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De passagem


Sara Saar
Do Diário do Grande ABC

20/09/2010 | 07:03


Locais de passagem vão se transformar em pontos de encontro. Sete espetáculos de diferentes estados brasileiros ocupam praças, parques e outros espaços abertos do Grande ABC. Começa amanhã a 1ª Mostra Sesc de Teatro de Rua que leva, até domingo, esta manifestação antiquíssima para quem passa pelos centros urbanos. Todas as atrações têm acesso gratuito.

Na região, Santo André, São Bernardo e Ribeirão Pires serão palcos de múltiplas tendências. "Hoje, existem diferentes formas de usar a rua para o teatro. E a intenção é dar visibilidade. Há desde montagens mais politizadas até peças que usam elementos da cultura popular", exemplifica o animador cultural Thiago Freire, também um dos curadores da mostra.

A proposta da iniciativa é afinada com o grande objetivo do movimento teatro de rua, que ainda tem como características o contato direto com público e o imprevisto. "Queremos colocar o espetáculo como intervenção no espaço urbano que possibilite transformar, por alguns instantes, o olhar de quem transita", esclarece Freire.

Para muitos, a intervenção pode ser um acontecimento singular em virtude da falta ou do pouco contato com o teatro. A iniciativa, que estimula a convivência da diversidade em local público, soa como um chamativo para novas plateias. "Ao olhar o teatro pela primeira vez, a curiosidade pode ser despertada, ainda mais com uma programação intensa como essa", acredita.

AGENDA - O espetáculo de abertura da mostra na região é Cíclopes, encenado pela Grande Companhia Brasileira de Mystérios e Novidades, do Rio. Baseada na obra O Cíclope, de Eurípedes, um dos maiores autores clássicos, a peça se classifica como drama satírico, que ocupa ponto intermediário entre a comédia e a tragédia.

Nas obras, Eurípedes discute sobre os combates que o indivíduo precisa enfrentar contra os monstros que o atormentam, sejam eles de fora ou de dentro. Concepção e direção de Ligia Veiga.

Na sequência, a peça Cirquinho de Pulgas, do grupo Legião de Palhaços, de Santa Catarina, faz o público acreditar que um velho apresentador trabalha com pulgas adestradas. Uma é equilibrista; outra, por ser a mais forte do mundo, comanda o perigoso número da pulga bala; e a terceira faz impressionante mergulho em pequeno tanque. O espetáculo mescla ilusionismo, número de palhaço e animação.

Com direção de Amir Haddad, o Grupo Tá na Rua, também do Rio, garante espaço na programação. A montagem A Alegria do Palhaço é Ver o Circo Pegar Fogo reúne variado repertório de temas desenvolvidos pelo coletivo, como conflitos de classe e intolerância étnica. "Eles têm uma crítica social muito forte. A história do teatro de rua se confunde com a do grupo, que participou das realizações mais fundamentais", analisa o curador.

Outra atividade é o lançamento do livro Teatro de Rua no Brasil: A Primeira Década do Terceiro Milênio, assinado por Licko Turle e Jussara Trindade, resultado de pesquisa sobre a linguagem. Toda a programação pode ser conferida na internet (www.sescsp.org.br).

HISTÓRIA - Difundir a linguagem, que retomou com força nas últimas décadas, é o desafio do projeto de estreia. "Trata-se de uma das manifestações mais antigas da cultura popular. Talvez o teatro de rua tenha surgido na forma de cortejos e rituais gregos. Se não nasceu o teatro propriamente dito, herdou vários elementos", analisa Freire.

A manifestação teve momento de efervescência no Brasil antes de 1960. "É uma linguagem muito popular; se comunica de forma simples e direta. Naquela época, havia também uma efervescência política no País. E o teatro de rua estava ligado à critica social", aponta o animador cultural. De 1960 a 1980, ‘murchou' diante do autoritarismo. Retomou ainda nos anos 1980 e frutificou a partir de 1990, como deve ilustrar a mostra do Sesc São Paulo.

 



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