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Caso Brunão vira
jogo de empurra


Dérek Bittencourt
Do Diário do Grande ABC

23/08/2011 | 07:10


A confusão entre jogadores e torcedores do Santo André, após a partida contra o Joinville, domingo, no Bruno Daniel, parece longe de explicação ou consenso. Isso porque as partes empurram uma para a outra as responsabilidades pelo início do conflito, que culminou na depredação da área administrativa do estádio. Enquanto isso, quem perde é o clube, que vê a torcida cada vez mais distante e os atletas envoltos em ambiente turbulento.

Na versão da Torcida Fúria Andreense, única organizada acusada de envolvimento no confronto, o meia Cristiano Brasília mostrou o dedo médio aos torcedores na saída de campo, o que os irritou e os levou à porta do vestiário para tirar satisfações. Além disso, em nota divulgada, acusaram que atletas como o lateral Iran e o atacante Vanderlei "lançaram cadeiras em direção aos torcedores, ocasionando a quebra dos vidros da porta."

"Vi ele (Brasília) fazendo o gesto obsceno que acabou desencadeando tudo. Não justifica o que aconteceu depois, a gente repudia violência, mas vejo que ele também tem culpa nisso tudo. Tem que ter respeito independentemente de qualquer situação", afirmou o presidente da Fúria, Renato Ramos, que vai apurar internamente a participação de integrantes da organizada nos acontecimentos e promete "puni-los com medidas internas".

Cristiano Brasília defende-se. "Normalmente quando termina o jogo, dou tchau para minha esposa e filho, que estão na arquibancada. Infelizmente, eles se equivocaram. Viram que erraram e estão tentando achar culpado, mas não serei eu. Sou evangélico. Sei que não fiz nada", disse ele.

Sobre a acusação de que os atletas teriam quebrado as vidraças da parte administrativa do Bruno Daniel, o diretor de futebol Luiz Antonio Ruas Capella disse "não entender de onde tiraram isso", afinal os vidros quebrados estavam na parte interna do setor - tanto que cortaram o pé do zagueiro Daniel Gigante e o cotovelo esquerdo do assessor de imprensa Miguel Fagundes.

Em razão da situação, a Fúria Andreense pode perder o direito de receber ingressos da diretoria. "Temos que repensar. Não podemos oferecer ingressos para pessoas virem à nossa casa fazer atos de vandalismo", afirmou Capella.

Diferentemente do que o dirigente havia afirmado, o árbitro da partida (Wagner do Nascimento Guimarães) não relatou os fatos na súmula. Mas o Ministério Público tem autonomia para intervir e pedir a interdição do estádio. Caso isso se confirme, o Ramalhão pode ter de enfrentar a Chapecoense, pela nona rodada da Série C, com portões fechados ou em outro lugar.

Clube passa pela pior crise em campo

O nome já foi Santo André Futebol Clube e mudou para Esporte Clube Santo André, mas o sobrenome é o mesmo: crise. Nos 44 anos de história, o Ramalhão já passou por diversos momentos turbulentos (veja arte ao lado), mas até há alguns anos somente fora de campo. Os seguidos rebaixamentos e a possibilidade cada vez mais forte de queda à Série D do Brasileiro - como se já não bastasse estar na Série A-2 Estadual - mostram que chegou ao pior momento dentro das quatro linhas.

Desde a fundação, problemas financeiros, administrativos e políticos sempre estiveram presentes no Santo André. As soluções, na maioria das vezes, era troca de dirigentes e mobilização junto à torcida para reverter os problemas. Atualmente, porém, o cenário é outro e desde 2009 (com o breve lampejo de sucesso no vice-campeonato no Paulistão de 2010), o Ramalhão soma seguidos insucessos.

Para quem participou de 16 anos do dia a dia do clube, caso do ex-diretor Sérgio do Prado (atualmente no Palmeiras), este é o pior momento da história andreense e requer união de todas as partes (clube, torcedores, munícipes e poder público) em busca de solução.

"Não é possível construir algo em 40 anos e destruir em quatro. Só uma coisa faz isso: o vício em drogas. Se todo mundo se envolver para ajudar, dá tempo", afirmou o dirigente, que saiu em 2008 após o acesso para a elite nacional.

"Antigamente, o Santo André era candidato à Série C. Dependia de convite e outras coisas. Chegou até a Série A, tijolo por tijolo. Como pode cair tanto? Os tijolos estão desabando", afirmou Sérgio do Prado. "Tem que reagir. Cair para a Série D seria um desastre. É preciso fazer de tudo: oferecer premiação especial aos jogadores, trazer as famílias para perto e dar tranquilidade. É necessário também ter humildade e aceitar ajuda, conversar com todo mundo, porque há uma cidade e uma história por trás", concluiu.

Situação mostra Série D cada vez mais próxima

O empate com o Joinville e a vitória do Caxias sobre o Brasil de Pelotas derrubaram o Santo André para a quinta e última colocação do Grupo 4 do Campeonato Brasileiro da Série C. Restando três jogos para o fim da primeira fase, o time só tem mais um jogo em casa (Chapecoense) e dois fora (Brasil de Pelotas e Caxias), em situação totalmente desfavorável, afinal o lanterna de cada chave cai para a Série D.

Em determinado momento do duelo contra o Joinville, enquanto vencia por 1 a 0, o Santo André estava chegando a seis pontos, a apenas dois da liderança. A igualdade não só derrubou o Ramalhão como elevou o Joinville aos nove pontos, ainda mais isolado na ponta.

Para piorar, o time do Grande ABC folga no fim de semana. Se terá tempo para trabalhar e aprimorar finalização, marcação e jogadas de bola parada, por outro lado pode ver o Caxias, quarto colocado com cinco pontos, abrir quatro do Ramalhão, enquanto o Joinville tem a chance de aumentar a vantagem para oito.

No semblante dos jogadores e nas palavras do técnico Rotta é perceptível que nada está perdido. Porém, será necessário demonstrar isso em campo.

"Caímos para o último lugar, mas não podemos baixar a guarda e achar que está tudo errado. Contra Caxias e Joinville a gente se portou como equipe grande e forte que é o Santo André. Vamos trabalhar, o grupo está mais forte após a chegada dos quatro reforços e estamos incorporando a competição", disse o técnico Rotta.

DEFESA

O atacante Vanderlei desperdiçou duas chances de gols inacreditáveis contra o Joinville, que poderiam ter sido fundamentais para decretar a vitória andreense. Porém, Rotta poupou o jogador de críticas e saiu em defesa dele e dos outros atletas.

"Não podemos condená-lo. Aliás, nem ele e nem ninguém. Uma equipe que passa o jogo com um a menos, com campo pesado e correndo o tempo todo, não pode ser criticada, mas sim valorizada, porque foi guerreira", afirmou o treinador.

Opinião do editor

A possibilidade de a diretoria do Santo André não liberar ingressos gratuitos às organizadas em virtude dos acontecimentos de domingo, no Bruno Daniel, deveria se confirmar e tornar-se definitiva. Não há justificativas para que os torcedores comuns paguem integralmente seus bilhetes enquanto muitos desses ‘fiéis seguidores', que na verdade não passam de marginais, não gastem um tostão nas bilheterias e ainda aproveitem ocasiões não satisfatórias para descarregar nas arquibancadas ou em outros locais as frustrações do dia a dia. Em vez de apoiar essas torcidas, as diretorias dos clubes deveriam fazer campanhas e promoções maciças que incentivassem a volta das famílias aos estádios, coisa rara de se ver hoje em dia, principalmente nos campos do Grande ABC. Seria vitória certa.



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Caso Brunão vira
jogo de empurra

Dérek Bittencourt
Do Diário do Grande ABC

23/08/2011 | 07:10


A confusão entre jogadores e torcedores do Santo André, após a partida contra o Joinville, domingo, no Bruno Daniel, parece longe de explicação ou consenso. Isso porque as partes empurram uma para a outra as responsabilidades pelo início do conflito, que culminou na depredação da área administrativa do estádio. Enquanto isso, quem perde é o clube, que vê a torcida cada vez mais distante e os atletas envoltos em ambiente turbulento.

Na versão da Torcida Fúria Andreense, única organizada acusada de envolvimento no confronto, o meia Cristiano Brasília mostrou o dedo médio aos torcedores na saída de campo, o que os irritou e os levou à porta do vestiário para tirar satisfações. Além disso, em nota divulgada, acusaram que atletas como o lateral Iran e o atacante Vanderlei "lançaram cadeiras em direção aos torcedores, ocasionando a quebra dos vidros da porta."

"Vi ele (Brasília) fazendo o gesto obsceno que acabou desencadeando tudo. Não justifica o que aconteceu depois, a gente repudia violência, mas vejo que ele também tem culpa nisso tudo. Tem que ter respeito independentemente de qualquer situação", afirmou o presidente da Fúria, Renato Ramos, que vai apurar internamente a participação de integrantes da organizada nos acontecimentos e promete "puni-los com medidas internas".

Cristiano Brasília defende-se. "Normalmente quando termina o jogo, dou tchau para minha esposa e filho, que estão na arquibancada. Infelizmente, eles se equivocaram. Viram que erraram e estão tentando achar culpado, mas não serei eu. Sou evangélico. Sei que não fiz nada", disse ele.

Sobre a acusação de que os atletas teriam quebrado as vidraças da parte administrativa do Bruno Daniel, o diretor de futebol Luiz Antonio Ruas Capella disse "não entender de onde tiraram isso", afinal os vidros quebrados estavam na parte interna do setor - tanto que cortaram o pé do zagueiro Daniel Gigante e o cotovelo esquerdo do assessor de imprensa Miguel Fagundes.

Em razão da situação, a Fúria Andreense pode perder o direito de receber ingressos da diretoria. "Temos que repensar. Não podemos oferecer ingressos para pessoas virem à nossa casa fazer atos de vandalismo", afirmou Capella.

Diferentemente do que o dirigente havia afirmado, o árbitro da partida (Wagner do Nascimento Guimarães) não relatou os fatos na súmula. Mas o Ministério Público tem autonomia para intervir e pedir a interdição do estádio. Caso isso se confirme, o Ramalhão pode ter de enfrentar a Chapecoense, pela nona rodada da Série C, com portões fechados ou em outro lugar.

Clube passa pela pior crise em campo

O nome já foi Santo André Futebol Clube e mudou para Esporte Clube Santo André, mas o sobrenome é o mesmo: crise. Nos 44 anos de história, o Ramalhão já passou por diversos momentos turbulentos (veja arte ao lado), mas até há alguns anos somente fora de campo. Os seguidos rebaixamentos e a possibilidade cada vez mais forte de queda à Série D do Brasileiro - como se já não bastasse estar na Série A-2 Estadual - mostram que chegou ao pior momento dentro das quatro linhas.

Desde a fundação, problemas financeiros, administrativos e políticos sempre estiveram presentes no Santo André. As soluções, na maioria das vezes, era troca de dirigentes e mobilização junto à torcida para reverter os problemas. Atualmente, porém, o cenário é outro e desde 2009 (com o breve lampejo de sucesso no vice-campeonato no Paulistão de 2010), o Ramalhão soma seguidos insucessos.

Para quem participou de 16 anos do dia a dia do clube, caso do ex-diretor Sérgio do Prado (atualmente no Palmeiras), este é o pior momento da história andreense e requer união de todas as partes (clube, torcedores, munícipes e poder público) em busca de solução.

"Não é possível construir algo em 40 anos e destruir em quatro. Só uma coisa faz isso: o vício em drogas. Se todo mundo se envolver para ajudar, dá tempo", afirmou o dirigente, que saiu em 2008 após o acesso para a elite nacional.

"Antigamente, o Santo André era candidato à Série C. Dependia de convite e outras coisas. Chegou até a Série A, tijolo por tijolo. Como pode cair tanto? Os tijolos estão desabando", afirmou Sérgio do Prado. "Tem que reagir. Cair para a Série D seria um desastre. É preciso fazer de tudo: oferecer premiação especial aos jogadores, trazer as famílias para perto e dar tranquilidade. É necessário também ter humildade e aceitar ajuda, conversar com todo mundo, porque há uma cidade e uma história por trás", concluiu.

Situação mostra Série D cada vez mais próxima

O empate com o Joinville e a vitória do Caxias sobre o Brasil de Pelotas derrubaram o Santo André para a quinta e última colocação do Grupo 4 do Campeonato Brasileiro da Série C. Restando três jogos para o fim da primeira fase, o time só tem mais um jogo em casa (Chapecoense) e dois fora (Brasil de Pelotas e Caxias), em situação totalmente desfavorável, afinal o lanterna de cada chave cai para a Série D.

Em determinado momento do duelo contra o Joinville, enquanto vencia por 1 a 0, o Santo André estava chegando a seis pontos, a apenas dois da liderança. A igualdade não só derrubou o Ramalhão como elevou o Joinville aos nove pontos, ainda mais isolado na ponta.

Para piorar, o time do Grande ABC folga no fim de semana. Se terá tempo para trabalhar e aprimorar finalização, marcação e jogadas de bola parada, por outro lado pode ver o Caxias, quarto colocado com cinco pontos, abrir quatro do Ramalhão, enquanto o Joinville tem a chance de aumentar a vantagem para oito.

No semblante dos jogadores e nas palavras do técnico Rotta é perceptível que nada está perdido. Porém, será necessário demonstrar isso em campo.

"Caímos para o último lugar, mas não podemos baixar a guarda e achar que está tudo errado. Contra Caxias e Joinville a gente se portou como equipe grande e forte que é o Santo André. Vamos trabalhar, o grupo está mais forte após a chegada dos quatro reforços e estamos incorporando a competição", disse o técnico Rotta.

DEFESA

O atacante Vanderlei desperdiçou duas chances de gols inacreditáveis contra o Joinville, que poderiam ter sido fundamentais para decretar a vitória andreense. Porém, Rotta poupou o jogador de críticas e saiu em defesa dele e dos outros atletas.

"Não podemos condená-lo. Aliás, nem ele e nem ninguém. Uma equipe que passa o jogo com um a menos, com campo pesado e correndo o tempo todo, não pode ser criticada, mas sim valorizada, porque foi guerreira", afirmou o treinador.

Opinião do editor

A possibilidade de a diretoria do Santo André não liberar ingressos gratuitos às organizadas em virtude dos acontecimentos de domingo, no Bruno Daniel, deveria se confirmar e tornar-se definitiva. Não há justificativas para que os torcedores comuns paguem integralmente seus bilhetes enquanto muitos desses ‘fiéis seguidores', que na verdade não passam de marginais, não gastem um tostão nas bilheterias e ainda aproveitem ocasiões não satisfatórias para descarregar nas arquibancadas ou em outros locais as frustrações do dia a dia. Em vez de apoiar essas torcidas, as diretorias dos clubes deveriam fazer campanhas e promoções maciças que incentivassem a volta das famílias aos estádios, coisa rara de se ver hoje em dia, principalmente nos campos do Grande ABC. Seria vitória certa.

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