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Fragilidade humana ganha movimentos


Sara Saar
Do Diário do Grande ABC

10/01/2011 | 07:16


Imagine: um indivíduo recebe a notícia de que perdeu a casa e não tem mais onde viver. O instante da perda - que representa o desalojamento - é mote para o espetáculo de dança contemporânea 'Lugar Algum', concebido e dirigido por Claudia Palma.

Os bailarinos da paulistana In Saio Cia. de Arte levam quatro apresentações à Galeria Olido (Avenida São João, 473, São Paulo. Tel.: 3331-8399), de quinta-feira a sábado, às 20h; e no domingo, às 19h, com entrada franca.

Em referência ao Edifício São Vito, o famoso Treme-Treme, de São Paulo, a diretora questiona a facilidade que o poder público tem para dizer: ‘a partir de amanhã você não possui casa'. "Que poder público é esse que desapropria e, por muitas vezes, não coloca a pessoa em lugar algum", indigna-se. Jogos cênicos, entre solos e conjuntos, evidenciam quem vence e quem perde.

Claudia ainda reconhece que a desalojamento vai além da perda de moradia. "A qualquer momento, você perde a parede, o teto, o chão. Você perde as referências", analisa.

Outro objeto de estudo, para refletir sobre o isolamento, foi o documentário 'Edifício Master' (2002), de Eduardo Coutinho. O filme se passa em prédio homônimo, situado em Copacabana, no Rio, onde os moradores raramente se veem ou sequer sabem da existência do vizinho.

Elementos cenográficos como muros e pedras ainda representam a instabilidade de ora construir, ora destruir. Escolha feita a partir da obra do pintor, escultor e fotógrafo inglês Richard Long - ícone dos anos 1960 que utilizava a natureza como objeto de criação.

O espetáculo não tem abordagem psicológica, mas social e política. "Foi um desafio traduzir assuntos tão concretos a partir da dança contemporânea, que é bastante subjetiva", afirma a coreógrafa.

O reflexo dessas situações de fragilidade é o vazio, o desequilíbrio, a queda. "Não existe uma estrutura rígida nos corpos. Eles se mostram flexíveis, desarticulados", analisa. A montagem foi contemplada no ano passado pela 8ª edição do Programa de Fomento à Dança, da Prefeitura de São Paulo.

OUTRAS OPÇÕES
Conduzido por bailarinos, alguns com deficiência física ou mental, o espetáculo 'Dança de Cadeirantes' terá apresentação única na Estação Brás (Praça Agente Cícero, São Paulo), na quinta-feira, ao meio-dia.

Além de assistir à montagem da Companhia Circo Dança, o público poderá experimentar aula em cadeira de rodas, na qual a coreografia é feita por vivências orientadas ao invés de passos. Gratuito, o evento é organizado pelo Sesc Carmo.

Já o teatro coreográfico 'Pensando Sobre...' estreia na sexta-feira, às 21h30, no Teatro Augusta (Rua Augusta, 943, São Paulo. Tel.: 3151-4141. A montagem retrata histórias do cotidiano ligadas a diversas formas de relacionamento.

Para a diretora Dinah Perry, o enfoque é dado ao amor e ao desamor. "As pessoas também se sentirão questionadas se são felizes com ou sem dinheiro. Levantamos ainda a reflexão sobre as escolhas profissionais e a realização pessoal", afirma.

A coreografia fica em cartaz até 13 de fevereiro, de sexta-feira, às 21h30; sábado, às 21h; e domingo, às 20h. Ingressos custam R$ 30 e podem ser adquiridos na internet (www.ingressorapido.com.br).

Ideologias fascistas no mundo moderno dão o mote ao espetáculo 'Quando o Sol Brilha Mais Forte, a Sombra é Mais Escura', que estreia quarta-feira (dia 19), no Sesc Pinheiros (Rua Paes Leme, 195, São Paulo. Tel.: 3095-9400).

Para refletir como os discursos totalitários são inseridos nas indústrias da moda e da política, a montagem poderá ser vista até o dia 28, de quarta, quinta e sexta-feira, às 21h. Ingressos à venda por R$ 10.

(Colaborou Luciane Mediato/Especial para o Diário)



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