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Mercosul quer melhorar o comércio agrícola


Do Diário do Grande ABC

15/06/1999 | 11:05


Os presidentes do Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai estao de acordo em implantar uma política macro-econômica subregional coordenada, assim como tomar outras resoluçoes para revitalizar o Mercosul, após um período de incertezas. A informaçao foi divulgada nesta terça-feira por representantes dos quatro governos.

Fernando Henrique Cardoso (Brasil), Carlos Menem (Argentina), Julio Sanguinetti (Uruguai) e o anfitriao Luis González Macchi receberao ao final do encontro seus colegas Eduardo Frei (Chile) e Hugo Banzer (Bolívia), para declarar que a cúpula de chefes de Estado da América Latina, Caribe e Uniao Européia, no final deste mês, no Rio de Janeiro, deverá abordar o tema agrícola e a reduçao de subsídios nesse setor.

Essas decisoes deverao dar novo vigor ao Mercosul e seus parceiros de livre comércio, Chile e Bolívia, depois da crise e do período de incertezas e desconfianças provocado pela desvalorizaçao do real, em janeiro.

A coordenaçao macro-econômica, que vai inaugurar um Comitê de Acompanhamento de nível vice-ministerial, "será um esforço de disciplina fiscal", que dará "sinais de certeza ao mundo de uma regiao que enfrenta a globalizaçao com responsabilidade", comentou o secretário argentino das Relaçoes Econômicas Internacionais, Jorge Campbell.

O ministro brasileiro das Relaçoes Exteriores, Luis Felipe Lampreia, anunciou, por sua vez, que a XVI Cúpula do Mercosul adotará decisoes sobre dois temas básicos, a coordenaçao macro-econômica e as relaçoes com a Uniao Européia.

A declaraçao sobre a necessidade de reduzir o protecionismo agrícola europeu será adotada a duas semanas da Cúpula do Rio de Janeiro, onde, entre os dias 28 e 29 de junho, acontecerao duas cúpulas paralelas, uma entre a UE e América Latina, e outra entre os chefes de Estado e governo europeus com seus colegas do Mercosul (Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai).

Segundo Lampreia, o Mercosul, que contará com Chile e Bolívia como convidados, vai insistir na tese de que as conversaçoes sejam realizadas sem a exclusao de setores, tanto no comércio de bens como no de serviços.

Na questao específica das relaçoes entre o Mercosul e o Chile com a UE, será exigido o início imediato de negociaçoes com prazo até 2005 (o mesmo da Area de Livre Comércio das Américas, ALCA), para que "nada seja firmado sem que esteja completamente negociado".

A metodologia destas negociaçoes ficará por conta dos organismos cuja criaçao está prevista no Acordo Inter-regional UE-Mercosul, firmado em Madri, em dezembro de 1995.

Lampreia disse que o Mercosul confia em alcançar finalmente um acordo com os europeus sobre o lançamento das negociaçoes, que deverao compatibilizar se com as discussoes paralelas na próxima rodada da Organizaçao Mundial de Comércio (OMC).

O ministro da Fazenda do Brasil, Pedro Malan, por sua vez, destacou a recuperaçao econômica de seu país, segundo projeçoes de analistas privados, e ressaltou a importância do Comitê de Acompanhamento que discute a convergência macro-econômica "a médio prazo".

Malan lembrou que na reuniao anterior entre ministros da Economia do Mercosul, em fevereiro, em plena turbulência com a desvalorizaçao do real e em meio a previsoes catastróficas para o Brasil, os países-membros entenderam que era prematuro tirar conclusoes sobre o impacto da crise na regiao.

O tempo deu aval a essa conclusao, segundo Malan, pois poucos meses depois o real se valorizou e, segundo consultores privados, a previsao de inflaçao é de 6% em 1999, em Sao Paulo, o Produto Interno Bruto terá alta de 1,5%, a taa de juros deve baixar 10%, o desemprego vai baixar para 8% e a balança comercial terá um superávit de quatro bilhoes de dólares. Da mesma maneira, o intercâmbio comercial com os sócios do Mercosul, de janeiro a maio, ficou em déficit de quase 100 milhoes de dólares, contradizendo previsao de fevereiro, que antecipava a invasao de produtos brasileiros por todo o Cone Sul.

Malan lembrou que os ministros da Economia do Mercosul já se reuniram 12 vezes desde 1996, para debater uma política macro-econômica, mas a discussao se aprofundou com a crise brasileira. O tema teve grande impulso com o acordo entre FHC e Menem em Buenos Aires, na segunda-feira passada, quando concluíram pela necessidade de um pacto de responsabilidade fiscal, com metas para déficit de contas públicas, endividamento e inflaçao.

O presidente argentino apelidou o entendimento como "um pequeno Maastricht", aludindo ao pacto europeu que deu origem à uniao monetária no Velho Continente. A formaçao do Comitê de Acompanhamento, disse Malan, significará "um passo adiante em nosso relacionamento entre os sócios do Mercosul".

O chanceler paraguaio, Miguel Abdon Saguier, por sua vez, disse que "a acelerada globalizaçao, a crise financeira internacional e a iminente abertura de uma nova rodada mundial de negociaçoes comerciais" levaram o Mercosul a "aprofundar a integraçao de nossas economias".



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Mercosul quer melhorar o comércio agrícola

Do Diário do Grande ABC

15/06/1999 | 11:05


Os presidentes do Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai estao de acordo em implantar uma política macro-econômica subregional coordenada, assim como tomar outras resoluçoes para revitalizar o Mercosul, após um período de incertezas. A informaçao foi divulgada nesta terça-feira por representantes dos quatro governos.

Fernando Henrique Cardoso (Brasil), Carlos Menem (Argentina), Julio Sanguinetti (Uruguai) e o anfitriao Luis González Macchi receberao ao final do encontro seus colegas Eduardo Frei (Chile) e Hugo Banzer (Bolívia), para declarar que a cúpula de chefes de Estado da América Latina, Caribe e Uniao Européia, no final deste mês, no Rio de Janeiro, deverá abordar o tema agrícola e a reduçao de subsídios nesse setor.

Essas decisoes deverao dar novo vigor ao Mercosul e seus parceiros de livre comércio, Chile e Bolívia, depois da crise e do período de incertezas e desconfianças provocado pela desvalorizaçao do real, em janeiro.

A coordenaçao macro-econômica, que vai inaugurar um Comitê de Acompanhamento de nível vice-ministerial, "será um esforço de disciplina fiscal", que dará "sinais de certeza ao mundo de uma regiao que enfrenta a globalizaçao com responsabilidade", comentou o secretário argentino das Relaçoes Econômicas Internacionais, Jorge Campbell.

O ministro brasileiro das Relaçoes Exteriores, Luis Felipe Lampreia, anunciou, por sua vez, que a XVI Cúpula do Mercosul adotará decisoes sobre dois temas básicos, a coordenaçao macro-econômica e as relaçoes com a Uniao Européia.

A declaraçao sobre a necessidade de reduzir o protecionismo agrícola europeu será adotada a duas semanas da Cúpula do Rio de Janeiro, onde, entre os dias 28 e 29 de junho, acontecerao duas cúpulas paralelas, uma entre a UE e América Latina, e outra entre os chefes de Estado e governo europeus com seus colegas do Mercosul (Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai).

Segundo Lampreia, o Mercosul, que contará com Chile e Bolívia como convidados, vai insistir na tese de que as conversaçoes sejam realizadas sem a exclusao de setores, tanto no comércio de bens como no de serviços.

Na questao específica das relaçoes entre o Mercosul e o Chile com a UE, será exigido o início imediato de negociaçoes com prazo até 2005 (o mesmo da Area de Livre Comércio das Américas, ALCA), para que "nada seja firmado sem que esteja completamente negociado".

A metodologia destas negociaçoes ficará por conta dos organismos cuja criaçao está prevista no Acordo Inter-regional UE-Mercosul, firmado em Madri, em dezembro de 1995.

Lampreia disse que o Mercosul confia em alcançar finalmente um acordo com os europeus sobre o lançamento das negociaçoes, que deverao compatibilizar se com as discussoes paralelas na próxima rodada da Organizaçao Mundial de Comércio (OMC).

O ministro da Fazenda do Brasil, Pedro Malan, por sua vez, destacou a recuperaçao econômica de seu país, segundo projeçoes de analistas privados, e ressaltou a importância do Comitê de Acompanhamento que discute a convergência macro-econômica "a médio prazo".

Malan lembrou que na reuniao anterior entre ministros da Economia do Mercosul, em fevereiro, em plena turbulência com a desvalorizaçao do real e em meio a previsoes catastróficas para o Brasil, os países-membros entenderam que era prematuro tirar conclusoes sobre o impacto da crise na regiao.

O tempo deu aval a essa conclusao, segundo Malan, pois poucos meses depois o real se valorizou e, segundo consultores privados, a previsao de inflaçao é de 6% em 1999, em Sao Paulo, o Produto Interno Bruto terá alta de 1,5%, a taa de juros deve baixar 10%, o desemprego vai baixar para 8% e a balança comercial terá um superávit de quatro bilhoes de dólares. Da mesma maneira, o intercâmbio comercial com os sócios do Mercosul, de janeiro a maio, ficou em déficit de quase 100 milhoes de dólares, contradizendo previsao de fevereiro, que antecipava a invasao de produtos brasileiros por todo o Cone Sul.

Malan lembrou que os ministros da Economia do Mercosul já se reuniram 12 vezes desde 1996, para debater uma política macro-econômica, mas a discussao se aprofundou com a crise brasileira. O tema teve grande impulso com o acordo entre FHC e Menem em Buenos Aires, na segunda-feira passada, quando concluíram pela necessidade de um pacto de responsabilidade fiscal, com metas para déficit de contas públicas, endividamento e inflaçao.

O presidente argentino apelidou o entendimento como "um pequeno Maastricht", aludindo ao pacto europeu que deu origem à uniao monetária no Velho Continente. A formaçao do Comitê de Acompanhamento, disse Malan, significará "um passo adiante em nosso relacionamento entre os sócios do Mercosul".

O chanceler paraguaio, Miguel Abdon Saguier, por sua vez, disse que "a acelerada globalizaçao, a crise financeira internacional e a iminente abertura de uma nova rodada mundial de negociaçoes comerciais" levaram o Mercosul a "aprofundar a integraçao de nossas economias".

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