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Discurso de premiê japonês gera polêmica


Do Diário do Grande ABC

16/05/2000 | 10:56


O novo primeiro-ministro japonês, Yoshiro Mori, causou polêmica ao evocar a natureza divina do Japao e o papel superior do imperador, conceito que constituiu a base do imperialismo nipônico de meados do século XX.

``O Japao é uma Naçao divina em que o imperador ocupa a posiçao central'', afirmou Mori em um discurso para celebrar o 30º aniversário da criaçao de um grupo de parlamentares de obediência xintoísta.

Estas palavras nao passaram desapercebidas. A imprensa liberal as reproduziu, nesta terça-feira, na primeira página e a oposiçao as denunciou energicamente.

Para o líder do Partido Democrático (centro-esquerda), Yukio Hatoyama, estas afirmaçoes ``sao totalmente contrárias ao espírito da Constituiçao vigente, que estabelece que o poder soberano está nas maos do povo''.

A Constituiçao de novembro de 1946, ditada sob influência dos Estados Unidos depois da derrota japonesa de 1945, limitou de forma drástica a proeminência do imperador, reduzindo sua figura a ``símbolo do Estado'' sem poderes executivos.

Mas na memória de muitos asiáticos, a mera evocaçao do caráter sacro do imperador do Japao lembra o expansionismo realizado em seu nome pelas forças nipônicas durante a primeira metade do século XX. E a declaraçao de Mori simplesmente recordou o credo oficial de pré-guerra, que afirmava a origem divina do imperador do Japao.

O militarismo japonês causou estragos na Asia, especialmente na China e Coréia, países onde o ressentimento é ainda vivo e profundo.

O xintoísmo, uma das grandes crenças do Japao junto com o budismo, foi declarado religiao estatal no século XIX. Nele se considerava o imperador como um deus vivo e foi em seu nome que o Japao conduziu uma política colonizadora na Asia e depois a guerra de 1939-1945 contra os Aliados.

O grupo de parlamentares xintoístas agrupa 230 aderentes, que sao também membros do Partido Liberal Democrata (PLD), que domina a vida política nipônica há 40 anos. Um dos objetivos desse grupo é ``refletir as crenças xintoístas na política nacional''.

Mori reagiu nesta terça-feira à polêmica, afirmando, segundo a agência Kiodo, que suas ``palavras nao contradizem os princípios da Constituiçao'', simplesmente insistem na necessidade para os japoneses de preservar sua cultura.

Para o líder do Partido Comunista, Tetsuzo Fuwa, que se disse surpreso com a declaraçao de Mori, ``o conceito de um `Japao divino' faz crer às pessoas que o Japao é um país particular, autorizado a conquistar o mundo''.

"É um retorno aos anos de pré-guerra'', afirmou o secretário do partido Social Democrata, Sadao Fuchigami.

Para alguns analistas, as declaraçoes de Mori glorificando o xintoísmo pretendem tranqüilizar os membros do PLD contrários à aliança de outono passado com o Komeito, partido apoiado pela poderosa seita budista Soka Gakkai.

O novo primeiro-ministro necessita agrupar forças ante as próximas eleiçoes legislativas antecipadas, que se realizarao provavelmente no dia 25 de junho e que se prenunciam muito delicadas para o Governo.



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