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A Amazônia e o aquecimento global


Ciro Abbud Righi
Paulo Maurício Lima

20/07/2009 | 07:00


As florestas tropicais contêm uma parte significativa dos estoques naturais de carbono, elemento essencial para a vida, mas também o principal responsável pelo processo de aquecimento global. Há muitas décadas, a derrubada e a queima dessas florestas transferem carbono para a atmosfera, o que contribui para acelerar a mudança do clima. Apesar disso, ainda há muita incerteza sobre o tamanho dos estoques de carbono associados a essas vegetações e sobre o verdadeiro papel que sua conversão em ambientes modificados tem na mudança climática.

O carbono das florestas está acumulado nas plantas, nos restos vegetais caídos no chão, na matéria orgânica incorporada ao solo e nos animais. Quantificar sua liberação para a atmosfera é um problema complexo e as estimativas apresentam enormes diferenças. Estudos do ecólogo Richard A. Houghton, do Centro de Pesquisas Woods Hole, nos Estados Unidos, estimaram que a expansão das fronteiras agrícolas, em especial nos trópicos úmidos, entre 1850 e 1998, foi responsável pela liberação de 136 bilhões de toneladas de carbono (com margem de erro de mais ou menos 55 bilhões de toneladas), o equivalente a cerca da metade das emissões de carbono ocorridas a partir do uso de combustíveis fósseis e da produção de cimento.

Estimativas são repletas de incertezas

As estimativas dos estoques de carbono por quilômetro quadrado nas florestas variam entre 10 mil e 25 mil toneladas. Cerca de um terço desse volume é lançado na atmosfera quando ocorre corte e queima da vegetação. Assim, para obter uma estimativa mais confiável das emissões, é imprescindível quantificar a biomassa de cada tipo de vegetação existente na floresta. Porém, a variação da vegetação de florestas tropicais é muito grande, o dificulta esse trabalho.

Na determinação das emissões de gases-estufa associadas ao desmatamento e às queimadas existem hoje três tipos de incertezas: primeiro, a estimativa da área total desmatada e dos tipos de uso e cobertura da terra; Segundo, a quantificação dos estoques de carbono na vegetação e no solo nas variadas formações vegetais; e terceiro, o mapeamento da distribuição espacial da biomassa vegetal.

A densidade da madeira, por exemplo, é uma grande fonte de incertezas, porque é ampla a variação entre diferentes locais, entre árvores da mesma espécie e até no mesmo tronco. As estimativas de emissões são tão complexas que cálculos baseados em dados muito semelhantes sobre estoques de carbono podem chegar a resultados bastante diferentes. No Brasil, as dúvidas na determinação da massa vegetal da floresta amazônica são responsáveis por 60% das diferenças nas estimativas de fluxo líquido de carbono na região.

Existem poucos trabalhos sobre a transformação da biomassa florestal pela queima, pois são muito demorados, caros e cansativos. Esses estudos, porém, são fundamentais para determinar o destino, após a queima, do carbono da floresta. Essa avaliação é feita a partir da pesagem da biomassa total de árvores, cipós, palmeiras etc. existentes acima do solo antes e depois do fogo de amostras que representem, da maneira mais fiel possível, as áreas em estudo. Desse modo são estimados a biomassa vegetal original, a formação de carvão e de cinzas e o material vegetal remanescente após a queima, além da eficiência de queima da vegetação (fator que define a fração de carbono liberada em relação à biomassa original).

Saber a quantidade de carbono liberada para a atmosfera no instante da queima e aquela que será liberada lentamente pela decomposição biológica ou por queimas menos intensas é essencial porque isso afeta a proporção dos gases-estufa que serão formados. Os gases liberados na queima inicial, em altas temperaturas, têm maior proporção de CO2. Já na combustão lenta, na forma de brasas, e na decomposição bacteriana são geradas maiores parcelas de metano e de outros compostos, como monóxido de carbono e ozônio.

Além da biomassa vegetal remanescente sobre o solo após a queima, há ainda o estoque representado pelas raízes. Estas não são consideradas nos estudos de eficiência de queima por não estarem expostas diretamente ao fogo, mas ao se decompor serão incorporadas lentamente ao solo ou perdidas na forma de CO2. A massa vegetal abaixo do solo não é desprezada nos modelos, mas sua estimativa é ainda mais incerta, sendo bastante difícil quantificá-la.

Apesar dos esforços dos cientistas no aprimoramento dos cálculos das emissões de gases de efeito estufa decorrentes do desmatamento na Amazônia, as estimativas ainda apresentam alto grau de incerteza. Esforços vêm sendo feitos para reduzir tais incertezas ou ao menos a amplitude das margens de erro das estimativas. Mas apenas estudos com base em informações de campo, que determinem de modo mais confiável a biomassa presente nas diferentes formações e nos solos, e seu destino após a intervenção humana, permitirão avaliar o verdadeiro papel desses ecossistemas nas mudanças climáticas que acontecem no mundo.



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