para os centros de excelência, o esporte vai continuar sem objetivo”, reconheceu a ex-judoca.

Soraia defendeu o Brasil no Pan-Americano de Caracas (1983), na Venezuela, Indianápolis (1987), nos Estados Unidos, e Havana (1991), Cuba. Também participou de duas Olimpíadas: Seul (1988) e Barcelona (1992). Em solo norte-americano, Soraia não conquistou apenas a primeira medalha do judô feminino – segunda viria com a Mônica Angelucci –, mas também uma vaga nos Jogos de Seul. “Foi lá que as mulheres estrearam num tatame. A competição não era por país, mas por continente”, completou.

A ex-atleta pôde acompanhar momentos inesquecíveis da modalidade. “Eu vi o Aurélio (Miguel) e o Rogério (Sampaio) conquistarem dois ouros para o judô. Para se ter uma idéia, torcemos para que a seleção de futebol não conquistasse o ouro. Senão, o feito do Aurélio seria esquecido”, confidenciou. Rogério Sampaio obteve o ouro em Barcelona (1992). “Não tinha nenhum repórter na arena. Eles nem sabiam quem era ele”, lembrou.

Lembranças – Durante o caminho entre a casa dela e o museu, a ex-judoca relembrou os momentos de glória e superação. “Comecei a lutar com 11 anos. Na época, eu não tinha idéia de que era proibido por lei uma mulher praticar esportes de luta”, disse. Soraia entrou em uma academia de judô em 1976. “Lembro muito bem do que falei para o meu pai, o ex-boxeador Israel André. Queria fazer judô e ter um gravador. Ganhei os dois”, afirmou. Na turma de Soraia, havia 13 alunas. Com o tempo, as meninas deixaram os tatames e a ex-judoca ficou solitária. “Treinava com os garotos, e era uma espécie de macaca de auditório. Torcia por eles nas competições”.

Em 1980, tudo mudou. Foram criados competições para mulheres e, numa tacada só, Soraia disputou um Paulista, um Brasileiro e seguiu para Nova York (EUA), onde aconteceu o primeiro mundial. “Tinha 16 anos e levei um susto. No aquecimento, quando vi aquelas mulheres, quase cai para trás. Perdi a primeira luta. Mas depois pude comemorar outras vitórias”, completou.



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Ex-campeã do Pan doa medalhas para museu de Santo André

Kati Dias
Do Diário do Grande ABC

29/04/2006 | 08:53


“Um dia, em algum momento, alguém jogará seus troféus no lixo”. A frase do livro Uma Vida com Propósito, de Rick Warren, mudou a vida ex-judoca Soraia André, de 42 anos. A ex-atleta, ouro nos Jogos Pan-Americanos de Indianápolis (1987), nos Estados Unidos, decidiu doar todas medalhas e troféus para o Museu Doutor Octaviano Armando Gaiarsa, de Santo André. Foram mais de 300 itens cedidos ao acervo, e Soraia esteve no espaço na última quinta-feira para entregar as peças mais valiosas. Entre elas, estava o ouro no Pan. Antes de ligar para o museu, porém, a ex-judoca precisou vencer um conflito interior. “A medalha era minha ou era do Brasil? Descobri que se ficasse comigo, com o tempo ela perderia o valor. Lá, isso não vai acontecer. As pessoas vão saber que eu fui a primeira brasileira a conquistar um ouro para o judô feminino”, completou Soraia.

Para a ex-atleta, que leciona em três escolas municipais de Santo André, a situação do judô feminino não mudou. “A modalidade ainda vive na sombra do masculino. Enquanto os dirigentes não entenderem que as mulheres precisam de treinamento diferenciado, excursões para os centros de excelência, o esporte vai continuar sem objetivo”, reconheceu a ex-judoca.

Soraia defendeu o Brasil no Pan-Americano de Caracas (1983), na Venezuela, Indianápolis (1987), nos Estados Unidos, e Havana (1991), Cuba. Também participou de duas Olimpíadas: Seul (1988) e Barcelona (1992). Em solo norte-americano, Soraia não conquistou apenas a primeira medalha do judô feminino – segunda viria com a Mônica Angelucci –, mas também uma vaga nos Jogos de Seul. “Foi lá que as mulheres estrearam num tatame. A competição não era por país, mas por continente”, completou.

A ex-atleta pôde acompanhar momentos inesquecíveis da modalidade. “Eu vi o Aurélio (Miguel) e o Rogério (Sampaio) conquistarem dois ouros para o judô. Para se ter uma idéia, torcemos para que a seleção de futebol não conquistasse o ouro. Senão, o feito do Aurélio seria esquecido”, confidenciou. Rogério Sampaio obteve o ouro em Barcelona (1992). “Não tinha nenhum repórter na arena. Eles nem sabiam quem era ele”, lembrou.

Lembranças – Durante o caminho entre a casa dela e o museu, a ex-judoca relembrou os momentos de glória e superação. “Comecei a lutar com 11 anos. Na época, eu não tinha idéia de que era proibido por lei uma mulher praticar esportes de luta”, disse. Soraia entrou em uma academia de judô em 1976. “Lembro muito bem do que falei para o meu pai, o ex-boxeador Israel André. Queria fazer judô e ter um gravador. Ganhei os dois”, afirmou. Na turma de Soraia, havia 13 alunas. Com o tempo, as meninas deixaram os tatames e a ex-judoca ficou solitária. “Treinava com os garotos, e era uma espécie de macaca de auditório. Torcia por eles nas competições”.

Em 1980, tudo mudou. Foram criados competições para mulheres e, numa tacada só, Soraia disputou um Paulista, um Brasileiro e seguiu para Nova York (EUA), onde aconteceu o primeiro mundial. “Tinha 16 anos e levei um susto. No aquecimento, quando vi aquelas mulheres, quase cai para trás. Perdi a primeira luta. Mas depois pude comemorar outras vitórias”, completou.

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