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‘Trabalho sem pensar em quem será governador’

Divulgação  Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Anderson Fattori

23/07/2018 | 07:36


O Grande ABC sempre foi celeiro do esporte nacional, berço de atletas que serviram às mais variadas modalidades em Olimpíadas. Uma das razões é a proximidade dos políticos da região com a Secretaria Estadual de Esporte, Lazer e Juventude, de onde conseguem verbas para financiar projetos. O ex-deputado estadual e ex-vereador de Santo André Israel Zekcer (PTB) e o atual prefeito de São Caetano, José Auricchio Júnior (PSDB), por exemplo, chefiaram a Pasta. 

A bola da vez no cargo é Cacá Camargo, que tem entre seus adjuntos Rogério Garcia, de São Caetano. Nesta entrevista ele conta quais são seus desafios e como pode beneficiar o Grande ABC. 

O senhor assumiu a secretaria dia 12 de maio. Assim, quais desafios terá pela frente?

É pouco tempo, mas entrei sabendo que estaríamos correndo contra o tempo. Este ano tem eleição, então temos prazos curtos para assinar convênios. Desde que cheguei assinei mais de 100 convênios, entre academias ao ar livre, construções, obras, gramados sintéticos, pistas de skate... Então é pouco tempo, mas tenho de fazer um mês virar um ano. Já tive outras experiências, fui do Ministério do Esporte e lá dentro vemos quanto essa secretaria é requisitada e como os prefeitos das cidades nos procuram. Esporte e lazer, principalmente as cidades menores, precisam deste equipamento porque faltam opções para a população e isso acaba se tornando instrumento social para tirar as crianças das ruas e praticar algo legal. Em cidades como Santo André, por exemplo, você vê isso de forma maior, como recebendo os Jogos Regionais, que movimentam a economia da cidade.

Os Jogos Regionais realizados em Santo André foram seu primeiro teste para um dos maiores desafios, que são os Jogos Abertos. Como encara essa responsabilidade?

Os Jogos Regionais são convênio muito importante para nós. A competição que aconteceu aqui em Santo André contou com 25 cidades e mais de 5.000 atletas, onde investimos quase R$ 500 mil. Contamos muito com a ajuda do governador, porque, quando chegamos, esse processo estava correndo e ele autorizou. Para nós é um desafio, mas é muito gratificante ver as cidades praticando esportes. Nessas competições surgem grandes atletas e isso para nós é muito importante.

Em outubro acontecem os Jogos Abertos, competição importante para o Estado, apelidada de ‘Olimpíada Caipira’, mas que nos últimos anos teve dificuldade de encontrar sede pelos problemas financeiros dos municípios. Como vê esse cenário?

Rio Claro estava certo. Estávamos trabalhando o convênio, é todo um processo, mas tem coisas que fogem do nosso alcance. Rio Claro acabou abrindo mão. Agora estamos nos movimentando para buscar outra sede. O importante é a população do Estado ser atendida. Se Rio Claro não quer, tenho certeza que tem outros municípios querendo.

Tem alguma outra cidade em vista?

Como foi tudo muito recente, estamos negociando com algumas cidades, verificando as possibilidades para conseguir estrutura bacana para ter essa competição.

Existe a possibilidade de não ter os Jogos Abertos?

Desde que assumi estamos trabalhando com otimismo sobre esse assunto, porque tem muitas cidades nos pedindo. Isso é positivo. Talvez, nesta gestão, por termos autorizado tudo muito rápido nos Jogos Regionais, estão vendo que as coisas acontecem. Muitas vezes, no passado, as cidades ficavam com receio de não conseguir assinar o convênio.

O senhor ainda está autorizando as heranças e os convênios dos seus antecessores. A partir de agora qual é o seu posicionamento com foco no futuro da secretaria?

Primeiro e muito importante é que não temos distinção de cidades. Todo mundo está sendo atendido e é bacana a abertura que estamos dando para os prefeitos e vereadores. Estamos procurando investir os recursos que temos em cidades que possam oferecer algo para a população, como as academias ao ar livre, equipamentos esportivos, as quadras de futebol, as pistas de skate. Tem um programa bacana, o Mais Esporte Social, que destina verba a projetos ligados ao Esporte e ao social. Então, temos focado em privilegiar esses recursos com as cidades para transferir o dinheiro para quem mais necessita.

Talvez exista aquela velha discussão entre investir recursos em equipamentos que atendam à população de uma forma geral, como as academias ao ar livre, quadras, e investimento em alto rendimento. O senhor tenta dividir os recursos entre as duas frentes?

Sabemos tanto da importância dos equipamentos para a população em geral como do alto rendimento. Não só em São Paulo, como no Brasil. Até fui chamado para audiência na Assembleia Legislativa e implorei para aumento de recursos para o Esporte, porque estamos vendo o governo federal querendo diminuir o repasse. Temos procurado atuar em todas as frentes, no alto rendimento também, com as federações, os equipamentos do Complexo do Ibirapuera – mantemos lá os atletas treinando –, estamos buscando convênios nesta frente e ao mesmo tempo investimentos ligados ao social e às cidades. Queríamos ter bem mais recursos, mas com o que temos à disposição estamos nos virando para atender as duas frentes.

Depois da Olimpíada do Rio de Janeiro aconteceu algo que poucos imaginavam. Ao invés de o Brasil colher legado esportivo, está colhendo muitas dívidas e pouco investimento, com empresas que estão deixando de investir em Esportes. Preocupa ao senhor a continuidade do esporte de alto rendimento?

Estamos bastante preocupados com esse assunto. Você citou um exemplo importante, não adianta nada fazermos convênio com alguma federação ou com atletas por um tempo determinado e depois eles ficarem órfãos de patrocínio. Temos procurado não só investimento do Estado, como parcerias. Temos também programas como o Bolsa Atleta, que é justamente para que esse esportista tenha acompanhamento para que, independentemente de patrocínio, ele não fique órfão nesta questão dos recursos para ele praticar suas modalidades. Essa é uma das funções do Bolsa Atleta, claro, sempre procurando parcerias com o setor privado, porque os atletas precisam muito.

Como está o assunto da privatização do Complexo do Ibirapuera?

Esse é um assunto bastante complexo que estou analisando com carinho. Tem mais de um jeito de ver. É um equipamento importante para a prática do esporte e de lazer. Foram feitos em outras gestões grandes investimentos em reformas e nós estamos percebendo que ainda não atende toda a demanda da população. Ao mesmo tempo estamos analisando proposta de PPP (Parceria Público-Privada) para o espaço. O que tenho procurado ver na análise é que o complexo não perca sua função esportiva. O melhor é fazer uma PPP para que o Estado não tenha que aportar mais dinheiro e tenha mais investimentos para os nossos equipamentos. Então, estou analisando os projetos, mas sempre com a prioridade que tenha menos gastos para o Estado e não perca a finalidade esportiva. Já recebi projetos privilegiando o setor imobiliário e isso não pode. A população já é carente de espaços esportivos e estamos analisando para que o local não perca sua função social e esportiva.

Neste ano teremos eleições, em outubro, e o Esporte sempre foi uma das bandeiras do governo. Como o senhor está lidando com a pressão para trazer bons resultados?

Nesse cargo sempre entramos preparados para pressão. Mas tem um lado bom, porque, quando você tem esse calendário corrido, as próprias cidades se mexem mais. Não adianta só o governo querer fazer o convênio, tem toda a parte técnica da cidade. Quando temos prazo apertado, os municípios também nos procuram. Tem a pressão, mas isso acaba trazendo resultados mais rápidos. Em um mês e pouco de gestão já assinamos vários convênios. Nossa preocupação é em atender às cidades, à população, independentemente de eleição, de partido ‘A’, ‘B’ ou ‘C’, de quem vai ser governador. A prioridade tem sido essa e o governador tem sido muito sensível e não medido esforços para liberar os recursos. 

Em relação ao calendário que já estava estabelecido até o fim do ano, ele será cumprido de forma integral?

As metas até o fim do ano vamos trabalhar para cumprir e superar. Quando entramos tinha determinado número de metas de cidades para serem atendidas e a expectativa é de aumentar, porque fizemos redirecionamento de recursos justamente para atender mais cidades.

O senhor tem um adjunto que é aqui de São Caetano...

Isso, o Rogério (Garcia). Ele sempre foi do setor privado, sempre trabalhou em montadoras, pediu licença da Mercedes-Benz para assumir o cargo. Claro que a função dele é dar atenção ao Estado, mas ele conhece bastante a região e tudo que envolve as cidades ele tem um empenho maior.

Grande ABC sempre foi muito forte no Esporte...

Embora eu já soubesse antes de assumir, fico impressionado com a força esportiva do Grande ABC. Quanto os atletas e os prefeitos nos procuram, temos procurado atender todas as expectativas da região e aumentar a participação dos recursos para as cidades da região. Desde os Jogos Regionais que fizemos (em julho) em Santo André. Mas qualquer convênio que a gente lê é impressionante como sempre tem ligação. 



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