Desafio de Redação incentiva produção criativa entre moradores

Mesmo após anos longe dos estudos, a moradora de São Bernardo, Andrea Reginei de Araújo Martins, 52 anos, não permitiu que seus sonhos ficassem para trás. A inspetora de alunos do Senac (Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial) foi a grande vencedora da categoria VI (moradores) no 19º Desafio de Redação e conquistou uma bolsa de estudos no Centro Universitário FSA (Fundação Santo André).

Neste ano em que o concurso celebra duas décadas de história, o Diário também abriu espaço para adesão de moradores. Em pouco mais de um mês desde a abertura das inscrições, a categoria já contabiliza 67 participantes.

Para os interessados, a inscrição deve ser feita pelo site do concurso (www.dgabc.com.br/desafioredacao). A participação é exclusiva para moradores de uma das sete cidades da região que tenham ensino médio completo. Na última edição, 178 moradores se inscreveram na iniciativa. 

Segundo o regulamento do Desafio, as redações da categoria VI devem ter entre 1.000 e 3.500 caracteres, contando os espaços, e podem ser escritas em gênero livre, na folha oficial disponibilizada na internet. Para a edição comemorativa, o Diário levanta o debate sobre a dependência tecnológica e leva para o papel o tema O mundo em silêncio digital por um dia. E agora? 

A vencedora da edição passada, Andrea Reginei de Araújo Martins, contou que decidiu participar do concurso como um desafio pessoal. “Fazia muito tempo que não estudava, mas sempre gostei de escrever. Queria descobrir se ainda era capaz”, afirmou. 

Em seu texto, ela abordou a violência doméstica que enfrentou por anos e também o desejo de, no futuro, ajudar outras vítimas. Durante sua trajetória, a moradora de São Bernardo também incentivou os alunos do Senac a participarem do concurso.

Após a vitória, Andrea foi contemplada com uma bolsa de estudos e hoje está cursando RH (Recursos Humanos) na FSA. “Ganhar o prêmio era um sonho bem distante, porque pela situação financeira não tinha grande possibilidade. Sou muito grata ao ‘Diário’, que me ajudou a concretizar um sonho imenso. Não é apenas conquistar um diploma, mas também descobrir que, aos 52 anos, sou capaz de estudar”, comentou. 

Neste ano, o autor da melhor redação também será contemplado com uma bolsa integral para um curso de graduação, presencial ou à distância, oferecido pelo Centro Universitário FSA.

“Essa categoria foi criada na pandemia (de Covid-19). Foi uma iniciativa que partiu dos nossos leitores. Tivemos uma alta demanda de pedidos para participar do concurso literário e enxergamos com bons olhos. Não importa a idade, basta morar na região e gostar de escrever”, disse a coordenadora do projeto Josiana Abrão.

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