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Desalojados planejam voltar ao morro


Fábio Munhoz
Do Diário do Grande ABC

29/01/2011 | 07:11


Mesmo com as casas interditadas pela Defesa Civil, moradores desalojados já planejam retornar para os imóveis nas áreas de risco do Jardim Zaíra. A justificativa é a de que não conseguem arrumar uma casa para alugar com o valor que a Prefeitura dá como auxílio - R$ 300 - e, por isso, voltarão para as residências.

A diarista Roselene Fátima dos Santos, 36 anos, é uma desalojada que decidiu voltar para a casa interditada. Ela reside no morro do Macuco, onde quatro pessoas já morreram vitimadas por deslizamentos de terra desde o dia 4.

"Não consigo alugar outra casa com o valor que a Prefeitura está oferecendo. Além do mais, não posso ficar em abrigo para o resto da vida", avalia. A missão de encarar o perigo será dividida. Roselene levará de volta para casa seus três filhos pequenos. "Eu tenho medo, sim, de que possa acontecer alguma coisa. Mas não tenho escolha. Sem dúvida, é uma decisão difícil", pondera.

Após ter a casa interditada por equipes da Defesa Civil, a diarista foi com a família para o abrigo provisório montado na Escola Municipal Herbert de Souza, localizada próximo ao Macuco. Após a remoção das famílias de lá, Roselene foi levada para a tenda montada na Avenida Joaquim Alves de Oliveira, também no Zaíra.

Segundo a diarista, cerca de dez famílias estão no local, de onde, dizem os desalojados, deverão sair até o dia 10.

Procurada desde as 14h30 de ontem, a Prefeitura não confirmou o prazo para a retirada das famílias nem a quantidade de pessoas que habitam o abrigo.

Outra desalojada decidida a voltar para o morro do Macuco é a dona de casa Maria das Neves Silva, 47. Ela prepara, inclusive, algumas reformas que, na opinião dela, vão aumentar a segurança da família na casa interditada. "Vou mandar colocar uns escoramentos nos muros, para dar mais firmeza", revela.

A presidente da Associação de Moradores do Jardim Zaíra, Heloísa Nachreiner, acredita que, mesmo com o risco, muitos voltarão para o Macuco. "Há mais ou menos dois anos teve um deslizamento feio e o pessoal voltou tudo. A gente sabe que eles acabam voltando", opina.

Ela cobra fiscalização do poder público para evitar as ocupações. "Tem que fiscalizar, como já deveriam ter feito há 20 anos, quando deixaram as famílias construir suas casas", critica.

AUXÍLIO-ALUGUEL
A presidente da associação diz ter se reunido ontem com o prefeito Oswaldo Dias (PT), além de equipes da Defesa Civil e da Secretaria Municipal de Saúde. Segundo Nachreiner, no encontro, Oswaldo teria anunciado aumento no valor do auxílio-aluguel para R$ 350. A Prefeitura foi procurada, mas não confirma se houve o aumento ou se o valor do auxílio continua sendo de R$ 300 por mês.

Famílias do Oratório se recusam a ir para tenda

Cerca de cinco famílias abrigadas de forma improvisada na Associação Amigos do Jardim Oratório rejeitam ser transferidas para a tenda construída no Jardim Zaíra.

"Para o Zaíra nós não vamos. Temos toda nossa vida aqui, nossos filhos estudam aqui. Como vamos fazer? É muito longe", protesta Kelly Cristina Donatelli, que teve a casa destruída em um deslizamento no bairro. A distância entre a sede da associação, na Avenida Ayrton Senna da Silva, e a tenda no Zaíra, é de aproximadamente oito quilômetros.

Ela reclama também da estrutura oferecida pela Prefeitura no alojamento do Zaíra. "Aquilo é uma tenda de lona, imagine o calor que faz de dia e o frio durante a noite. Isso sem contar que não sou cigana para dormir em barraca", protesta.

O presidente da associação, Luiz Carlos Sellan, conta que a entidade chegou a abrigar oito famílias. "Das três que saíram, nenhuma foi para o Zaíra. Elas conseguiram alugar casa com o auxílio-aluguel", revela.

A Prefeitura de Mauá foi procurada durante todo o dia de ontem, mas não informou que destino dará para os desalojados do Jardim Oratório.



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