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Corte no juro nao afeta empréstimos em moeda estrangeira


Do Diário do Grande ABC

25/06/2000 | 16:40


O corte da taxa de juros básica e seu esperado desdobramento pelo custo de financiamentos em geral nao deverá afetar os empréstimos em moeda estrangeira, como disseram alguns analistas no calor da surpresa provocada na semana passada pelo Comitê de Política Monetária (Copom).

E o motivo é simples: sobram dólares nos cofres dos bancos, nacionais e estrangeiros, seja para operaçoes de financiamento à exportaçao e à importaçao, seja para empréstimos em moeda estrangeira de um ano até quatro anos de prazo. E há demanda também, por causa do prazo maior e do custo menor do que os empréstimos em reais e mesmo do que as captaçoes diretas de empresas no mercado internacional.

"Há oferta, há estoque e o prazo e o custo sao atrativos", diz o diretor de Operaçoes Cambiais do Unibanco, Carlos Cézar Menezes. "Dinheiro para oferecer, os bancos têm; existe disponibilidade, sim", reforça o diretor de Produtos do BankBoston, Luiz Yamazaki.

Os empréstimos em moeda para outras finalidades que nao exportaçao e importaçao custam, em média, 9% ao ano mais a variaçao cambial, para financiamentos de até um ano de prazo, chegando até 11,5% pelo prazo de quatro anos, ficando em 10,5% e 11% para dois e para três anos, respectivamente. A esses juros, os bancos acrescentam de 1% até 3% a título de taxa de risco.

Além dos prazos mais longos do que qualquer empréstimo ou financiamento em reais, exceto os do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), cuja Taxa de Juros de Longo Prazo é, até o final deste mês, de 11% ao ano. Mas as outras categorias de empréstimos e financiamentos de bancos privados e oficiais custam bem mais caro e seu prazo nao vai além de seis meses.

"Para os prazos mais longos, a vantagem ainda é boa nas taxas para as pequenas empresas, que pagam juros de 15% ao ano para o crédito em dólar e 40 ou 50% ao ano em reais", assinala o vice-presidente do Bradesco Antônio Bornia.

"O banco pode pegar dólar e pode repassar a dois ou três anos, e nao faz isso em reais, porque normalmente o dinheiro externo é de prazo mais longo", lembra o executivo, cujo banco, na sexta-feira mesmo anunciava uma captaçao de US$ 150 milhoes em eurobônus, contrariando as análises que davam como moribunda a atratividade das captaçoes em dólar por causa do corte no juro doméstico, enquanto o juro externo suponham que deva subir mais.

Bornia lembrou que, ainda com uma eventual diminuiçao generalizada dos juros internos, deve manter-se a demanda por dólar dos exportadores, cujo faturamento é também em dólar, logo dispoem do que se chama de "hedge" (proteçao, seguro) cambial natural. "Fizemos mais de US$ 500 milhoes em Adiantamentos de Contrato de Câmbio este mês e isso mostra que tem espaço para colocar dinheiro, mesmo que em prazo mais curto, para comércio exterior", sublinha Bornia.



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Corte no juro nao afeta empréstimos em moeda estrangeira

Do Diário do Grande ABC

25/06/2000 | 16:40


O corte da taxa de juros básica e seu esperado desdobramento pelo custo de financiamentos em geral nao deverá afetar os empréstimos em moeda estrangeira, como disseram alguns analistas no calor da surpresa provocada na semana passada pelo Comitê de Política Monetária (Copom).

E o motivo é simples: sobram dólares nos cofres dos bancos, nacionais e estrangeiros, seja para operaçoes de financiamento à exportaçao e à importaçao, seja para empréstimos em moeda estrangeira de um ano até quatro anos de prazo. E há demanda também, por causa do prazo maior e do custo menor do que os empréstimos em reais e mesmo do que as captaçoes diretas de empresas no mercado internacional.

"Há oferta, há estoque e o prazo e o custo sao atrativos", diz o diretor de Operaçoes Cambiais do Unibanco, Carlos Cézar Menezes. "Dinheiro para oferecer, os bancos têm; existe disponibilidade, sim", reforça o diretor de Produtos do BankBoston, Luiz Yamazaki.

Os empréstimos em moeda para outras finalidades que nao exportaçao e importaçao custam, em média, 9% ao ano mais a variaçao cambial, para financiamentos de até um ano de prazo, chegando até 11,5% pelo prazo de quatro anos, ficando em 10,5% e 11% para dois e para três anos, respectivamente. A esses juros, os bancos acrescentam de 1% até 3% a título de taxa de risco.

Além dos prazos mais longos do que qualquer empréstimo ou financiamento em reais, exceto os do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), cuja Taxa de Juros de Longo Prazo é, até o final deste mês, de 11% ao ano. Mas as outras categorias de empréstimos e financiamentos de bancos privados e oficiais custam bem mais caro e seu prazo nao vai além de seis meses.

"Para os prazos mais longos, a vantagem ainda é boa nas taxas para as pequenas empresas, que pagam juros de 15% ao ano para o crédito em dólar e 40 ou 50% ao ano em reais", assinala o vice-presidente do Bradesco Antônio Bornia.

"O banco pode pegar dólar e pode repassar a dois ou três anos, e nao faz isso em reais, porque normalmente o dinheiro externo é de prazo mais longo", lembra o executivo, cujo banco, na sexta-feira mesmo anunciava uma captaçao de US$ 150 milhoes em eurobônus, contrariando as análises que davam como moribunda a atratividade das captaçoes em dólar por causa do corte no juro doméstico, enquanto o juro externo suponham que deva subir mais.

Bornia lembrou que, ainda com uma eventual diminuiçao generalizada dos juros internos, deve manter-se a demanda por dólar dos exportadores, cujo faturamento é também em dólar, logo dispoem do que se chama de "hedge" (proteçao, seguro) cambial natural. "Fizemos mais de US$ 500 milhoes em Adiantamentos de Contrato de Câmbio este mês e isso mostra que tem espaço para colocar dinheiro, mesmo que em prazo mais curto, para comércio exterior", sublinha Bornia.

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