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Bancos pequenos sofrem efeitos do PanAmericano



29/11/2010 | 07:17


Os bancos de pequeno e médio porte ainda sofrem os efeitos dos problemas no PanAmericano. Custo de captação mais alto, ações desvalorizadas e preço de títulos de dívida emitidos no Exterior em queda estão entre os indicadores que mostram que a confiança do investidor nesse segmento ainda não foi plenamente restaurada. Especialistas avaliam, no entanto, que será recuperada em breve. Argumentam, sobretudo, que o PanAmericano foi caso isolado.

 "Sem dúvida, há aversão a risco maior no mercado como um todo por causa do choque do PanAmericano", afirma o diretor executivo e de relações com investidores do Banco Daycoval, Morris Dayan, recorrendo a um jargão da área financeira que indica momento de cautela.

 "Os preços deram uma piorada natural, mas acreditamos que, entre duas e quatro semanas, o mercado estará normalizado", completa o presidente da ABBC (Associação Brasileira de Bancos, entidade que reúne instituições de menor porte), Renato Oliva. O impacto mais forte, até o momento, não se deu apenas no custo de captação via CDB (Certificado de Depósito Bancário), como muitos esperavam. Ocorreu também na venda de carteiras de crédito para instituições de maior porte.

Um banqueiro que pediu para não ser identificado explica que, antes do caso PanAmericano, os grandes bancos (como Itaú, Bradesco, Santander e Banco do Brasil) costumavam cobrar CDI (taxa de juros de referência do mercado financeiro) mais 4% ao ano para comprar carteiras de instituições de menor porte. Agora, não o fazem por menos de CDI mais 7,5% ao ano.

Isso porque as investigações do Banco Central para apurar o rombo de R$ 2,5 bilhões no PanAmericano apontam para problemas na contabilização das carteiras de crédito cedidas a outras instituições. Ou seja, o negócio ficou mais arriscado. Se tem mais risco, custa mais caro.

No caso dos CDBs, Oliva, que também preside o Banco Cacique, diz que há uma tentativa de reajuste por parte dos investidores. Na média, afirma, os bancos menores costumavam pagar entre 105% e 107% do CDI para captar dinheiro via CDB. Muitos investidores estão querendo levar para a casa de 110%, mas a aceitação desse valor depende da necessidade de recursos de cada tomador."

Disposição de investidores cai

Outro termômetro que mede a disposição dos investidores em assumir o risco de aplicar nos bancos menores é a taxa de retorno embutida em papéis vendidos por essas instituições no mercado internacional. Nesse quesito, um dos que mais sofreram foi o BMG (especializado em crédito consignado em folha de pagamento).

A taxa de retorno (yield, em inglês) de papéis do banco negociados no Exterior saiu de 7,4% ao ano no fim de outubro para 8,5% logo depois que o rombo do PanAmericano foi anunciado. Quinta-feira, estava em 8,4%. Esses percentuais são definidos com base no preço do papel. Se o preço cai (por demanda menor), o rendimento (fixo, determinado por contrato) aumenta. Se sobe o preço, ocorre o oposto - a remuneração cai.

Por fim, as ações de bancos - não apenas dos pequenos - ainda não se recuperaram do baque do PanAmericano. Entre o início de novembro e sexta-feira, os papéis do Sofisa, por exemplo, perderam 7%. Os do Daycoval, 4,49% e os do Bicbanco, 5,77%. Em igual período, as ações do Itaú se desvalorizaram 3,59%, as do Bradesco, 2,33%, e as do Banco do Brasil, 0,67%



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Bancos pequenos sofrem efeitos do PanAmericano


29/11/2010 | 07:17


Os bancos de pequeno e médio porte ainda sofrem os efeitos dos problemas no PanAmericano. Custo de captação mais alto, ações desvalorizadas e preço de títulos de dívida emitidos no Exterior em queda estão entre os indicadores que mostram que a confiança do investidor nesse segmento ainda não foi plenamente restaurada. Especialistas avaliam, no entanto, que será recuperada em breve. Argumentam, sobretudo, que o PanAmericano foi caso isolado.

 "Sem dúvida, há aversão a risco maior no mercado como um todo por causa do choque do PanAmericano", afirma o diretor executivo e de relações com investidores do Banco Daycoval, Morris Dayan, recorrendo a um jargão da área financeira que indica momento de cautela.

 "Os preços deram uma piorada natural, mas acreditamos que, entre duas e quatro semanas, o mercado estará normalizado", completa o presidente da ABBC (Associação Brasileira de Bancos, entidade que reúne instituições de menor porte), Renato Oliva. O impacto mais forte, até o momento, não se deu apenas no custo de captação via CDB (Certificado de Depósito Bancário), como muitos esperavam. Ocorreu também na venda de carteiras de crédito para instituições de maior porte.

Um banqueiro que pediu para não ser identificado explica que, antes do caso PanAmericano, os grandes bancos (como Itaú, Bradesco, Santander e Banco do Brasil) costumavam cobrar CDI (taxa de juros de referência do mercado financeiro) mais 4% ao ano para comprar carteiras de instituições de menor porte. Agora, não o fazem por menos de CDI mais 7,5% ao ano.

Isso porque as investigações do Banco Central para apurar o rombo de R$ 2,5 bilhões no PanAmericano apontam para problemas na contabilização das carteiras de crédito cedidas a outras instituições. Ou seja, o negócio ficou mais arriscado. Se tem mais risco, custa mais caro.

No caso dos CDBs, Oliva, que também preside o Banco Cacique, diz que há uma tentativa de reajuste por parte dos investidores. Na média, afirma, os bancos menores costumavam pagar entre 105% e 107% do CDI para captar dinheiro via CDB. Muitos investidores estão querendo levar para a casa de 110%, mas a aceitação desse valor depende da necessidade de recursos de cada tomador."

Disposição de investidores cai

Outro termômetro que mede a disposição dos investidores em assumir o risco de aplicar nos bancos menores é a taxa de retorno embutida em papéis vendidos por essas instituições no mercado internacional. Nesse quesito, um dos que mais sofreram foi o BMG (especializado em crédito consignado em folha de pagamento).

A taxa de retorno (yield, em inglês) de papéis do banco negociados no Exterior saiu de 7,4% ao ano no fim de outubro para 8,5% logo depois que o rombo do PanAmericano foi anunciado. Quinta-feira, estava em 8,4%. Esses percentuais são definidos com base no preço do papel. Se o preço cai (por demanda menor), o rendimento (fixo, determinado por contrato) aumenta. Se sobe o preço, ocorre o oposto - a remuneração cai.

Por fim, as ações de bancos - não apenas dos pequenos - ainda não se recuperaram do baque do PanAmericano. Entre o início de novembro e sexta-feira, os papéis do Sofisa, por exemplo, perderam 7%. Os do Daycoval, 4,49% e os do Bicbanco, 5,77%. Em igual período, as ações do Itaú se desvalorizaram 3,59%, as do Bradesco, 2,33%, e as do Banco do Brasil, 0,67%

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