Fechar
Publicidade

Quinta-Feira, 9 de Dezembro

|

Max º Min º
Clima da Região Trânsito Assine Clube do Assinante Diário Virtual Login

politica@dgabc.com.br | 4435-8391

Só porque ele quer


Carlos Brickmann

23/09/2020 | 00:15


É preciso entender o presidente Bolsonaro. Na ONU, ele não mentiu, só disse a verdade como ele a vê. Por exemplo, floresta úmida não pega fogo. Os índios e os caboclos, explorados por comunistas maconheiros do Exterior e ONGs de maconheiros (como cantou seu filho Flávio, “todo maconheiro dá o toba”), forçados a trocar o precioso nióbio amazonense pela maconha à qual se afeiçoaram, jogam guimbas acesas de maconha no mato e pimba! – começa a fogueira. Não é só isso: o índio não entende direito o sotaque de um norueguês comunista. Quando o norueguês pergunta “‘onde terr a fumo da bom?’”, o índio taca fogo no mato e mostra uma enorme fumaceira da boa.
Os US$ 1.000 de auxílio a 65 milhões de carentes? Tá bom, só alguns vão pegar US$ 1.000, isso até dezembro. Para a maior parte dos ajudados, a quantia não chegou a US$ 1.000. Mas, convenhamos, também os carentes não eram 65 milhões – ou eram, um dia talvez saibamos o número certo. Mas só um dos agentes da distribuição de renda, um certo Queiroz, ajudou dona Michele com uns US$ 20 mil à cotação da época, ou R$ 89 mil, talkey?
Propôs na ONU o combate à cristofobia. Cristãos não sofrem de cristofobia. Os islâmicos têm Cristo entre os profetas. Jesus era judeu, Israel cuida dos santuários cristãos. Mas Bolsonaro deve ter pensado no Brasil, onde Jesus é unanimidade. Mas colocar Seus símbolos nos palácios do governo e Sua estátua sobre as milícias do Rio – isto é ou não é perseguição?

É dando que se recebe
Outros pontos criticados do discurso de Bolsonaro também devem ser entendidos a partir de seu ponto de vista. Elogiar publicamente um chefe de outro Estado a poucas semanas da eleição, como fez com Trump, não tem nada a ver com aquele cordão que cada vez aumenta mais. Trump retribui um a um os elogios de Bolsonaro. Lembre-se do I love you. Em troca, Trump reduziu a quantidade de aço brasileiro que pode entrar nos Estados Unidos sem tarifas. Bolsonaro escancarou boa parte do mercado nacional para o álcool de milho dos Estados Unidos. Em troca, Trump elogiou Eduardo Bananinha, que queria virar embaixador em Washington. A Sig-Sauer norte-americana foi trazida ao Brasil por Eduardo, o filho 03. Em troca, o embaixador norte-americano disse que se o Brasil negociar a 5G com os chineses terá problemas com os Estados Unidos.
Não é puxa-saquismo: é, como acredita Bolsonaro, um toma lá dá cá.

A grande dúvida
E não é só Bolsonaro que pensa assim: há uma boa parcela do eleitorado que o chama de “Mito” e está disposta a trabalhar por sua reeleição. Acreditam nele. A dúvida é outra: para raciocinar assim, qual será a cloroquina que Bolsonaro e seus assessores andam tomando?

Chove, chuva
Um bom exemplo de como estão as coisas foi a visita de Bolsonaro ao Pantanal. O ministro-chefe da Secretaria de Governo, general Luiz Ramos, que deixou o comando militar do Sudeste ao ser chamado para o governo, foi iluminado pela verdade: Bolsonaro visitou a região no dia 18, no dia 19 choveu. “Deus está com nosso Pres”, disse no Twitter, “e continuará a abençoar o Brasil, em que pese todas as campanhas contra esse governo!”
Sou caipira. Sei que nos meses com “R” é mais provável que chova, nos meses sem “R” é mais provável que não chova. Estamos em setembro, que tem “R”. O general não tem nada de caipira: é carioca. Mas bem que podia saber, como general, que chover em setembro não é milagre, já que é época de chuva. Milagre seria se do céu viesse o maná, alimentando os mais pobres.

O tempo voa

Luciano Huck finalmente assumiu (mais ou menos). Embora não o tenha dito diretamente, quando lhe perguntaram se participaria da eleição de 2022, respondeu: “Estou aqui”. Huck participava da reunião do Cops (Conselho Político e Social) da Associação Comercial de São Paulo. Mas sua ambição no momento, disse, é “mobilizar, liderar e fomentar uma geração”, de tal maneira que pessoas mais qualificadas e interessadas entrem na política. Seu país dos sonhos é o que consiga o desenvolvimento sustentável, uma nação agroindustrial verde. A seu ver, esse objetivo já atrai investimentos.

Guerra à cultura
O cineasta sudanês Hajooj Kuka e quatro outros artistas foram presos no Sudão, por “causar incômodo público”. Kuka é integrante da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas e seu trabalho é internacionalmente elogiado. O Festival de Berlim (Berlinale) pediu ao Sudão que liberte os artistas. Kuka nasceu no Sudão, estudou no Líbano e nos Estados Unidos; mora no Sudão. Seu filme Beats of the Antonov sobre guerra, música e a resiliência do povo do Nilo Azul e das Montanhas Nuba ganhou o People’s Choice Award no Festival de Toronto em 2014, mais seis outros prêmios em festivais. Seu primeiro filme narrativo de longa-metragem, AKasha, foi financiado pelo Fundo de Cinema da Berlinale e participou do Festival de Veneza de 2018. Em 20 anos, foi o primeiro filme a ser feito no Sudão. 



Quer receber em primeira mão as notícias das sete cidades do Grande ABC?

Entre no nosso grupo de WhatsApp. 
Clique aqui.
 

Comentários

Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.


Copyright © 1995-2017 - Todos direitos reservados

;