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Entrevista da semana: Mauro Rosa, professor de Santo André e São Bernardo

Nario Barbosa/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Daniel Macário
Do Diário do Grande ABC

19/11/2018 | 07:00


 Finalista do Prêmio Educador Nota 10, Mauro Rosa, docente das redes municipais de Santo André e São Bernardo, é categórico ao criticar a perda de espaço da disciplina de Artes no currículo acadêmico. Para ele, tal cenário agrava ainda mais a situação do analfabetismo no País. Defensor do protagonismo dos estudantes, ele pede mudanças ao que considera ainda um sistema tradicional de ensino. Na luta por mudar este cenário, Rosa conduziu sua turma da EJA (Educação de Jovens e Adultos) em representação dramática, cujas questões de preconceito, como racismo, homofobia e machismo, foram vivenciadas pelos próprios alunos.

O senhor foi selecionado neste ano como um dos dez finalistas do Prêmio Educador Nota 10, que reconhece professores de todo o País, com um projeto de teatro feito por alunos da EJA (Educação de Jovens e Adultos) de São Bernardo que tratava de preconceito. Como surgiu a ideia deste trabalho?
Essa experiência foi riquíssima. Logo no começo do semestre tivemos algo diferente que foi a chegada de uma aluna transgênero, que já tinha passado por série de exclusões, inclusive educacionais. Esse já era um fato significativo, mas, além dessa situação, tínhamos naquela turma outros relatos de preconceito, como alunos em liberdade assistida, outros estudantes que tinham vivenciado situações de racismo, mulheres vítimas de violência doméstica, entre outros. Com base nisso, a gente não podia ficar imune. Ou seja, precisávamos fazer algo. Foi aí que surgiu a ideia. Partiu da questão do preconceito e trabalhamos isso em linhas gerais. Depois de conversas e pesquisas com professores de diferentes disciplinas, a turma decidiu fazer uma representação dramática elaborando teatro de sombras. O objetivo era colocar luz sobre questões ligadas ao racismo, machismo, homofobia e exclusão de presidiários e ex-presidiários. Daí surgiu o projeto Vagas de Luz – Às Sombras do Preconceito.

O projeto fala da linguagem de dar significado às vivências dos estudantes. Essa abordagem surgiu de que forma?
Isso foi do currículo da própria EJA de São Bernardo. Dessa dimensão humana de tentar buscar os conteúdos que vão ser trabalhados. O que fiz, na realidade, foi reconhecer os atores que dialogavam com ideia que já tinha. Desde que trabalho na Educação Infantil sempre tentei trazer o aluno como sujeito de uma forma dialógica, ou seja, como sujeito protagonista daquilo que ele está apreendendo. Mas só foi possível tirar o projeto do papel quando entrei na EJA. Na época estava sendo implantado o currículo crítico libertador, baseado em Paulo Freire (importante educador, pedagogo e filósofo brasileiro) e, com isso, surgiu a ideia do espetáculo.

Qual foi a reação do público e dos próprios alunos com o resultado da peça?
Além de empoderar os estudantes, que agora têm força para se colocar diante dos preconceitos que os atingem, estimulou a comunidade escolar a refletir e a debater. Foi algo muito gratificante para todos.

Como foi a sua escolha por lecionar na EJA?
A princípio, prestei concurso para o Fundamental 1. Minha ideia era essa, mas acabei sendo direcionado para a EJA. E, na verdade, me apaixonei de tal forma que agora nem me vejo dando aula para outro público. Descobri que é um perfil que gosto de trabalhar. É diferente, pois eles têm uma bagagem, trazem algo para ser discutido em sala de aula diferentemente das crianças que não possuem vivência.

Qual sua avaliação em relação ao sistema de Educação?
Acredito que pedagogicamente é bom. Agora, pensando no histórico que nós temos, em especial no deficit social, não está se dando a atenção necessária. Como informa o próprio Diário sobre a taxa de analfabetismo, que é muito alta (na região são 66 mil pessoas). Nesse sentido precisamos avançar. A própria EJA não tem investimento necessário.

O senhor acredita numa omissão do governo em relação à EJA?
Acho que é uma junção de fatos e entendo a necessidade de investimento na Educação Básica. Quando temos deficit social é necessária atenção especial para esse público. A gente não deveria fechar salas e, sim, investir para que os alunos fiquem nelas. Existem pessoas que necessitam e temos de garantir que elas tenham acesso à escola, o que não tem acontecido em relação a manutenção do serviço e também a divulgação. Mas o problema está em sociedade que não consegue mensurar a necessidade de estar dentro da escola. Por conta da série de crises do País, as pessoas ficam desestimuladas. É neste momento que precisamos incentivar a Educação.

Dar voz aos alunos pode mudar este sistema?
Acredito que o jovem não se sente pertencente ao espaço escolar. Isso dá para observar nas escolas pela própria depredação do espaço. O jovem está dentro de um sistema tradicional de ensino. Os professores não conseguem sair da caixa de trabalho, não trazem o aluno para essa conversa de participação efetiva. Às vezes, vemos algumas iniciativas de um falso protagonismo. Os alunos pensam série de ações que gostariam de fazer e ‘morre’ ali. Não se pegam os pensamentos que estão tentando fazer e se aplicam na escola. Temos que olhar mais para esses jovens e tentar fazer com que eles entendam a necessidade de estudar. O desafio é estimulá-los a participar das decisões da instituição. Fazer como na EJA, levar as temáticas que são importantes para os estudantes para serem trabalhadas na sala de aula.

Na avaliação do senhor, as ocupações de escolas estaduais, no fim de 2015, deixaram algum legado?
Ali a gente teve movimentos muito interessantes de arte, os próprios alunos traziam especialistas e continuaram aprendendo das escolas. Professores relatam que quem participou das atividades mudou como sujeito. Agora, a gente sabe que não foi todo mundo que participou, assim como nem todos passaram por esse momento de reflexão. Então, afirmar que isso mudou a cara do sistema acho que é jogar peso demais no que aconteceu. Também não sei quantos frutos conseguimos colher disso, pois, no fim das contas, continuamos a ver salas de aula sendo fechadas do mesmo jeito.

Qual é a dificuldade para vocês, docentes, colocarem esse protagonismo do jovem em prática?
Acho que existe um engessamento do sistema. Porque não temos flexibilidade para aplicar muitas coisas que a gente vê que pode dar certo em sala de aula. E existe também uma resistência do corpo docente, pois é muito mais fácil um profissional de Educação chegar na escola e aplicar o que está pronto.

Com base no seu projeto premiado, como nasce uma nova forma de ensinar?
Nunca acredito na verticalidade, para mim ela não funciona. Acredito na horizontalidade. A gente precisa ver um trabalho, como esse que fiz, com um grupo que se identifica com determinada coisa. E no nosso caso, em São Bernardo, quando começou essa vivência na construção do currículo existia horizontalidade. Óbvio que ela não acontece da forma ideal, mas, de uma maneira geral, os professores foram protagonistas deste processo. Tivemos série de reuniões, sugerimos a pedagogia que acreditamos, questionamos os alunos que queremos formar, e quais eram nossos objetivos. Acho que tudo parte do diálogo, de uma discussão democrática.

Falta, então, democracia na Educação?
Acredito que sim. A gente fala em gestão democrática, mas não vivemos isso. Para se construir uma Educação precisamos de tempo de gestão. O que costuma acontecer muito na área é que nas trocas de governo existe implantação de um currículo acadêmico diferente e de forma vertical. Isso não é bom. Pois se começa a caminhar dentro de um processo educacional, traça metas e, de repente, vem algo e transforma isso. Não tem continuidade. Nem é possível enxergar se vai colher frutos do plano acadêmico.

Como professor de Artes na rede pública, qual sua avaliação da presença da disciplina no currículo acadêmico?
Hoje tem surgido a questão do multiletramento, que é pensar não apenas no analfabetismo (leitura e escrita). A gente esquece que nossa sociedade não é baseada apenas nisso. Temos a leitura estética, que tem sido deixada de lado. O cidadão é bombardeado na sociedade por imagem e vídeo a todo momento, mas fica um questionamento: Ele sabe fazer leitura disso? Tem essa leitura de mundo? Muitas vezes não. Por isso precisamos trabalhar esse analfabetismo por meio da disciplina de Artes. Porque lá fora no mundo ele vai ser bombardeado por essas imagens e não saberá filtrar. Talvez falte essa devida atenção. Se fala tanto em Português e Matemática, como se fossem os deuses da Educação, mas a gente esquece que o mundo não é apenas esse tipo de leitura. A arte tem poder.

A possível perda de espaço da disciplina de Artes no Ensino Médio sinaliza de alguma forma essa falta de atenção para essas questões?
A gente sabe que existe, sim, um pensamento atrás dessa questão de Artes não ser o foco do sistema. Estou quase para dizer que se eles pudessem tirar do currículo, como sabemos que já está acontecendo, eles tirariam. Porque a arte cutuca, ela incomoda, é crítica. Temos a consciência da cultura de massa e da manipulação que existem sobre isso. Nós não queremos cidadãos que absorvam essas coisas empurradas diariamente.



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Entrevista da semana: Mauro Rosa, professor de Santo André e São Bernardo

Daniel Macário
Do Diário do Grande ABC

19/11/2018 | 07:00


 Finalista do Prêmio Educador Nota 10, Mauro Rosa, docente das redes municipais de Santo André e São Bernardo, é categórico ao criticar a perda de espaço da disciplina de Artes no currículo acadêmico. Para ele, tal cenário agrava ainda mais a situação do analfabetismo no País. Defensor do protagonismo dos estudantes, ele pede mudanças ao que considera ainda um sistema tradicional de ensino. Na luta por mudar este cenário, Rosa conduziu sua turma da EJA (Educação de Jovens e Adultos) em representação dramática, cujas questões de preconceito, como racismo, homofobia e machismo, foram vivenciadas pelos próprios alunos.

O senhor foi selecionado neste ano como um dos dez finalistas do Prêmio Educador Nota 10, que reconhece professores de todo o País, com um projeto de teatro feito por alunos da EJA (Educação de Jovens e Adultos) de São Bernardo que tratava de preconceito. Como surgiu a ideia deste trabalho?
Essa experiência foi riquíssima. Logo no começo do semestre tivemos algo diferente que foi a chegada de uma aluna transgênero, que já tinha passado por série de exclusões, inclusive educacionais. Esse já era um fato significativo, mas, além dessa situação, tínhamos naquela turma outros relatos de preconceito, como alunos em liberdade assistida, outros estudantes que tinham vivenciado situações de racismo, mulheres vítimas de violência doméstica, entre outros. Com base nisso, a gente não podia ficar imune. Ou seja, precisávamos fazer algo. Foi aí que surgiu a ideia. Partiu da questão do preconceito e trabalhamos isso em linhas gerais. Depois de conversas e pesquisas com professores de diferentes disciplinas, a turma decidiu fazer uma representação dramática elaborando teatro de sombras. O objetivo era colocar luz sobre questões ligadas ao racismo, machismo, homofobia e exclusão de presidiários e ex-presidiários. Daí surgiu o projeto Vagas de Luz – Às Sombras do Preconceito.

O projeto fala da linguagem de dar significado às vivências dos estudantes. Essa abordagem surgiu de que forma?
Isso foi do currículo da própria EJA de São Bernardo. Dessa dimensão humana de tentar buscar os conteúdos que vão ser trabalhados. O que fiz, na realidade, foi reconhecer os atores que dialogavam com ideia que já tinha. Desde que trabalho na Educação Infantil sempre tentei trazer o aluno como sujeito de uma forma dialógica, ou seja, como sujeito protagonista daquilo que ele está apreendendo. Mas só foi possível tirar o projeto do papel quando entrei na EJA. Na época estava sendo implantado o currículo crítico libertador, baseado em Paulo Freire (importante educador, pedagogo e filósofo brasileiro) e, com isso, surgiu a ideia do espetáculo.

Qual foi a reação do público e dos próprios alunos com o resultado da peça?
Além de empoderar os estudantes, que agora têm força para se colocar diante dos preconceitos que os atingem, estimulou a comunidade escolar a refletir e a debater. Foi algo muito gratificante para todos.

Como foi a sua escolha por lecionar na EJA?
A princípio, prestei concurso para o Fundamental 1. Minha ideia era essa, mas acabei sendo direcionado para a EJA. E, na verdade, me apaixonei de tal forma que agora nem me vejo dando aula para outro público. Descobri que é um perfil que gosto de trabalhar. É diferente, pois eles têm uma bagagem, trazem algo para ser discutido em sala de aula diferentemente das crianças que não possuem vivência.

Qual sua avaliação em relação ao sistema de Educação?
Acredito que pedagogicamente é bom. Agora, pensando no histórico que nós temos, em especial no deficit social, não está se dando a atenção necessária. Como informa o próprio Diário sobre a taxa de analfabetismo, que é muito alta (na região são 66 mil pessoas). Nesse sentido precisamos avançar. A própria EJA não tem investimento necessário.

O senhor acredita numa omissão do governo em relação à EJA?
Acho que é uma junção de fatos e entendo a necessidade de investimento na Educação Básica. Quando temos deficit social é necessária atenção especial para esse público. A gente não deveria fechar salas e, sim, investir para que os alunos fiquem nelas. Existem pessoas que necessitam e temos de garantir que elas tenham acesso à escola, o que não tem acontecido em relação a manutenção do serviço e também a divulgação. Mas o problema está em sociedade que não consegue mensurar a necessidade de estar dentro da escola. Por conta da série de crises do País, as pessoas ficam desestimuladas. É neste momento que precisamos incentivar a Educação.

Dar voz aos alunos pode mudar este sistema?
Acredito que o jovem não se sente pertencente ao espaço escolar. Isso dá para observar nas escolas pela própria depredação do espaço. O jovem está dentro de um sistema tradicional de ensino. Os professores não conseguem sair da caixa de trabalho, não trazem o aluno para essa conversa de participação efetiva. Às vezes, vemos algumas iniciativas de um falso protagonismo. Os alunos pensam série de ações que gostariam de fazer e ‘morre’ ali. Não se pegam os pensamentos que estão tentando fazer e se aplicam na escola. Temos que olhar mais para esses jovens e tentar fazer com que eles entendam a necessidade de estudar. O desafio é estimulá-los a participar das decisões da instituição. Fazer como na EJA, levar as temáticas que são importantes para os estudantes para serem trabalhadas na sala de aula.

Na avaliação do senhor, as ocupações de escolas estaduais, no fim de 2015, deixaram algum legado?
Ali a gente teve movimentos muito interessantes de arte, os próprios alunos traziam especialistas e continuaram aprendendo das escolas. Professores relatam que quem participou das atividades mudou como sujeito. Agora, a gente sabe que não foi todo mundo que participou, assim como nem todos passaram por esse momento de reflexão. Então, afirmar que isso mudou a cara do sistema acho que é jogar peso demais no que aconteceu. Também não sei quantos frutos conseguimos colher disso, pois, no fim das contas, continuamos a ver salas de aula sendo fechadas do mesmo jeito.

Qual é a dificuldade para vocês, docentes, colocarem esse protagonismo do jovem em prática?
Acho que existe um engessamento do sistema. Porque não temos flexibilidade para aplicar muitas coisas que a gente vê que pode dar certo em sala de aula. E existe também uma resistência do corpo docente, pois é muito mais fácil um profissional de Educação chegar na escola e aplicar o que está pronto.

Com base no seu projeto premiado, como nasce uma nova forma de ensinar?
Nunca acredito na verticalidade, para mim ela não funciona. Acredito na horizontalidade. A gente precisa ver um trabalho, como esse que fiz, com um grupo que se identifica com determinada coisa. E no nosso caso, em São Bernardo, quando começou essa vivência na construção do currículo existia horizontalidade. Óbvio que ela não acontece da forma ideal, mas, de uma maneira geral, os professores foram protagonistas deste processo. Tivemos série de reuniões, sugerimos a pedagogia que acreditamos, questionamos os alunos que queremos formar, e quais eram nossos objetivos. Acho que tudo parte do diálogo, de uma discussão democrática.

Falta, então, democracia na Educação?
Acredito que sim. A gente fala em gestão democrática, mas não vivemos isso. Para se construir uma Educação precisamos de tempo de gestão. O que costuma acontecer muito na área é que nas trocas de governo existe implantação de um currículo acadêmico diferente e de forma vertical. Isso não é bom. Pois se começa a caminhar dentro de um processo educacional, traça metas e, de repente, vem algo e transforma isso. Não tem continuidade. Nem é possível enxergar se vai colher frutos do plano acadêmico.

Como professor de Artes na rede pública, qual sua avaliação da presença da disciplina no currículo acadêmico?
Hoje tem surgido a questão do multiletramento, que é pensar não apenas no analfabetismo (leitura e escrita). A gente esquece que nossa sociedade não é baseada apenas nisso. Temos a leitura estética, que tem sido deixada de lado. O cidadão é bombardeado na sociedade por imagem e vídeo a todo momento, mas fica um questionamento: Ele sabe fazer leitura disso? Tem essa leitura de mundo? Muitas vezes não. Por isso precisamos trabalhar esse analfabetismo por meio da disciplina de Artes. Porque lá fora no mundo ele vai ser bombardeado por essas imagens e não saberá filtrar. Talvez falte essa devida atenção. Se fala tanto em Português e Matemática, como se fossem os deuses da Educação, mas a gente esquece que o mundo não é apenas esse tipo de leitura. A arte tem poder.

A possível perda de espaço da disciplina de Artes no Ensino Médio sinaliza de alguma forma essa falta de atenção para essas questões?
A gente sabe que existe, sim, um pensamento atrás dessa questão de Artes não ser o foco do sistema. Estou quase para dizer que se eles pudessem tirar do currículo, como sabemos que já está acontecendo, eles tirariam. Porque a arte cutuca, ela incomoda, é crítica. Temos a consciência da cultura de massa e da manipulação que existem sobre isso. Nós não queremos cidadãos que absorvam essas coisas empurradas diariamente.

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