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Sacilotto mestre

Inspirado pelo concretista, andreense Eurico Martin,
81, amigo pessoal de Sacilotto, redescobre pintura


Ângela Corrêa
Do Diário do Grande ABC

08/09/2009 | 07:00


Paralelamente à carreira artística, Luiz Sacilotto (1924-2003) trabalhou como projetista em uma empresa de esquadrias, onde se aposentou em 1977. A partir desse período, pode se dedicar integralmente às suas pinturas, desenhos e esculturas. Trajetória semelhante teve o andreense Eurico Martin, 81 anos, amigo pessoal do concretista. Há 29 anos, também aposentado de uma fábrica, pode dar vazão ao antigo talento para o desenho e a pintura, que demonstrava desenhando heróis de cinema pelas ruas do Ipiranguinha, onde foi criado.

O grande incentivador da retomada foi o próprio Sacilotto. "O Luiz me dizia que eu deveria buscar o meu estilo, sempre", relata o pintor, que, seis anos após a morte do amigo, vive às voltas com a consolidação de sua linguagem.

E Sacilotto era bastante sincero nos comentários sobre os primeiros trabalhos do amigo. "Comecei com figurativos, explorando paisagens, assim como ele próprio. Mas Luiz dizia: ‘para de desenhar casinhas e bananeiras! Isso não dá em nada'. Eu segui o conselho", ri Martin.

Foi também tendo o amigo famoso como cicerone que Martin conheceu os principais museus europeus, incluindo o Louvre, em Paris, e o do Prado, em Madri. "Viajamos para a Europa duas vezes: em 1988 e 1992. Luiz se locomovia com bastante facilidade e nos guiou para todos os lugares", relata o artista.

Nos roteiros, que a dupla percorreu com as respectivas mulheres, Martin consolidou o conhecimento adquirido das muitas leituras e de cursos como o da Escola Panamericana de Artes, que fez por correspondência no fim dos anos 1960. "Até hoje me identifico mais com os modernistas".

Nos quadros que produz e preenchem as paredes de sua casa e a dos filhos, pode-se perceber influências do francês Piet Mondrian (1872-1944) e do norte-americano Jackson Pollock (1912 - 1956), entre outros modernistas. "Só vendi um trabalho até hoje, que fiz porque um colega me pediu. O Luiz brigou, disse que não se faz arte por encomenda", relembra.

Em 1994, depois que Sacilotto sofreu um derrame, a amizade se estreitou ainda mais, em viagens das famílias para Bertioga. "Ele era um lutador, nunca reclamou, nem mesmo quando não conseguia mais trabalhar. Foi uma grande perda para mim quando ele foi embora", emociona-se.



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Sacilotto mestre

Inspirado pelo concretista, andreense Eurico Martin,
81, amigo pessoal de Sacilotto, redescobre pintura

Ângela Corrêa
Do Diário do Grande ABC

08/09/2009 | 07:00


Paralelamente à carreira artística, Luiz Sacilotto (1924-2003) trabalhou como projetista em uma empresa de esquadrias, onde se aposentou em 1977. A partir desse período, pode se dedicar integralmente às suas pinturas, desenhos e esculturas. Trajetória semelhante teve o andreense Eurico Martin, 81 anos, amigo pessoal do concretista. Há 29 anos, também aposentado de uma fábrica, pode dar vazão ao antigo talento para o desenho e a pintura, que demonstrava desenhando heróis de cinema pelas ruas do Ipiranguinha, onde foi criado.

O grande incentivador da retomada foi o próprio Sacilotto. "O Luiz me dizia que eu deveria buscar o meu estilo, sempre", relata o pintor, que, seis anos após a morte do amigo, vive às voltas com a consolidação de sua linguagem.

E Sacilotto era bastante sincero nos comentários sobre os primeiros trabalhos do amigo. "Comecei com figurativos, explorando paisagens, assim como ele próprio. Mas Luiz dizia: ‘para de desenhar casinhas e bananeiras! Isso não dá em nada'. Eu segui o conselho", ri Martin.

Foi também tendo o amigo famoso como cicerone que Martin conheceu os principais museus europeus, incluindo o Louvre, em Paris, e o do Prado, em Madri. "Viajamos para a Europa duas vezes: em 1988 e 1992. Luiz se locomovia com bastante facilidade e nos guiou para todos os lugares", relata o artista.

Nos roteiros, que a dupla percorreu com as respectivas mulheres, Martin consolidou o conhecimento adquirido das muitas leituras e de cursos como o da Escola Panamericana de Artes, que fez por correspondência no fim dos anos 1960. "Até hoje me identifico mais com os modernistas".

Nos quadros que produz e preenchem as paredes de sua casa e a dos filhos, pode-se perceber influências do francês Piet Mondrian (1872-1944) e do norte-americano Jackson Pollock (1912 - 1956), entre outros modernistas. "Só vendi um trabalho até hoje, que fiz porque um colega me pediu. O Luiz brigou, disse que não se faz arte por encomenda", relembra.

Em 1994, depois que Sacilotto sofreu um derrame, a amizade se estreitou ainda mais, em viagens das famílias para Bertioga. "Ele era um lutador, nunca reclamou, nem mesmo quando não conseguia mais trabalhar. Foi uma grande perda para mim quando ele foi embora", emociona-se.

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