Fechar
Publicidade

Sábado, 18 de Janeiro

|

Max º Min º
Clima da Região Trânsito Assine Clube do Assinante Diário Virtual Login

Internacional

internacional@dgabc.com.br | 4435-8301

Três mil etíopes acompanham funerais de imperador


Do Diário do Grande ABC

05/11/2000 | 16:48


Os restos mortais do último imperador da dinastia salomônica, Hailê Selassiê, falecido há 25 anos, foram sepultados este domingo, em uma cerimônia realizada em Addis Abebba, na presença de autoridades da Igreja Ortodoxa e membros da antiga família imperial.

Os funerais começaram ao amanhecer na igreja Baata Mariam Geda, onde os restos do Negus se encontravam desde 1992. Depois das oraçoes conduzidas pelo patriarca ortodoxa, Paulos, o ataúde do último imperador, coberto com a bandeira nacional, foi levado por ex-combatentes, vestidos com trajes tradicionais e portando lanças, ao centro de Addis Abeba. Apenas três mil pessoas acompanharam a cerimônia, quando as previsoes eram de uma participar popular maior. A procissao dirigiu-se para a igreja da Trinidad, onde Selassiê repousará em definitivo.

O imperador morreu na noite de 26 de agosto de 1975 aos 82 anos de idade, oficialmente devido a um "problema circulatório", após ser deposto por um golpe de Estado militar.

Até agora se desconhece a forma como perdeu a vida. O Conselho Militar de Administraçao Provisória (CMAP, dirigido fundamentalmente pelo coronel Mengistu Hailê Mariam, atualmente exilado no Zimbábue) foi acusado de assassiná-lo.

O funeral oficial de sua Majestade Imperial Hailê Selassiê I foi organizado pela Fundaçao que leva seu nome. O governo etíope dirigido por Meles Zenawi autorizou a manifestaçao, alegando "respeitar totalmente" os direitos civis da família do imperador, considerado o "último Rei dos Reis" da Etiópia. "Apesar da inesquecível miséria que o ex-imperador causou ao povo da Etiópia, nao deveria ser privado de um enterro formal como cidadao e ser humano", estimaram as autoridades etíopes, citadas na terça-feira passada pela imprensa oficial.

Segundo o comunicado governamental, o último descendente da dinastia etíope (de Salomao, há 3 mil anos) depositou "os magros recursos do país, que pertencem às massas etíopes, em bancos estrangeiros, que poderiam ter sido utilizados para reduzir a pobreza e acelerar o crescimento econômico".

Hailê Selassiê converteu Addis Abeba na capital diplomática da Africa, ao criar no dia 25 de maio de 1963 a Organizaçao de Unidade Africana. Esta iniciativa deu a seu país um prestígio internacional inigualado até agora.

Entretanto, a política interna deste "pai fundador" da Africa pós-colonial foi muito criticada. Seus adversários assinalaram seu poder imperial absoluto, sua inércia ante a rebeldia estudantil e das minorias étnicas, a falta de uma reforma atrária e afirmaram que nao reagiu a tempo durante a terrível fome de 1974 em Wollo (Nordeste), que causou cerca de 200 mil vítimas.

A Igreja ortodoxa, por sua vez, deu seu apoio ao "eleito de Deus e defensor da fé crista", segundo os títulos do imperador. Sob seu reinado, a Igreja ortodoxa da Etiópia virou patriarcado independente de Alexandria.



Comentários

Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.

Três mil etíopes acompanham funerais de imperador

Do Diário do Grande ABC

05/11/2000 | 16:48


Os restos mortais do último imperador da dinastia salomônica, Hailê Selassiê, falecido há 25 anos, foram sepultados este domingo, em uma cerimônia realizada em Addis Abebba, na presença de autoridades da Igreja Ortodoxa e membros da antiga família imperial.

Os funerais começaram ao amanhecer na igreja Baata Mariam Geda, onde os restos do Negus se encontravam desde 1992. Depois das oraçoes conduzidas pelo patriarca ortodoxa, Paulos, o ataúde do último imperador, coberto com a bandeira nacional, foi levado por ex-combatentes, vestidos com trajes tradicionais e portando lanças, ao centro de Addis Abeba. Apenas três mil pessoas acompanharam a cerimônia, quando as previsoes eram de uma participar popular maior. A procissao dirigiu-se para a igreja da Trinidad, onde Selassiê repousará em definitivo.

O imperador morreu na noite de 26 de agosto de 1975 aos 82 anos de idade, oficialmente devido a um "problema circulatório", após ser deposto por um golpe de Estado militar.

Até agora se desconhece a forma como perdeu a vida. O Conselho Militar de Administraçao Provisória (CMAP, dirigido fundamentalmente pelo coronel Mengistu Hailê Mariam, atualmente exilado no Zimbábue) foi acusado de assassiná-lo.

O funeral oficial de sua Majestade Imperial Hailê Selassiê I foi organizado pela Fundaçao que leva seu nome. O governo etíope dirigido por Meles Zenawi autorizou a manifestaçao, alegando "respeitar totalmente" os direitos civis da família do imperador, considerado o "último Rei dos Reis" da Etiópia. "Apesar da inesquecível miséria que o ex-imperador causou ao povo da Etiópia, nao deveria ser privado de um enterro formal como cidadao e ser humano", estimaram as autoridades etíopes, citadas na terça-feira passada pela imprensa oficial.

Segundo o comunicado governamental, o último descendente da dinastia etíope (de Salomao, há 3 mil anos) depositou "os magros recursos do país, que pertencem às massas etíopes, em bancos estrangeiros, que poderiam ter sido utilizados para reduzir a pobreza e acelerar o crescimento econômico".

Hailê Selassiê converteu Addis Abeba na capital diplomática da Africa, ao criar no dia 25 de maio de 1963 a Organizaçao de Unidade Africana. Esta iniciativa deu a seu país um prestígio internacional inigualado até agora.

Entretanto, a política interna deste "pai fundador" da Africa pós-colonial foi muito criticada. Seus adversários assinalaram seu poder imperial absoluto, sua inércia ante a rebeldia estudantil e das minorias étnicas, a falta de uma reforma atrária e afirmaram que nao reagiu a tempo durante a terrível fome de 1974 em Wollo (Nordeste), que causou cerca de 200 mil vítimas.

A Igreja ortodoxa, por sua vez, deu seu apoio ao "eleito de Deus e defensor da fé crista", segundo os títulos do imperador. Sob seu reinado, a Igreja ortodoxa da Etiópia virou patriarcado independente de Alexandria.

Ao acessar você concorda com a nossa Política de Privacidade.


Para continuar, faça o seu login:


  • Aceito receber novidades e ofertas do Diário do Grande ABC e parceiros por
    correio eletrônico, mala direta, SMS ou outros meios de comunicação.


Ou acesse todo o conteúdo de forma ilimitada:

Veja como ter acesso a todo o conteúdo de forma ilimitada:

Copyright © 1995-2017 - Todos direitos reservados

;