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Fórum busca crescimento das micro e pequenas


Leone Farias
Do Diário do Grande ABC

04/10/2003 | 19:10


O empresário de São Bernardo Mauro Miaguti, que ocupa o cargo de diretor do departamento de Competitividade e Tecnologia da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), foi nomeado recentemente para ser representante da federação paulista no Fórum das Micro e Pequenas Empresas, em Brasília, que tem a participação de diversos ministérios (entre eles o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio; das Cidades; do Trabalho; Planejamento; e o Fazenda), e de instituições como Sebrae (Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) nacional, Senai, Simpi, Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, universidades e institutos de pesquisas. Nesse fórum, Miaguti encabeça um grupo de discussões sobre como fazer com que os recursos direcionados à inovação tecnológica cheguem às micro e pequenas empresas. Ele falou ao Diário sobre sua atuação, a importância do tema para o desenvolvimento do país, e o que aquele órgão visa atingir.

Diário – Gostaria que o sr. falasse sobre a finalidade do Fórum das Micro e Pequenas Empresas e qual a importância dessa instituição para as empresas desse porte no país.
Mauro Miaguti – O Fórum tem como objetivo formular propostas para ajudar o crescimento e o desenvolvimento de micro e pequenas empresas. A instituição tem um papel extremamente importante pois é deste Fórum que devem sair todas as propostas e os direcionamentos para que o governo federal planeje os investimentos, elabore os programas, formule propostas, ou seja, direcione para onde quer ir em relação a micro e pequena empresa.

Diário – Como esse órgão pode contribuir para o desenvolvimento das micro e pequenas empresas e como as micro e pequenas podem ser beneficiadas em termos de acesso à inovação tecnológica com o fórum?
Mauro Miaguti – Como disse, o Fórum tem como principal finalidade elaborar propostas e programas que incentivem o desenvolvimento das micro e pequenas empresas. Possui quatro vertentes: inovação tecnológica, crédito, capacitação e aspectos jurídicos. Atualmente estou fazendo um levantamento de todas as atividades e programas de apoio à inovação tecnológica no Brasil pois não temos claramente tudo o que existe, ou o que está dando certo, ou ainda o que precisa de ajuste ou até mesmo o que não funciona e que precisa ser retirado da prateleira. Depois de levantarmos essas informações, aí sim iremos formular uma proposta para ajudar as micro e pequenas empresas na questão da inovação tecnológica. O que ocorre muitas vezes é o governo elaborar propostas que já existem, duplicar programas, dividir esforços e que no final das contas, acaba não chegando no cliente final, neste caso o micro e pequeno empresário. Criamos um grupo só para trabalhar a questão do “extensionismo” ou seja, como fazer para que as informações e os recursos cheguem na ponta. Para isso, dependo das informações das instituições. Estou enviando solicitação a todas as instituições para que mandem para o Ministério (do Desenvolvimento, Indústria e Comércio), para reunir na mesa. Vamos preparar um formato para que se tenha uma prateleira as diferentes soluções tecnológicas disponíveis. Espero receber todas as informações dentro de 30 a 40 dias e espero que todo esse formato já possa estar disponível no início do ano que vem.

Diário – Qual o envolvimento da Fiesp nesse sentido?
Miaguti – Total. Se você for avaliar, nos últimos anos a Federação das Industrias do Estado de São Paulo tem se dedicado a fortalecer os micro, pequenos e médios empresários, nosso slogan transmite muito isto (Ninguém é tão grande que não precise e não tão pequeno que não possa, venha participar da Fiesp) pois sabemos a importância destes empresários no desenvolvimento econômico, na geração de emprego e no desenvolvimento social. O que percebemos é que o empresário no Brasil sofre muito, corre riscos altíssimos devido a instabilidade política e de mercado, investe o próprio capital pois o custo do dinheiro é altíssimo, paga os maiores juros cobrados no planeta, trabalha 12 horas, 15 horas por dia, pois os encargos trabalhistas inviabilizam a contratação, quase não tem final de semana e no final das contas um terço do seu faturamento vai para pagar impostos. O empresário paga muito devido aos encargos tributários e trabalhistas, e o trabalhador recebe pouco devido aos altos impostos incidentes na cadeia produtiva do país.

Diário – Como o sr. avalia o estágio atual das micro e pequenas em termos de inovação tecnológica?
Miaguti – Sinceramente, estamos discutindo este tema hoje para poder ajudar o empresário amanhã, ou seja, em um futuro próximo, até porque este tema (tecnologia) não está na agenda do micro e pequeno empresário. Hoje ele precisa trabalhar muito e a sua lucratividade ainda está muito pequena. O empresário está preocupado com o título que está vencendo, com o salário dos funcionários que precisa ser pago, com o décimo-terceiro do final de ano, com os impostos, com os fornecedores, com os clientes, com a qualidade de seus serviços e produtos, com a produção e muitas outras coisas. Por isso não dá tempo de parar e pensar no que vai acontecer com sua empresa se ele não se preocupar com a inovação tecnológica. Mas sabendo desta importância é que a Fiesp tenta se antecipar, para quando o empresário precisar ter o acesso a esta informação já tê-la disponível. Cansei de pregar a importância do tema sem resultados, agora mudei de estratégia, teremos o produto disponível para quando o empresário precisar.

Diário – E especificamente no Grande ABC?
Miaguti - Especificamente no Grande ABC temos um perfil mais diferenciado. Devido ao pólo industrial instalado na região o tema tecnologia não é tão fora da agenda. Acho que as micro e pequenas empresas instaladas no Grande ABC estão mais preparadas para iniciar uma discussão sobre o tema. Vejo como um ponto básico juntarmos o poder público, a iniciativa privada e as instituições de pesquisas para começarmos a trabalhar em conjunto. Isto sim é o mais difícil, mas não é impossível. Precisamos é falar menos e fazer mais. Nem que seja um projeto menor, mas iniciar de alguma forma.

Diário – O que uma evolução nesse sentido para as micro e pequenas pode trazer para o desenvolvimento da economia.
Miaguti – É um fator de sobrevivência, ou seja, quem não conseguir inovar não sobreviverá no mundo globalizado. Temos de começar a agregar valor ao produto brasileiro, não podemos simplesmente exportar commodities, temos de transformar, aprimorar, inovar.... transformar o aço em máquina, o grão em produto final, agregar design aos produtos e embalagens. O segredo do sucessos das empresas brasileiras está em ter produtos diferenciados, fazer diferente. Como podemos ter um resultado diferente se continuamos fazendo a mesma coisa da mesma forma?



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