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De encher os olhos


Thiago Mariano
Enviado à Chapada Diamantina

02/06/2011 | 07:00


Cercada por imponentes paredões de pedra, cortada por vales, cachoeiras e grutas, a Chapada Diamantina, no centro da Bahia, é um raro destino que agrupa em vasto território - 38 mil km² - paisagens que estão entre as mais lindas do mundo.

A região, conforme descreve o biólogo norte-americano Roy Funch em seu livro Um Guia para a Chapada Diamantina, é como se fosse um bolo de noiva, construído por camadas há mais de 1,5 bilhão de anos, quando a região por vezes abrigava um raso mar ou um seco deserto. Camada sobre camada e, no final, o último bolo tirado da forma sem untar, com rachaduras por todos os lados.

É bem isso o que os olhos veem. Fraturas expostas nas pedras por todos os lados, por cima e abaixo da terra. É interessante observar, também, como as rochas parecem placas de isopor sobrepostas.

Caatinga, cerrado e Mata Atlântica são o recheio. Paisagens desérticas se alternam com um vigoroso lençol verde.

 

NAS CIDADES

O Ciclo do Diamante, que durou cerca de um século e meio, deixou rastros que continuam expostos nos municípios, principalmente em Lençóis. As casinhas históricas, cujas fachadas não podem ser alteradas, revelam hoje comércio variado. Enquanto as fachadas das habitações continuam as mesmas de outros tempos, os interiores são originalmente modificados em estruturas que passeiam ao bel prazer dos proprietários.

Cinquenta e sete municípios compõem a Chapada Diamantina, mas apenas seis fazem parte do Parque Nacional da Chapada, criado em 1985: Lençóis, Palmeiras, Andaraí, Mucugê, Itaetê e Ibicoara.

Considerado o portal de entrada da Chapada, Lençóis oferece a melhor infraestrutura. Tem até aeroporto. Atualmente, os voos chegam de Salvador uma vez por semana, no sábado. A Trip, empresa que faz a viagem, está para colocar voos também às quintas e aos domingos. A cidade promove uma festa de São João e, na última semana de agosto, o Festival de Inverno, que reúne artistas de peso e massa de público na bucólica ladeira principal do município.

O período de junho a agosto é também o melhor para visitar a Chapada, pois é tempo de seca e época ideal para visitar os Poços Azul e Encantado.

As outras cidades, apesar de não apresentarem muitas opções para o viajante, conservam seu charme. Caso de Mucugê, com centro histórico lindo, clima de cidade do interior - Lençóis é mais agitada, cheia de turistas - e direito a cemitério com arquitetura em estilo bizantino, que fica no sopé de um morro. Ou Palmeiras, com o Vale do Capão, vila simpática e simples, cercada por rochas gigantescas.

A gastronomia é diversa. Comida regional, mesmo, pode ser encontrada na casa dos nativos. Muitos produzem e vendem pratos típicos por preços baixos: arroz de garimpeiro, com açafrão e carne seca; godó de banana d'água com bacalhau, malamba (mingau de milho com frango desfiado), carne de sol e palma refogada (tipo de cacto) estão entre as especialidades. O segredo é não se acanhar e perguntar para algum morador onde se pode partilhar uma refeição caseira.

CAMINHO DE PEDRAS

São incontáveis as quantidades de trilhas que se pode percorrer pela Chapada. Por cima, somando os roteiros oficiais, chega-se a 1.500 quilômetros de caminhos, muitos deles longos e com algumas dificuldades, mas nunca intransponíveis.

O segredo é trocar a pressa de chegar logo pelo prazer de estar a caminho. Animais, flores e paisagens deslumbrantes estão onipresentes pelos percursos. Borboletas são tantas que elas passam aos borbotões pelos seus pés, de um lado para o outro da mata fechada que cerca as trilhas.

O jornalista viajou a convite da CVC, Portal Hotel, Luck Adventure e Trip

 

Diamante foi a primeira beleza da Chapada

 

Aos olhos dos homens, os primeiros tesouros da Chapada Diamantina foram seus diamantes. A rara beleza de suas paisagens é descoberta recente. Parte do sucesso deu-se por conta da novela Pedra Sobre Pedra, da Globo, de 1992, cuja trama passava-se lá e fomentou o turismo em toda a região.

Em meados de 1844 deu-se a descoberta oficial de que a região era rica em diamantes. E começou a exploração em massa. Era um tempo em que se matava uma galinha e encontrava-se a valiosa pedra em seu organismo. Ou então, lavando roupa no rio, dava para achar um diamante preso à peça enxaguada.

Na região, as pedras raras vêm de lugares chamados depósitos aluviais. O diamante se forma a até 150 quilômetros abaixo do chão, onde o carbono puro é sujeito à pressão e alta temperatura. Ele sai da terra por meio de uma espécie de vulcão, que serve de elevador e basicamente só pode ser encontrado em antigos vulcões ou em formações rochosas de origem vulcânica que acabaram desgastadas pelo tempo (caso da Chapada).

Os tais depósitos são áreas de cascalho movimentado pelos rios. As pedras da chapada vêm de rochas de mais de 1,5 bilhão de anos que foram vítimas das intempéries e deslocamentos ao longo dos séculos.

Lençóis virou um dos principais pontos da região. Cogitava-se que a cidade poderia ser, no lugar de Salvador, capital da Bahia. O município recebeu consulado francês antes da mais importante cidade baiana. Tecidos e produtos que chegavam de vários países primeiro enfrentavam o caminho das pedras para depois serem distribuídos em Salvador.

Progressivamente as pedras foram escasseando. Antes de 1996, quando foi proibida a exploração agressiva com o uso de dragas, muitas e pesadas máquinas trabalhavam na destruição do solo. Leitos de rios e morros inteiros foram revirados neste processo.

Cidades foram abandonadas após o sumiço dos diamantes. Entre elas, Xique-Xique de Igatu, cujas ruínas de pedra de antigo vilarejo são atração.

 



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De encher os olhos

Thiago Mariano
Enviado à Chapada Diamantina

02/06/2011 | 07:00


Cercada por imponentes paredões de pedra, cortada por vales, cachoeiras e grutas, a Chapada Diamantina, no centro da Bahia, é um raro destino que agrupa em vasto território - 38 mil km² - paisagens que estão entre as mais lindas do mundo.

A região, conforme descreve o biólogo norte-americano Roy Funch em seu livro Um Guia para a Chapada Diamantina, é como se fosse um bolo de noiva, construído por camadas há mais de 1,5 bilhão de anos, quando a região por vezes abrigava um raso mar ou um seco deserto. Camada sobre camada e, no final, o último bolo tirado da forma sem untar, com rachaduras por todos os lados.

É bem isso o que os olhos veem. Fraturas expostas nas pedras por todos os lados, por cima e abaixo da terra. É interessante observar, também, como as rochas parecem placas de isopor sobrepostas.

Caatinga, cerrado e Mata Atlântica são o recheio. Paisagens desérticas se alternam com um vigoroso lençol verde.

 

NAS CIDADES

O Ciclo do Diamante, que durou cerca de um século e meio, deixou rastros que continuam expostos nos municípios, principalmente em Lençóis. As casinhas históricas, cujas fachadas não podem ser alteradas, revelam hoje comércio variado. Enquanto as fachadas das habitações continuam as mesmas de outros tempos, os interiores são originalmente modificados em estruturas que passeiam ao bel prazer dos proprietários.

Cinquenta e sete municípios compõem a Chapada Diamantina, mas apenas seis fazem parte do Parque Nacional da Chapada, criado em 1985: Lençóis, Palmeiras, Andaraí, Mucugê, Itaetê e Ibicoara.

Considerado o portal de entrada da Chapada, Lençóis oferece a melhor infraestrutura. Tem até aeroporto. Atualmente, os voos chegam de Salvador uma vez por semana, no sábado. A Trip, empresa que faz a viagem, está para colocar voos também às quintas e aos domingos. A cidade promove uma festa de São João e, na última semana de agosto, o Festival de Inverno, que reúne artistas de peso e massa de público na bucólica ladeira principal do município.

O período de junho a agosto é também o melhor para visitar a Chapada, pois é tempo de seca e época ideal para visitar os Poços Azul e Encantado.

As outras cidades, apesar de não apresentarem muitas opções para o viajante, conservam seu charme. Caso de Mucugê, com centro histórico lindo, clima de cidade do interior - Lençóis é mais agitada, cheia de turistas - e direito a cemitério com arquitetura em estilo bizantino, que fica no sopé de um morro. Ou Palmeiras, com o Vale do Capão, vila simpática e simples, cercada por rochas gigantescas.

A gastronomia é diversa. Comida regional, mesmo, pode ser encontrada na casa dos nativos. Muitos produzem e vendem pratos típicos por preços baixos: arroz de garimpeiro, com açafrão e carne seca; godó de banana d'água com bacalhau, malamba (mingau de milho com frango desfiado), carne de sol e palma refogada (tipo de cacto) estão entre as especialidades. O segredo é não se acanhar e perguntar para algum morador onde se pode partilhar uma refeição caseira.

CAMINHO DE PEDRAS

São incontáveis as quantidades de trilhas que se pode percorrer pela Chapada. Por cima, somando os roteiros oficiais, chega-se a 1.500 quilômetros de caminhos, muitos deles longos e com algumas dificuldades, mas nunca intransponíveis.

O segredo é trocar a pressa de chegar logo pelo prazer de estar a caminho. Animais, flores e paisagens deslumbrantes estão onipresentes pelos percursos. Borboletas são tantas que elas passam aos borbotões pelos seus pés, de um lado para o outro da mata fechada que cerca as trilhas.

O jornalista viajou a convite da CVC, Portal Hotel, Luck Adventure e Trip

 

Diamante foi a primeira beleza da Chapada

 

Aos olhos dos homens, os primeiros tesouros da Chapada Diamantina foram seus diamantes. A rara beleza de suas paisagens é descoberta recente. Parte do sucesso deu-se por conta da novela Pedra Sobre Pedra, da Globo, de 1992, cuja trama passava-se lá e fomentou o turismo em toda a região.

Em meados de 1844 deu-se a descoberta oficial de que a região era rica em diamantes. E começou a exploração em massa. Era um tempo em que se matava uma galinha e encontrava-se a valiosa pedra em seu organismo. Ou então, lavando roupa no rio, dava para achar um diamante preso à peça enxaguada.

Na região, as pedras raras vêm de lugares chamados depósitos aluviais. O diamante se forma a até 150 quilômetros abaixo do chão, onde o carbono puro é sujeito à pressão e alta temperatura. Ele sai da terra por meio de uma espécie de vulcão, que serve de elevador e basicamente só pode ser encontrado em antigos vulcões ou em formações rochosas de origem vulcânica que acabaram desgastadas pelo tempo (caso da Chapada).

Os tais depósitos são áreas de cascalho movimentado pelos rios. As pedras da chapada vêm de rochas de mais de 1,5 bilhão de anos que foram vítimas das intempéries e deslocamentos ao longo dos séculos.

Lençóis virou um dos principais pontos da região. Cogitava-se que a cidade poderia ser, no lugar de Salvador, capital da Bahia. O município recebeu consulado francês antes da mais importante cidade baiana. Tecidos e produtos que chegavam de vários países primeiro enfrentavam o caminho das pedras para depois serem distribuídos em Salvador.

Progressivamente as pedras foram escasseando. Antes de 1996, quando foi proibida a exploração agressiva com o uso de dragas, muitas e pesadas máquinas trabalhavam na destruição do solo. Leitos de rios e morros inteiros foram revirados neste processo.

Cidades foram abandonadas após o sumiço dos diamantes. Entre elas, Xique-Xique de Igatu, cujas ruínas de pedra de antigo vilarejo são atração.

 

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