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Festival de Veneza consagra favorito 'Líbano'



14/09/2009 | 07:03


O festival foi o mais polêmico dos últimos anos. Com a passagem apoteótica de Hugo Chávez pelo tapete vermelho, a diatribe anticapitalista de Michael Moore, a briga entre a direita que financia e a esquerda que faz os filmes (a propósito do italiano O Grande Sonho, de Michele Placido), não houve espaço para tédio no Festival de Cinema de Veneza.

Por ironia, a premiação foi tranquila - ou quase. Todos esperavam que o israelense Lebanon (Líbano), de Samuel Maoz, levasse o Leão de Ouro, como de fato aconteceu. Ninguém reclamou de injustiça quanto ao prêmio principal.

Ninguém, com exceção de uma jornalista libanesa que, ao final da entrevista coletiva após a premiação, acusou o filme de "propaganda pró-Israel ao ver apenas um lado da questão."

Foi seguida por uma egípcia que também colocou em dúvida a maneira como Maoz havia representado a guerra no Oriente Médio. O diretor defendeu-se: "Procurei mostrar o meu ponto de vista, o único que eu conhecia naquela circunstância."

O filme, forte em sua economia narrativa, é encenado no interior de um tanque de guerra que leva quatro jovens israelenses ao território libanês. O que vemos "de fora" é através da câmera que guia o tanque e dos ruídos que chegam ao interior do veículo.

Em determinado momento, um prisioneiro palestino é introduzido no tanque. Há um diálogo devastador entre ele e um membro da milícia libanesa cristã, aliada dos israelenses. A polêmica remete ao massacre de Sabra e Shatila, responsabilidade dessas milícias cristãs, e tema do badalado e também contestado Valsa Para Bashir.

Líbano é mais um filme destinado à controvérsia, pois mete a colher no campo minado das posições inconciliáveis, das guerras sem solução à vista. Mais ainda porque Maoz, que com ele estreia na direção, é um ex-soldado.

Combateu na primeira guerra do Líbano e agora, no cinema, procura exorcizar lembranças traumáticas

"Quis fazer o espectador experimentar a sensação de pânico que se tem numa situação como essa; revelar o real bruto da guerra, limpo dos clichês com que costuma retratá-la quem não a conhece", disse.

OUTROS PRÊMIOS
Já Leão de Prata, para melhor direção, ficou com a iraniana Shirin Neshat, de Zanan Bedoone Mardan (Mulheres sem Homens). A história recua aos anos 1950 para mostrar que a opressão à mulher iraniana vem dos tempos do Xá, avança pela revolução islâmica de Khomeini e não conhece progressos na era Ahmadinejad.

Já o Prêmio Especial do Júri ficou para um profissional, o alemão de origem turca Fatih Akim, que trouxe ao Lido seu divertido Soul Kitchen, história de um rapaz de família grega que mantém um restaurante charmoso e precisa conservá-lo diante de muitas dificuldades.

O ator britânico Colin Firth foi eleito melhor ator pela formance em A Single Man, em que interpreta professor homossexual deprimido porque perdeu o parceiro.



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