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Pitty promete CD para agosto



15/06/2009 | 07:01


As músicas pesadas ficam. As baladas ganham cores e texturas diversas, enquanto um sabor psicodélico atiça os neurônios. Aos 31 anos, a baiana Pitty decidiu mergulhar no passado para atualizar o futuro. Em agosto, quando desvendará por inteiro seu terceiro disco de inéditas - ainda em produção no estúdio/casa do baterista e ex-namorado Duda Machado -, a cantora testará mais uma vez a popularidade com seu público

Desde janeiro deste ano, a rotina do maior nome feminino do rock nacional é a mesma. Shows no fim de semana e 12 horas diárias de experimentos, rabiscos e discussões durante a semana no aconchegante espaço no centro de São Paulo que a cantora chama de factory. "Enquanto gravo uma voz, o Martin (guitarrista) cozinha, o Spencer (videodesigner) alimenta e edita nosso site, alguém pinta uma tela. Montamos um espaço criativo onde as ideias são fomentadas a todo momento", fala Pitty.

Cantora e banda ficaram quatro anos sem gravar um álbum de inéditas. Para voltar a escrever, Pitty tirou o pó dos inúmeros cadernos de anotação espalhados pelos cantos e juntou a eles um dicionário, livros de filosofia, psicologia e história da arte. "Tive um bloqueio no início, fiquei angustiada. Não me conformava em fazer o mesmo ou pior. Tinha de ser tudo muito melhor."

Os assuntos escolhidos para a nova empreitada não diferem muito daqueles já apresentados em seus dois primeiros álbuns de estúdio (Admirável Chip Novo, de 2003, e Anacrônico, de 2005). Segundo ela, "uma investigação sobre o ser humano como um todo".

Musicalmente, entretanto, o disco (ainda sem nome definido) apostará na infusão de músicas "para dançar", baladas psicodélicas com suspiros de Portishead e Velvet Underground, experimentalismo e o peso habitual de suas composições passadas.

Para quem a conhece de outros tempos, Pitty parece muito mais relaxada e certa daquilo que está fazendo. Uma atitude que justifica essa mudança é o ensaio sensual que publicou recentemente em seu site (www.pitty.com.br), onde posa de pin-up. "Minha prioridade era mostrar o som e a banda. Agora que isso já está estabelecido, é claro que dá para relaxar mais e usufruir a feminilidade. Amo arte erótica, mas aqui (no Brasil) as pessoas costumam só olhar se o peito está em pé ou se a barriga está boa. Tento canalizar esse tipo de trabalho para lugares nos quais as pessoas encaram como uma forma artística."

Quando questionada sobre os formatos utilizados para o futuro lançamento, a baiana, que hoje namora o baterista do NX Zero, Daniel Weskler, agita-se ao falar do vinil. Além de ganhar a plataforma "anacrônica" pela primeira vez, o CD será disponibilizado também digitalmente e para celulares. Nos shows recentes, quatro músicas têm sido apresentadas para o público: Medo, Água Parada, Rato na Roda e Pra Onde Ir. "É uma forma de testar e decidir quais entram no novo álbum", diz Martin, quebrando o silêncio.

Se o novo disco vai agradar aos fãs daquela Pitty que estourou na MTV em meados desta década, a artista não sabe nem quer prever nada: "Não acredito que você possa fazer arte de uma maneira tão racional. Fazer arte pensando em que lugar ela tem que ocupar no imaginário das pessoas ou no mercado é publicidade, não é música."



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