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Ferramentaria pára por dez horas na fábrica da Volks


Eric Fujita
e Hugo Cilo
Do Diário do Grande ABC

22/06/2005 | 08:16


O terceiro dia consecutivo de protestos na produção da Volkswagen, de São Bernardo, parou por dez horas mais de 800 pessoas da ferramentaria, setor considerado não-essencial por estar ligado indiretamente à linha de montagem da montadora. Até agora, as quatro interrupções na fabricação de veículos em junho já comprometeram mais de 11% da produção mensal estimada em 18 mil automóveis na unidade da via Anchieta.

Ao todo, 2.075 carros não foram fabricados durante o movimento, que terá continuidade nesta quarta. Ao contrário desta terça, o alvo deverá ser uma área essencial da fábrica. As manifestações têm por objetivo conseguir 350 novas contratações para a linha do Fox Europa. A empresa informa que não se nega a conversar com membros da comissão de fábrica e do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC (ligado à CUT), mas reafirma que não tem a intenção de aumentar o quadro de funcionários.

Cerca de 250 carros deixaram de ser fabricados nesta terça em resultado da paralisação, de acordo com cálculo da comissão de fábrica. A Volkswagen confirmou perdas, mas não revelou detalhes. Por meio de nota, a direção da montadora diz que “o atual quadro de funcionários está ajustado ao cumprimento dos compromissos, sobretudo com os assumidos com o mercado europeu”. Em relação às paralisações, a Volks afirma que ainda não tem posição definida.

O mal-estar na unidade Anchieta é grande. Após uma longa negociação com a matriz alemã, a filial brasileira conseguiu trazer o modelo Fox Europa para a unidade de São Bernardo no final de 2004, que ganhou novo fôlego para se modernizar com o projeto e, ao mesmo tempo, afastar riscos de demissões. Entretanto, o movimento dos trabalhadores é um forte golpe nas relações entre empresa e o sindicato.

O clima começou a piorar com a reivindicação pública do presidente do sindicato, José Lopez Feijóo, nas comemorações dos 15 milhões de veículos fabricados pela montadora no país, em abril passado. Causou constrangimento porque ocorreu diretamente aos executivos da montadora nas presenças do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do governador Geraldo Alckmin. Hans-Christian Maergner, presidente da Volks, afirmou à época que o quadro de 12,4 mil funcionários em São Bernardo é adequado ao atual volume de produção.

A exemplo dos protestos anteriores, os 450 funcionários do primeiro turno da ferramentaria voltaram para casa antes do horário previsto, às 12h. Em assembléia interna à tarde, os outros 350 operários do mesmo setor e da turma seguinte também resolveram abandonar suas atividades. A ferramentaria é responsável pela produção de instrumentos usados no processo de produção.

O diretor do sindicato e coordenador do Comitê Sindical na Volkswagen, Wagner Santana, afirmou que a escolha de um setor não essencial para paralisação ocorreu desta vez porque a produção já ficou comprometida em movimentos anteriores. “A nossa idéia é atingir todas as áreas, ligadas diretamente ou indiretamente à montagem, para mostrar que a categoria está unida.”

Ele explicou ainda que a seqüência normal de produção está desorganizada, pois alguns setores precisam reter os carros montados parcialmente por falta de peças, acarretadas com a interrupção no trabalho da estamparia. “Assim, os outros setores não recebem esses veículos e causam problemas. Por isso, cercamos a empresa nas áreas estratégicas.”

O membro da comissão de fábrica e do grupo de oposição ao sindicato, Marcelo Donizete Bernardo, o Marcelão, reve-lou que faltaram carrocerias e peças estampadas, terça, durante a montagem. Para ele, a recusa dos funcionários de fazer horas extras pode agravar o problema.



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Ferramentaria pára por dez horas na fábrica da Volks

Eric Fujita
e Hugo Cilo
Do Diário do Grande ABC

22/06/2005 | 08:16


O terceiro dia consecutivo de protestos na produção da Volkswagen, de São Bernardo, parou por dez horas mais de 800 pessoas da ferramentaria, setor considerado não-essencial por estar ligado indiretamente à linha de montagem da montadora. Até agora, as quatro interrupções na fabricação de veículos em junho já comprometeram mais de 11% da produção mensal estimada em 18 mil automóveis na unidade da via Anchieta.

Ao todo, 2.075 carros não foram fabricados durante o movimento, que terá continuidade nesta quarta. Ao contrário desta terça, o alvo deverá ser uma área essencial da fábrica. As manifestações têm por objetivo conseguir 350 novas contratações para a linha do Fox Europa. A empresa informa que não se nega a conversar com membros da comissão de fábrica e do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC (ligado à CUT), mas reafirma que não tem a intenção de aumentar o quadro de funcionários.

Cerca de 250 carros deixaram de ser fabricados nesta terça em resultado da paralisação, de acordo com cálculo da comissão de fábrica. A Volkswagen confirmou perdas, mas não revelou detalhes. Por meio de nota, a direção da montadora diz que “o atual quadro de funcionários está ajustado ao cumprimento dos compromissos, sobretudo com os assumidos com o mercado europeu”. Em relação às paralisações, a Volks afirma que ainda não tem posição definida.

O mal-estar na unidade Anchieta é grande. Após uma longa negociação com a matriz alemã, a filial brasileira conseguiu trazer o modelo Fox Europa para a unidade de São Bernardo no final de 2004, que ganhou novo fôlego para se modernizar com o projeto e, ao mesmo tempo, afastar riscos de demissões. Entretanto, o movimento dos trabalhadores é um forte golpe nas relações entre empresa e o sindicato.

O clima começou a piorar com a reivindicação pública do presidente do sindicato, José Lopez Feijóo, nas comemorações dos 15 milhões de veículos fabricados pela montadora no país, em abril passado. Causou constrangimento porque ocorreu diretamente aos executivos da montadora nas presenças do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do governador Geraldo Alckmin. Hans-Christian Maergner, presidente da Volks, afirmou à época que o quadro de 12,4 mil funcionários em São Bernardo é adequado ao atual volume de produção.

A exemplo dos protestos anteriores, os 450 funcionários do primeiro turno da ferramentaria voltaram para casa antes do horário previsto, às 12h. Em assembléia interna à tarde, os outros 350 operários do mesmo setor e da turma seguinte também resolveram abandonar suas atividades. A ferramentaria é responsável pela produção de instrumentos usados no processo de produção.

O diretor do sindicato e coordenador do Comitê Sindical na Volkswagen, Wagner Santana, afirmou que a escolha de um setor não essencial para paralisação ocorreu desta vez porque a produção já ficou comprometida em movimentos anteriores. “A nossa idéia é atingir todas as áreas, ligadas diretamente ou indiretamente à montagem, para mostrar que a categoria está unida.”

Ele explicou ainda que a seqüência normal de produção está desorganizada, pois alguns setores precisam reter os carros montados parcialmente por falta de peças, acarretadas com a interrupção no trabalho da estamparia. “Assim, os outros setores não recebem esses veículos e causam problemas. Por isso, cercamos a empresa nas áreas estratégicas.”

O membro da comissão de fábrica e do grupo de oposição ao sindicato, Marcelo Donizete Bernardo, o Marcelão, reve-lou que faltaram carrocerias e peças estampadas, terça, durante a montagem. Para ele, a recusa dos funcionários de fazer horas extras pode agravar o problema.

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