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Em liberdade, Rambo tenta recomeçar a vida no Interior


Cadu Proieti
Do Diário do Grande ABC

01/04/2012 | 17:28


Passados 15 anos do caso Naval, o assunto ainda incomoda Josefa Gambra, mãe do ex-policial militar Otávio Lourenço Gambra, o Rambo, condenado pela morte de Mário José Josino após abuso de autoridade em ação policial. “Somos de uma família do bem. Tenho certeza de que não criei um bandido”, disse emocionada à equipe do Diário.

Josefa define o acontecimento como “ ato de infelicidade” que marcou para sempre a vida do filho. “Essa ferida permanece. Em um momento de descontrole, poucos segundos podem mudar o rumo de toda uma vida.”

A mãe de Rambo afirmou ter ficado muito abalada com o acontecido e que não esperava ver o filho na cadeia. “Meu mundo caiu. Não é fácil para uma mãe ter de visitar o filho todos os dias no (presídio militar) Romão Gomes. Foi muito sofrimento.”

O ex-soldado, que atualmente está com 53 anos, foi condenado a 65 de prisão. Conseguiu diminuir para 15, dos quais cumpriu oito em regime fechado. Em 2005, Rambo passou para o regime semiaberto, tendo de se apresentar todas as noites no Presídio Militar Romão Gomes, na Zona Norte da Capital.

Durante esse período, Gambra trabalhou em uma loja de comércio de vidros no bairro Paulicéia, em São Bernardo. Segundo funcionários do estabelecimento, ele se desligou da empresa há cerca de três anos. Depois disso, não tiveram mais notícias dele. Nessa época, Rambo morava no bairro. Os vizinhos afirmam que tinham pouco contato com ele. “Sempre vi entrando e saindo de casa, mas nunca conversamos”, disse um morador, que não quis se identificar.

Atualmente, Rambo está em liberdade. De acordo com Josefa, o filho mora e trabalha em Presidente Venceslau, a 600 quilômetros da Capital. “Está tentando refazer a vida dele lá. Sempre que pode vem me visitar. A família foi o alicerce para ele.” A equipe do Diário não conseguiu localizar o ex-policial.

 

Caso foi divisor de águas para a Polícia Militar do Estado

 

 

A divulgação das imagens da morte de Mário José Josino após disparo do ex-policial militar Otávio Lourenço Gambra, o Rambo, fizeram com que a Polícia Militar do Estado de São Paulo mudasse a forma de atuar nas ruas.

“Foi um grande divisor de águas. A corporação precisou se reinventar. O então governo do Estado (Mário Covas) chegou a pedir a extinção da Polícia Militar”, relembra o comandante-geral, o coronel Alvaro Batista Camilo.

De acordo com Camilo, depois de 1997, ano do ocorrido, a corporação passou a trabalhar com base em três princípios: respeito aos direitos humanos, melhoria da gestão para buscar excelência do trabalho e polícia comunitária que promove a aproximação com o cidadão.

Em 1998, foi criada a Comissão de Direitos Humanos da Polícia Militar, com objetivo de melhorar o perfil de abordagem. “Vimos a necessidade de implemenetar aulas sobre direitos humanos. O respeito à pessoa passou a ser meta”, afirmou o comandante.

Camilo também disse que a tecnologia e utilização de novas armas colaboram para ações menos violentas atualmente. “Começamos a estudar o uso de equipamentos não letais, com exemplos em ações policiais da Europa, Estados Unidos e Japão. Agora, o mais importante é a preservação da vida.”

Para Camilo, é temeroso afirmar que casos como o da Naval não irão se repetir. “Ainda temos alguns casos ruins, mas trabalhamos para diminui-los. São 100 mil homens na corporação, que vieram da sociedade, e é difícil controlar tudo.”

O comandante acredita que, se essas estratégias fossem adotadas anteriormente, o caso Naval poderia ter sido evitado. “Existem técnicas hoje que não tínhamos naquela época. Atualmente consigo ver o posicionamento das viaturas de dentro da minha sala, pelo computador.”

 



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