O que pode ser uma utopia para muitos, já foi a realidade de um mundo inteiro. Além de trazer a reflexão da dependência tecnológica na atualidade, o tema da 20ª edição do Desafio de Redação do Diário gera um debate entre as diferentes gerações.
Com o gênero livre, o concurso literário deste ano traz a temática O mundo em silêncio digital por um dia. E agora? A conversa com familiares mais velhos pode ser um dos caminhos para os participantes.
A família andreense Scartozzoni é um exemplo das diferenças temporais existentes. A estudante do segundo ano do ensino médio de São Bernardo, Lorena Scartozzoni, 16 anos, participou do último Desafio e agora, ao lado do avô e assinante há 30 anos do jornal, Gilberto Scartozzoni, 73, pôde entender um pouco da vivência antiga, como o funcionamento de uma máquina de escrever, ligações feitas em orelhões e o protagonismo do jornal impresso na divulgação das informações.
Para o aposentado, o mundo digital trouxe benefícios pela praticidade e velocidade. Contudo, ele acredita que as relações se tornaram artificiais por conta da dependência. “Os contatos eram todos pessoais e, vamos dizer, mais profundos que hoje em dia. Vejo que na minha época de garoto a gente conversava mais. Uma coisa que me choca bastante nessa era digital é o bombardeio de informações, às vezes sem querer.”
Para ele, o tema do Desafio deste ano é essencial, justamente, por conta de muitas pessoas passarem horas conectadas e esquecerem do mundo real.
A geração mais nova da família também observa que o uso desenfreado, principalmente das redes sociais, é prejudicial no dia a dia. “Demoraria um tempo para me adaptar sem recurso digital, mas chegaria lá. Mas sei que muitas pessoas da minha idade são totalmente dependentes. Uso bastante também, porque tem hora que vejo que fiquei duas horas no celular, mas tento reduzir, principalmente após descobrir a literatura”, disse Lorena.
A irmã e aluna do sétimo ano, Melissa Scartozzoni, 12, revelou que, apesar de gostar de outras atividades, seria difícil ficar sem celular. “Quando meu avô conta as histórias da época dele, fico impressionada. Acho muito diferente, porque parece que tudo veio tão rápido, assusta bastante”, brincou a jovem.
Neste ano, uma das orientações para os participantes do desafio é conversar com pessoas mais velhas, a fim de compreender como era a vida antes da intensa digitalização e buscar inspiração para a redação.
A socióloga da FMU (Faculdades Metropolitanas Unidas), Daniele Kowalewski, explicou que sempre é importante que os jovens recorram aos mais experientes. Para ela, a opinião digital nem sempre equivale à sabedoria, já a experiência humana oferece prudência, memória, responsabilidade e discernimento.
O advogado e pai das meninas, Fernando Scartozzoni, 47, comentou que aconselha suas filhas a recorrerem aos mais velhos da família. “Elas têm uma bisavó (Rosa Diorio) de 96 anos, que dá muitos conselhos. Tentamos mostrar essa importância e passar para os mais jovens um pouco da experiência que tivemos. O universo digital é muito amplo em coisas boas e ruins, como crimes cibernéticos. E, inclusive, tentamos reduzir o tempo das telas”, disse.
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