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Refúgios da máfia


Heloísa Cestari
Do Diário do Grande ABC

29/07/2010 | 07:01


Num canto, o ex-esconderijo de um mafioso vira hotel de charme. No outro, famílias de agricultores colhem uvas para produzir vinho em terras que já pertenceram à Cosa Nostra. Pouco a pouco, os bens confiscados das máfias italianas vão sendo confiados a cooperativas e ONGs encarregadas de desenvolver projetos sociais ou ao menos dar nova vida a regiões outrora consideradas fora da lei.

Um dos lugares mais curiosos é o Terre di Corleone, situado a poucos quilômetros do vilarejo de Corleone, ex-feudo do sanguinário Toto Riina, preso em 1993. No fim de uma minúscula estrada cercada de colinas verdes, o visitante avista o portão da propriedade e um cartaz logo na entrada avisando: "O albergue rural é fruto dos bens confiscados da máfia, além de um financiamento da União Européia". O resultado foi uma hospedaria de charme, com capacidade para 16 pessoas e ótimo restaurante.

Cerca de 20 quilômetros adiante, uma cooperativa administra nos ex-lotes da máfia o vinhedo I Cento Passi - referência ao filme de 2002 que conta a história do jovem siciliano Peppino Impastato, que se rebelou contra a Omertà e acabou assassinado. No tanque metálico de fermentação do vinho, uma faixa azul confirma: "Bem confiscado da máfia".

"Esta vinha, totalmente replantada, prova que podemos produzir com excelência partindo do zero", disse Francesco Galante, da associação Libera, entidade que luta contra a máfia criada pelo padre Don Ciotti e que se especializou na reconversão de bens confiscados. Mas encontram dificuldades: "Criar empregos em terras que antes eram da máfia nos colocou em posição difícil: cometeram atentados contra nós, alguns deles graves, como dois incêndios e dois roubos", conta Galante.

Dentro da lei - A lei italiana autoriza a polícia a confiscar as propriedades da máfia ou de empresários associados a ela com base em simples suspeitas e sem esperar julgamento. Desde 1996, podem também ser "reutilizadas com fins sociais".

O governo Silvio Berlucosni acelerou os confiscos, dando fortes golpes contra grandes máfias do país: Cosa Nostra, da Sicília, Camorra, em Nápoles, e Ndrangheta, na Calábria. O ministro do Interior, Roberto Maroni, utiliza esses confiscos como principal ferramenta na luta contra o crime organizado, registrando 10 bilhões de euros e 15 mil bens (entre edifícios, casas, terrenos, fábricas etc) em dois anos.

Em Palermo, 1.700 imóveis foram confiscados, e foi em um deles que se instalou a DIA (Direção Antimáfia Regional). "Dar golpe no bolso da máfia é tarefa complicada, já que seu patrimônio geralmente é disfarçado por empresas de fachada no Exterior ou no nome de laranjas", explicou Elio Antinoro, chefe da DIA de Palermo.

Esse é o verdadeiro tendão de aquiles dos chefes da máfia. "Seu poder baseia-se em sua capacidade de dar salários a seus cúmplices, suas famílias e, caso estejam presos, de financiar sua defesa legal", afirma o coronel da brigada antimáfia, Rosolino Nasca.

Outro lugar recuperado com a ajuda da Libera foi o centro equestre localizado em terreno que pertenceu à família de Giovanni Brusca, conhecido por ter jogado ácido em um adolescente para castigar o pai dele, que colaborou com a Justiça. O lugar foi batizado simbolicamente com o nome do jovem: Giuseppe di Matteo.

A Libera ajudou também a abrir estabelecimentos comerciais. Um deles, em Palermo, funciona na casa que era de um empresário vinculado à máfia. No local, o cliente pode escolher entre dois tipos de azeite de oliva: um confiscado da Cosa Nostra e outro, da Sacra Corona, máfia de Apúlia. Uma boa forma de azeitar o criminoso passado siciliano! (Com AFP)



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