Fechar
Publicidade

Domingo, 8 de Dezembro

|

Max º Min º
Clima da Região Trânsito Assine Clube do Assinante Diário Virtual Login

Economia

soraiapedrozo@dgabc.com.br | 4435-8057

Acisbec critica falta de uniao de empresários


Carlos Mercuri
Da Redaçao

27/05/2000 | 17:10


O aumento da violência urbana tem sido uma das preocupaçoes principais do presidente da Associaçao Comercial e Industrial de Sao Bernardo (Acisbec), Valter Moura, que vê na falta de segurança uma das maiores dificuldades que a regiao enfrenta atualmente.

Para resolver esse problema, Moura defende uma atuaçao conjunta dos sete municípios do Grande ABC e indica como modelo a experiência que vem sendo realizada em Sao Caetano, onde a Prefeitura complementa com recursos próprios o salário dos policiais militares e fornece equipamentos e veículos para a guarniçao do Estado.

Para Moura, o empresariado deve se mobilizar e exigir providências do Poder Público para o problema da segurança e de outros que afetam o empreendedor, como o excesso de burocracia. De retorno de viagem recente à França, o presidente da Acisbec revela,nesta entrevista, as diferenças que percebeu na postura do empresário europeu e no tratamento do governo à classe em comparaçao com o país.

Diário - O sr. esteve na Europa recentemente. O que foi fazer lá e onde esteve?
Valter Moura - Eu estive em Paris, França, onde visitei seis feiras - ou saloes, como eles falam lá. Estive nos saloes do Vinho, do Estudante, do Imóvel, da Criaçao de Empresa, de Franchising e de Turismo. Este último eu queria destacar porque é realizado anualmente e atrai representantes de todos os continentes. Eu estava percorrendo o salao e nao tinha visto nenhum estande do Brasil. De repente vi uma bandeira do Brasil e fui até lá para saber se era o estande de nosso país. De fato era, mas era um estande de nove metros quadrados, que foi idealizado por um rapaz que nao é brasileiro, mas casado com uma brasileira, e montou seu espaço com dinheiro do próprio bolso, sem nenhum apoio da Embratur (Instituto Brasileiro do Turismo), que deveria estar lá, representando o Brasil em um estande digno. Se nao fosse esse casal, o Brasil nao estaria representado na feira.

Diário - Qual a diferença entre o empreendedor europeu e o brasileiro?
Moura - O que eu notei de diferente é que o empresário europeu é mais disciplinado e há uma preocupaçao grande de aprimoramento profissional. As câmaras de comércio e indústria de Paris - que seriam equivalentes às nossas associaçoes comerciais - têm uma preocupaçao grande com a formaçao do empresário, com a capacitaçao, que é feita constantemente, para que haja criaçao de mais empresas que gerem mais empregos. Agora, a nossa vantagem sobre os europeus é que nós somos mais criativos, o que nos dá condiçoes de sair de situaçoes difíceis de que talvez outros nao conseguiriam. Diário - Temos aqui uma alta carga tributária. Isso também ocorre na Europa?
Moura - O principal problema nosso está contido no Custo Brasil. Na Europa, a taxa tributária também é alta. Mas lá os impostos geram benefícios sociais que nao temos aqui. É necessário mudar isso, inclusive a Justiça do Trabalho, que é morosa, injusta e nao beneficia o trabalhador. Diário - As comissoes de conciliaçao prévia sao uma boa idéia?
Moura - Acredito que, com o tempo, essa iniciativa vai ser muito boa. O que é necessário é que se mude de maneira radical o comportamento do Poder Judiciário. No ano passado eu estive também na Europa quando houve uma manifestaçao, em Paris, de empresários contra uma lei que reduzia a jornada de trabalho. Eu nunca vi uma manifestaçao tao bem organizada. Diário - O empresário brasileiro nao tem esse nível de mobilizaçao?
Moura - Infelizmente nao tem. Está faltando, talvez, uma liderança nacional que possa agrupar os empresários nacionais. Está faltando o espírito coletivo, a participaçao do empresário para tentar mudar algumas coisas. Veja o problema da segurança pública. Nao haverá soluçao para isso se nao houver participaçao da classe empresarial, da sociedade civil como um todo. Porque nós estamos vivendo uma guerra civil hoje no Brasil, lamentavelmente. A violência no Grande ABC é muito grande e isso afeta de um modo geral o comércio e a indústria, bem como toda a populaçao. Se os governos nao têm capacidade para solucionar esse problema, que se chame o Exército. Diário - Há algo que os municípios possam fazer para amenizar o problema da segurança?
Moura - Em Sao Caetano, o prefeito Luiz Tortorello tem feito um trabalho muito importante, subsidiando a Polícia Militar, colocando à disposiçao dela equipamentos, veículos, criando diversos postos policiais para atender à populaçao. Esse trabalho é digno dos maiores elogios e deve ser copiado pelas demais cidades da regiao. Diário - O sr. acredita que o empresariado no Grande ABC é ouvido pelo Poder Público?
Moura - Nem sempre. Eu entendo que ele deveria ser ouvido com mais freqüência, deveria haver reunioes mensais dos empresários com o Poder Público para se discutir assuntos comuns, para se tratar dos problemas com seriedade, nao para se fazer lobby. Só que, para que as entidades que representam o empresariado serem realmente representativas, deveria haver uma participaçao maior dos associados.



Comentários

Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.

Acisbec critica falta de uniao de empresários

Carlos Mercuri
Da Redaçao

27/05/2000 | 17:10


O aumento da violência urbana tem sido uma das preocupaçoes principais do presidente da Associaçao Comercial e Industrial de Sao Bernardo (Acisbec), Valter Moura, que vê na falta de segurança uma das maiores dificuldades que a regiao enfrenta atualmente.

Para resolver esse problema, Moura defende uma atuaçao conjunta dos sete municípios do Grande ABC e indica como modelo a experiência que vem sendo realizada em Sao Caetano, onde a Prefeitura complementa com recursos próprios o salário dos policiais militares e fornece equipamentos e veículos para a guarniçao do Estado.

Para Moura, o empresariado deve se mobilizar e exigir providências do Poder Público para o problema da segurança e de outros que afetam o empreendedor, como o excesso de burocracia. De retorno de viagem recente à França, o presidente da Acisbec revela,nesta entrevista, as diferenças que percebeu na postura do empresário europeu e no tratamento do governo à classe em comparaçao com o país.

Diário - O sr. esteve na Europa recentemente. O que foi fazer lá e onde esteve?
Valter Moura - Eu estive em Paris, França, onde visitei seis feiras - ou saloes, como eles falam lá. Estive nos saloes do Vinho, do Estudante, do Imóvel, da Criaçao de Empresa, de Franchising e de Turismo. Este último eu queria destacar porque é realizado anualmente e atrai representantes de todos os continentes. Eu estava percorrendo o salao e nao tinha visto nenhum estande do Brasil. De repente vi uma bandeira do Brasil e fui até lá para saber se era o estande de nosso país. De fato era, mas era um estande de nove metros quadrados, que foi idealizado por um rapaz que nao é brasileiro, mas casado com uma brasileira, e montou seu espaço com dinheiro do próprio bolso, sem nenhum apoio da Embratur (Instituto Brasileiro do Turismo), que deveria estar lá, representando o Brasil em um estande digno. Se nao fosse esse casal, o Brasil nao estaria representado na feira.

Diário - Qual a diferença entre o empreendedor europeu e o brasileiro?
Moura - O que eu notei de diferente é que o empresário europeu é mais disciplinado e há uma preocupaçao grande de aprimoramento profissional. As câmaras de comércio e indústria de Paris - que seriam equivalentes às nossas associaçoes comerciais - têm uma preocupaçao grande com a formaçao do empresário, com a capacitaçao, que é feita constantemente, para que haja criaçao de mais empresas que gerem mais empregos. Agora, a nossa vantagem sobre os europeus é que nós somos mais criativos, o que nos dá condiçoes de sair de situaçoes difíceis de que talvez outros nao conseguiriam. Diário - Temos aqui uma alta carga tributária. Isso também ocorre na Europa?
Moura - O principal problema nosso está contido no Custo Brasil. Na Europa, a taxa tributária também é alta. Mas lá os impostos geram benefícios sociais que nao temos aqui. É necessário mudar isso, inclusive a Justiça do Trabalho, que é morosa, injusta e nao beneficia o trabalhador. Diário - As comissoes de conciliaçao prévia sao uma boa idéia?
Moura - Acredito que, com o tempo, essa iniciativa vai ser muito boa. O que é necessário é que se mude de maneira radical o comportamento do Poder Judiciário. No ano passado eu estive também na Europa quando houve uma manifestaçao, em Paris, de empresários contra uma lei que reduzia a jornada de trabalho. Eu nunca vi uma manifestaçao tao bem organizada. Diário - O empresário brasileiro nao tem esse nível de mobilizaçao?
Moura - Infelizmente nao tem. Está faltando, talvez, uma liderança nacional que possa agrupar os empresários nacionais. Está faltando o espírito coletivo, a participaçao do empresário para tentar mudar algumas coisas. Veja o problema da segurança pública. Nao haverá soluçao para isso se nao houver participaçao da classe empresarial, da sociedade civil como um todo. Porque nós estamos vivendo uma guerra civil hoje no Brasil, lamentavelmente. A violência no Grande ABC é muito grande e isso afeta de um modo geral o comércio e a indústria, bem como toda a populaçao. Se os governos nao têm capacidade para solucionar esse problema, que se chame o Exército. Diário - Há algo que os municípios possam fazer para amenizar o problema da segurança?
Moura - Em Sao Caetano, o prefeito Luiz Tortorello tem feito um trabalho muito importante, subsidiando a Polícia Militar, colocando à disposiçao dela equipamentos, veículos, criando diversos postos policiais para atender à populaçao. Esse trabalho é digno dos maiores elogios e deve ser copiado pelas demais cidades da regiao. Diário - O sr. acredita que o empresariado no Grande ABC é ouvido pelo Poder Público?
Moura - Nem sempre. Eu entendo que ele deveria ser ouvido com mais freqüência, deveria haver reunioes mensais dos empresários com o Poder Público para se discutir assuntos comuns, para se tratar dos problemas com seriedade, nao para se fazer lobby. Só que, para que as entidades que representam o empresariado serem realmente representativas, deveria haver uma participaçao maior dos associados.

Ao acessar você concorda com a nossa Política de Privacidade.


Para continuar, faça o seu login:


  • Aceito receber novidades e ofertas do Diário do Grande ABC e parceiros por
    correio eletrônico, mala direta, SMS ou outros meios de comunicação.


Ou acesse todo o conteúdo de forma ilimitada:

Veja como ter acesso a todo o conteúdo de forma ilimitada:

Copyright © 1995-2017 - Todos direitos reservados

;