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Original e novo


Thiago Mariano
Do Diário do Grande ABC

30/06/2010 | 07:05


Contrapontos interessantes são estabelecidos em Macbeth de Aderbal Freire-Filho, em temporada no Sesc Pinheiros até dia 18.

O primeiro e mais importante é entre o clássico e o contemporâneo. A maneira de contar a história se atém ao teatro elisabetano de Shakespeare. Traduzido na unha por Freire-Filho e João Dantas, o texto levado aos palcos brasileiros respeita a profundidade e o valor do original. A encenação, não, está anos luz à frente do que se imagina quando se evoca um texto de época.

Quatro tablados estão dispostos no palco. São neles que são desenvolvidas as ações que contam as histórias de reis e as lutas pelo poder do trono escocês. São o instrumento de poder de quem está em cena, mas não de maneira convencional. O papel mais bonito que eles representam diz respeito às disparidades da condição humana. Em cima deles, há solos dos atores nos maiores momentos de seus personagens, na luta pela ascensão. Abaixo ficam os oprimidos pela batalha desleal de quem deseja subir.

A desconstrução do espaço teatral, exposto nas coxias e mudanças de cenário realizadas pelos próprios atores, é outra quebra que dá vigor às três horas de duração do espetáculo.

Quem brilha em cena é Renata Sorrah, como a malígna Lady Macbeth, o demônio que inferniza o marido para convencê-lo a matar o rei e ocupar o seu lugar. Para uma personagem tão profunda, que morre culpada, faltam cenas para delinear sua força.

Daniel Dantas, como Macbeth, em comparação, tem cenas de sobra, e não acompanha tão bem o personagem como Renata. Seu principal problema está na emissão das palavras, tão valorizadas na recriação da construção poética e originalidade léxica shakesperiana.

O diretor, em coletiva, declarou-se surpreendido com o comentário de dois diretores sobre sua montagem, que disseram que não era o que eles pensavam e esperavam, mas era muito bom. É bem por aí mesmo. Até hoje a sociedade evoluiu, mas não mudou. Macbeth, de Aderbal Freire-Filho, representado com o mesmo poder crítico e lado de construção fortemente humano do velho texto de Shakespeare, e ainda assim encenado de maneira original, é a maior prova disso.



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