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Crise corta remessa de lucros e dividendos em 50%



25/06/2009 | 07:00


Em consequência da crise, que provocou redução das vendas e diminuição dos lucros, as empresas estrangeiras cortaram pela metade neste ano a remessa de lucros e dividendos para as sedes no Exterior. Dados do Banco Central divulgados ontem revelam que o volume de transferências feitas por essas companhias caiu 49,8% no acumulado de janeiro e maio na comparação com igual período de 2008, passando de US$ 15,6 bilhões para US$ 7,83 bilhões.

A queda das remessas explica praticamente toda a melhora das contas externas brasileiras em 2009. De janeiro a maio, a conta de transações correntes - indicador que registra as operações do comércio, serviços e rendas com o Exterior - teve déficit US$ 6,61 bilhões. Nos cinco primeiros meses do ano passado, o saldo negativo havia sido de US$ 14,09 bilhões. A redução foi de 53%, ou US$ 7,47 bilhões.

Praticamente toda essa queda foi gerada pela redução das remessas das multinacionais, que deixaram de enviar US$ 7,76 bilhões a suas matrizes. "Sozinhas, as remessas explicam o ajuste do resultado", disse ontem o chefe do departamento econômico do BC, Altamir Lopes.

O BC anunciou ontem nova previsão para o déficit na conta-corrente neste ano, que caiu de US$ 16 bilhões para US$ 15 bilhões. Embora a queda nas remessas tenha influído nessa reestimativa, o fato determinante foram as novas projeções que o BC passou a fazer para a balança comercial. A instituição, que vinha projetando um superávit comercial de US$ 17 bilhões em 2009, aumentou a estimativa para US$ 20 bilhões. A expectativa, porém, não melhorou porque o BC prevê aumento das exportações, mas porque passou a acreditar numa queda ainda maior das importações. Mais uma vez, o motivo é a crise, que reduziu a atividade econômica interna e diminuiu a necessidade das empresas de comprar matérias-primas e produtos intermediários.

A queda das remessas de lucros era esperada pelos especialistas. Além da menor lucratividade, que reduz o valor em reais a ser enviado, o atual patamar do câmbio diminui a vantagem da transação. No ano passado, com o dólar próximo de R$ 1,50, por exemplo, o lucro de uma empresa que somava R$ 1 milhão representava transferência de US$ 660 mil para o Exterior. Hoje, se essa companhia enviar o mesmo valor em reais, a operação em dólares será 25% menor, porque a moeda norte-americana está ao redor de R$ 2.



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Crise corta remessa de lucros e dividendos em 50%


25/06/2009 | 07:00


Em consequência da crise, que provocou redução das vendas e diminuição dos lucros, as empresas estrangeiras cortaram pela metade neste ano a remessa de lucros e dividendos para as sedes no Exterior. Dados do Banco Central divulgados ontem revelam que o volume de transferências feitas por essas companhias caiu 49,8% no acumulado de janeiro e maio na comparação com igual período de 2008, passando de US$ 15,6 bilhões para US$ 7,83 bilhões.

A queda das remessas explica praticamente toda a melhora das contas externas brasileiras em 2009. De janeiro a maio, a conta de transações correntes - indicador que registra as operações do comércio, serviços e rendas com o Exterior - teve déficit US$ 6,61 bilhões. Nos cinco primeiros meses do ano passado, o saldo negativo havia sido de US$ 14,09 bilhões. A redução foi de 53%, ou US$ 7,47 bilhões.

Praticamente toda essa queda foi gerada pela redução das remessas das multinacionais, que deixaram de enviar US$ 7,76 bilhões a suas matrizes. "Sozinhas, as remessas explicam o ajuste do resultado", disse ontem o chefe do departamento econômico do BC, Altamir Lopes.

O BC anunciou ontem nova previsão para o déficit na conta-corrente neste ano, que caiu de US$ 16 bilhões para US$ 15 bilhões. Embora a queda nas remessas tenha influído nessa reestimativa, o fato determinante foram as novas projeções que o BC passou a fazer para a balança comercial. A instituição, que vinha projetando um superávit comercial de US$ 17 bilhões em 2009, aumentou a estimativa para US$ 20 bilhões. A expectativa, porém, não melhorou porque o BC prevê aumento das exportações, mas porque passou a acreditar numa queda ainda maior das importações. Mais uma vez, o motivo é a crise, que reduziu a atividade econômica interna e diminuiu a necessidade das empresas de comprar matérias-primas e produtos intermediários.

A queda das remessas de lucros era esperada pelos especialistas. Além da menor lucratividade, que reduz o valor em reais a ser enviado, o atual patamar do câmbio diminui a vantagem da transação. No ano passado, com o dólar próximo de R$ 1,50, por exemplo, o lucro de uma empresa que somava R$ 1 milhão representava transferência de US$ 660 mil para o Exterior. Hoje, se essa companhia enviar o mesmo valor em reais, a operação em dólares será 25% menor, porque a moeda norte-americana está ao redor de R$ 2.

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