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Gestões do PT contratam empresa de pivô do 1º escândalo do partido

Ricardo Trida/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Luiz Alberto Rodrigues, da Eicon, recebeu R$ 50 mi;
ele era dono da CPEM, que gerou uma crise em 1997


Junior Carvalho
Fábio Martins
Do Diário do Grande ABC

09/05/2016 | 07:00


O empresário Luiz Alberto Rodrigues, pivô do primeiro escândalo envolvendo o PT no fim da década de 1990, mantém contratos volumosos com prefeituras administradas por petistas, entre elas as de Santo André, São Bernardo e Mauá. Levantamento feito pelo Diário mostra que a Eicon Auditoria e Consultoria Tributária Ltda, com sede na Capital, recebe por acordos milionários com os governos de Carlos Grana (Santo André), Luiz Marinho (São Bernardo) e Donisete Braga (Mauá). A companhia tem Luiz Alberto como sócio majoritário, com R$ 99 mil em participação.

Na década de 1990, outra empresa cujo o executivo era dono, a CPEM Consultoria para Empresas e Municípios Ltda, abalou a cúpula do PT, sobretudo o hoje ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao protagonizar denúncias de tráfico de influência com digitais de dirigentes do partido em benefício da companhia. Na época, Luiz Alberto contratou advogado Dirceu Teixeira para defender a CPEM. Ele é irmão de Roberto Teixeira, advogado e padrinho do filho caçula de Lula.

Das três prefeituras governadas por petistas, a Eicon já recebeu, segundo os Portais da Transparência das administrações, quase R$ 50 milhões para informatizar o sistema tributário municipal e implementar ações de incremento de receitas. Esse total leva em conta a atual gestão, iniciada em 2013, e os quatro primeiros anos de governo de Luiz Marinho, de 2009 a 2012.

Marinho foi o que mais despendeu recursos à Eicon. Afilhado político de Lula e ministro do Trabalho e da Previdência nos dois governos do petista, o prefeito de São Bernardo já depositou, desde 2010, R$ 31,46 milhões nas contas da empresa de Luiz Alberto. Quando a polêmica da CPEM estourou, Marinho era presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e ainda não tinha mandato no campo político-partidário. Atualmente, goza de prestígio no petismo e é o homem-forte de Lula no Grande ABC.

Na sequência do ranking vem o município andreense, que já pagou R$ 11,221 milhões à Eicon. Só no ano passado, a gestão Grana transferiu R$ 3,52 milhões para maximizar a gestão fiscal e dar suporte aos programas tributários da administração. Donisete, desde 2013, destinou R$ 5,95 milhões dos cofres do Paço mauaense também para os mesmos serviços contratados pelos correligionários.

A Eicon também foi contratada por outros prefeitos da região. Chefe do Executivo de São Caetano, Paulo Pinheiro (PMDB) já destinou à companhia R$ 9,15 milhões. Lauro Michels (PV) de Diadema, R$ 4,06 milhões – quase o mesmo valor (R$ 4,17 milhões) pagos pelos ex-prefeitos petistas José de Filippi Júnior (2001 a 2004 e 2005 a 2008) e Mário Reali (2008 a 2012) juntos. Em Ribeirão Pires, a companhia recebeu R$ 410 mil do prefeito Saulo Benevides (PMDB). Somente Gabriel Maranhão (PSDB), de Rio Grande da Serra, cujo o Orçamento é o menor da região, não contratou a firma de Luiz Alberto. Nas seis cidades do Grande ABC, a empresa já lucrou R$ 62,25 milhões só neste mandato.

OUTRO LADO
Questionada, a Prefeitura de Santo André justificou que a contratação da Eicon respeitou processo licitatório e que a empresa “não está impedida de licitar ou ter vínculo com a administração pública”. Também disse que a companhia auxilia com estudos de diversas ações que possibilita o incremento de receita e que a firma auxilia fiscais da Prefeitura.

A Eicon, por sua vez, saiu em defesa da CPEM e de seu sócio, Luiz Alberto. Afirmou que o escândalo já foi “devidamente esclarecido e ganho judicialmente”. “A CPEM foi vitoriosa em todos os processos como é de conhecimento da mídia e do mercado. A empresa prestava serviços em mais de 150 municípios de diversos partidos”, diz a nota da companhia. São Bernardo e Mauá não se manifestaram.

Caso levou Lula a romper com José Eduardo Cardozo

A composição da Eicon tem em seu DNA a CPEM – à época da polêmica sediada em São Bernardo e hoje desativada –, cujo histórico remete ao emblemático caso que levou o ex-presidente Lula a romper com o correligionário e ex-deputado José Eduardo Cardozo, atual ministro-chefe da AGU (Advocacia-Geral da União). O então secretário de Finanças de Campinas, Paulo de Tarso Venceslau, então filiado ao PT, questionou contratos em massa sem licitação assinados por governos petistas com a empresa. A denúncia sugeria suposto caixa dois para a sigla, sob influência do líder petista.

A cidade de Campinas era governada por Jacó Bittar (PT), amigo de Lula. Em relatório, o PT estadual recomendou que o compadre de Lula, Roberto Teixeira, padrinho de Luis Cláudio (filho caçula do ex-presidente), fosse submetido a crivo da comissão de ética da legenda. O caso foi investigado pelo conselho interno formado por Paul Singer, Helio Bicudo – jurista e um dos autores do pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT), em julgamento no Senado – e Cardozo.

O relatório final considerou Roberto Teixeira culpado por intermediar as contratações – seu irmão era advogado da CPEM. Após Roberto recorrer da decisão, o processo entrou para análise do diretório nacional, na ocasião, comandado pelo ex-parlamentar José Dirceu. Nesta instância, ele saiu absolvido. O episódio era considerado o maior escândalo enfrentado pelo petismo até o caso de Mensalão, em 2005.

O hoje comandante da AGU foi alvo recente, por exemplo, de diversas articulações de Lula para tirá-lo do cargo de ministro da Justiça. Pressionado pelo PT, Cardozo deixou o posto em fevereiro.

Lula fritou Cardozo até a sua exoneração. Em discursos inflamados, ele criticava que estava sendo perseguido pela Polícia Federal e Ministério Público no âmbito da Operação Lava Jato. 



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Gestões do PT contratam empresa de pivô do 1º escândalo do partido

Luiz Alberto Rodrigues, da Eicon, recebeu R$ 50 mi;
ele era dono da CPEM, que gerou uma crise em 1997

Junior Carvalho
Fábio Martins
Do Diário do Grande ABC

09/05/2016 | 07:00


O empresário Luiz Alberto Rodrigues, pivô do primeiro escândalo envolvendo o PT no fim da década de 1990, mantém contratos volumosos com prefeituras administradas por petistas, entre elas as de Santo André, São Bernardo e Mauá. Levantamento feito pelo Diário mostra que a Eicon Auditoria e Consultoria Tributária Ltda, com sede na Capital, recebe por acordos milionários com os governos de Carlos Grana (Santo André), Luiz Marinho (São Bernardo) e Donisete Braga (Mauá). A companhia tem Luiz Alberto como sócio majoritário, com R$ 99 mil em participação.

Na década de 1990, outra empresa cujo o executivo era dono, a CPEM Consultoria para Empresas e Municípios Ltda, abalou a cúpula do PT, sobretudo o hoje ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao protagonizar denúncias de tráfico de influência com digitais de dirigentes do partido em benefício da companhia. Na época, Luiz Alberto contratou advogado Dirceu Teixeira para defender a CPEM. Ele é irmão de Roberto Teixeira, advogado e padrinho do filho caçula de Lula.

Das três prefeituras governadas por petistas, a Eicon já recebeu, segundo os Portais da Transparência das administrações, quase R$ 50 milhões para informatizar o sistema tributário municipal e implementar ações de incremento de receitas. Esse total leva em conta a atual gestão, iniciada em 2013, e os quatro primeiros anos de governo de Luiz Marinho, de 2009 a 2012.

Marinho foi o que mais despendeu recursos à Eicon. Afilhado político de Lula e ministro do Trabalho e da Previdência nos dois governos do petista, o prefeito de São Bernardo já depositou, desde 2010, R$ 31,46 milhões nas contas da empresa de Luiz Alberto. Quando a polêmica da CPEM estourou, Marinho era presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e ainda não tinha mandato no campo político-partidário. Atualmente, goza de prestígio no petismo e é o homem-forte de Lula no Grande ABC.

Na sequência do ranking vem o município andreense, que já pagou R$ 11,221 milhões à Eicon. Só no ano passado, a gestão Grana transferiu R$ 3,52 milhões para maximizar a gestão fiscal e dar suporte aos programas tributários da administração. Donisete, desde 2013, destinou R$ 5,95 milhões dos cofres do Paço mauaense também para os mesmos serviços contratados pelos correligionários.

A Eicon também foi contratada por outros prefeitos da região. Chefe do Executivo de São Caetano, Paulo Pinheiro (PMDB) já destinou à companhia R$ 9,15 milhões. Lauro Michels (PV) de Diadema, R$ 4,06 milhões – quase o mesmo valor (R$ 4,17 milhões) pagos pelos ex-prefeitos petistas José de Filippi Júnior (2001 a 2004 e 2005 a 2008) e Mário Reali (2008 a 2012) juntos. Em Ribeirão Pires, a companhia recebeu R$ 410 mil do prefeito Saulo Benevides (PMDB). Somente Gabriel Maranhão (PSDB), de Rio Grande da Serra, cujo o Orçamento é o menor da região, não contratou a firma de Luiz Alberto. Nas seis cidades do Grande ABC, a empresa já lucrou R$ 62,25 milhões só neste mandato.

OUTRO LADO
Questionada, a Prefeitura de Santo André justificou que a contratação da Eicon respeitou processo licitatório e que a empresa “não está impedida de licitar ou ter vínculo com a administração pública”. Também disse que a companhia auxilia com estudos de diversas ações que possibilita o incremento de receita e que a firma auxilia fiscais da Prefeitura.

A Eicon, por sua vez, saiu em defesa da CPEM e de seu sócio, Luiz Alberto. Afirmou que o escândalo já foi “devidamente esclarecido e ganho judicialmente”. “A CPEM foi vitoriosa em todos os processos como é de conhecimento da mídia e do mercado. A empresa prestava serviços em mais de 150 municípios de diversos partidos”, diz a nota da companhia. São Bernardo e Mauá não se manifestaram.

Caso levou Lula a romper com José Eduardo Cardozo

A composição da Eicon tem em seu DNA a CPEM – à época da polêmica sediada em São Bernardo e hoje desativada –, cujo histórico remete ao emblemático caso que levou o ex-presidente Lula a romper com o correligionário e ex-deputado José Eduardo Cardozo, atual ministro-chefe da AGU (Advocacia-Geral da União). O então secretário de Finanças de Campinas, Paulo de Tarso Venceslau, então filiado ao PT, questionou contratos em massa sem licitação assinados por governos petistas com a empresa. A denúncia sugeria suposto caixa dois para a sigla, sob influência do líder petista.

A cidade de Campinas era governada por Jacó Bittar (PT), amigo de Lula. Em relatório, o PT estadual recomendou que o compadre de Lula, Roberto Teixeira, padrinho de Luis Cláudio (filho caçula do ex-presidente), fosse submetido a crivo da comissão de ética da legenda. O caso foi investigado pelo conselho interno formado por Paul Singer, Helio Bicudo – jurista e um dos autores do pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT), em julgamento no Senado – e Cardozo.

O relatório final considerou Roberto Teixeira culpado por intermediar as contratações – seu irmão era advogado da CPEM. Após Roberto recorrer da decisão, o processo entrou para análise do diretório nacional, na ocasião, comandado pelo ex-parlamentar José Dirceu. Nesta instância, ele saiu absolvido. O episódio era considerado o maior escândalo enfrentado pelo petismo até o caso de Mensalão, em 2005.

O hoje comandante da AGU foi alvo recente, por exemplo, de diversas articulações de Lula para tirá-lo do cargo de ministro da Justiça. Pressionado pelo PT, Cardozo deixou o posto em fevereiro.

Lula fritou Cardozo até a sua exoneração. Em discursos inflamados, ele criticava que estava sendo perseguido pela Polícia Federal e Ministério Público no âmbito da Operação Lava Jato. 

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