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Viagem no Tempo

Paraty se prepara para o aniversário de 343 anos da cidade com quatro dias de shows; Pixote está entre as atrações


Heloísa Cestari
Enviada a Paraty

18/02/2010 | 07:00


Depois de espantar os maus espíritos com os gritos de uga-uga do tradicional Bloco da Lama, Paraty encerrou ontem a folia carnavalesca já de olho em outra grande festa: o aniversário de 343 anos da cidade, dia 28. Para celebrar a data, a prefeitura organizou quatro dias de shows na Praça da Paz, sempre a partir das 22h. A programação prevê apresentações de Kleber Lucas (dia 25), Calcinha Preta (26), Arlindo Cruz (27) e Pixote (28).

A história de Paraty, no entanto, remete a datas bem mais distantes que a da sua emancipação político-administrativa. Documentos históricos apontam que o descobrimento teria ocorrido em 1531. E não demorou muito para o município tornar-se a segunda cidade mais rica do País, atrás apenas do Rio de Janeiro.

A fase de opulência passou, mas deixou como legado um patrimônio ainda mais rico em cultura e atrações para os mais diversos perfis de turista. Para quem gosta de arte, por exemplo, há dezenas de ateliês espalhados pela cidade - igualmente famosa por abrigar dois dos mais importantes eventos de literatura e fotografia do País. Casais apaixonados esbaldam-se com o clima de romance à moda antiga das ruas amareladas pela meia-luz dos lampiões no centro histórico. Quem busca bem-estar encontra infraestrutura farta em hotéis charmosos, restaurantes sofisticados e serviços de spa. Os apreciadores de cachaça, além da Festa da Pinga, inebriam-se com a infinidade de variações da branquinha artesanal produzida nos alambiques da região, única a ter o Selo de Indicação Geográfica de Procedência. E os ecoturistas deparam-se com centenas de cachoeiras em meio à Mata Atlântica. Sem falar no óbvio fascínio que o município exerce sobre historiadores.

Para estes, um passeio com guia pelas ruas do centro histórico revela curiosidades e macetes de engenharia que, por si só, já valem a viagem. A fim de amenizar a sujeira deixada por mulas, cavalos e moradores, as ruas foram construídas para que fossem propositadamente invadidas pela água do mar durante a maré alta. A água literalmente lavava as vias públicas e não chegava a invadir as casas, projetadas de forma que suas entradas se mantivessem em nível superior.

"Hoje, um terço da cidade ainda é alagado nas marés altas das luas Nova e Cheia. A água fica por pouco mais de uma hora e depois recua. Não tem horário certo para isso acontecer. É diferente de Veneza (Itália) porque é temporário e intencional", explicam os guias turísticos, que cobram, em média, R$ 80 por grupo, independentemente de ser um casal ou 20 pessoas.

PATRIMÔNIO - Tombado pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), o local reúne um dos mais bem-preservados casarios coloniais do País. No verão, uma boa pedida é curtir as praias e cachoeiras durante o dia e reservar o fim da tarde para caminhar pelo centro, quando a temperatura fica mais amena.

Comece a viagem no tempo com uma visita à Casa da Cultura, que mantém exposição permanente sobre a história de Paraty. Depois, parta para as igrejas. A de Santa Rita dos Pardos Libertos - cartão-postal por excelência da cidade -, abriga o Museu de Arte Sacra. A de Nossa Senhora das Dores lembra uma capelinha, erguida por mulheres em 1800. E tem ainda a de Nossa Senhora do Rosário, antiga igreja dos escravos - curiosamente, a única com adornos de ouro -, e a da Matriz, destinada à elite branca da época.

O calçamento com pedras pé de moleque, também feito por escravos após a descoberta do ouro, chama a atenção não só pela beleza como pelo medo de se tropeçar. Sapatos de salto, aliás, devem ficar de fora da bagagem de quem visita Paraty. Pode acreditar: por maior que seja a vaidade, você vai suplicar por um par de tênis ou chinelos logo no primeiro minuto de caminhada.

Carros também são proibidos de circular. E não fazem a menor falta. Se não tiver condições de caminhar, opte pelas carruagens, que cobram cerca de R$ 10 por pessoa a cada meia hora de passeio.

Além das correntes que impedem os motoristas incautos de entrar, o centro histórico ganhou recentemente um charme a mais com algumas obras destinadas a reafirmar seu passado: fios elétricos foram escondidos entre os postes e lampiões foram instalados nas ruas para dar aquele ar de novela de época.

Não à toa, tantos folhetins, filmes e minisséries tiveram Paraty como cenário, mesmo que fictício, a exemplo dos longas "A Moreninha" (1971) e "Gabriela" (1983); dos documentários "Leila Para Sempre Diniz" (1987) e "Tiradentes" (1996); e das produções televisivas "O Tempo e o Vento" (1984), "Dona Beija" (1986), "Mulheres de Areia" (1993), "A Muralha" (1999) e "O Quinto dos Infernos" (2002), entre outras.

Mick Jagger, Ney Matogrosso, Tom Jobim, Xuxa e Djavan são alguns dos artistas que já gravaram clipes por lá. Talvez por isso Paraty deixe ao visitante a sensação de estar em uma cidade cenográfica, esquecida no tempo e muito bem lembrada pelo turismo.

A jornalista viajou a convite do Paraty Convention & Visitors Bureau.

Símbolos perdidos da maçonaria

Se o aclamado escritor Dan Brown conhecesse Paraty, provavelmente a escolheria para ambientar algum trecho de sua última trama, O Símbolo Perdido, em que o protagonista Robert Langdon decifra enigmas da maçonaria em grandes monumentos de Washington. Afinal, vestígios da fraternidade não faltam à cidade fluminense.

Para os estudiosos, não é preciso dar muitos passos para identificar detalhes maçônicos nas portas, janelas, fachadas e até no traçado das ruas. O branco e o azul-hortênsia da sociedade secreta, por exemplo, aparecem em várias construções, e estima-se que - assim como se vê ainda hoje no charmoso vilarejo de Óbidos, em Portugal - a maioria das casas paratienses apresentava essas cores no século 18.

Nessa época, a cidade já possuía um arruador, que era a pessoa encarregada de coordenar a construção das casas, ruas e praças. Foi ele o responsável pelo traçado torto das vias públicas e desencontrado das esquinas.

Mas não pense que por falta de competência. Em documentos históricos, o próprios arruador, chamado Antônio Fernandes da Silva, explica que o desenho curvilíneo das ruas tinha o intuito de evitar o vento encanado e distribuir equitativamente o sol nas residências.

Há quem diga, no entanto, tratar-se de uma estratégia de "guerra" para confundir possíveis invasores, especialmente piratas interessados no ouro e pedras preciosas que embarcavam no porto com destino à Europa.

Outro símbolo perdido são os três cunhais (pilares) de pedra lavrada encontrados em algumas esquinas, formando o triângulo maçônico.

As colunas das ruas e a proporção dos vãos nas janelas também tinham a função de indicar ao visitante iniciado na ordem quais as residências pertencentes a maçons - que certamente lhe dariam todo o apoio - e até o grau que cada um ocupava na irmandade.

Até as plantas das casas, feitas na escala 1:33.33, representam o símbolo da ordem filosófica maçônica, cujo grau máximo é o de número 33. Coincidência ou não, Paraty possui 33 quarteirões e, na administração municipal da época, existia o cargo de fiscal de quarteirão, exercido por 33 fiscais. Enigmas para Langdon nenhum botar defeito.



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