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Lucro líquido de empresas cai 29,5%



18/05/2009 | 07:00


Contrariando os resultados positivos das empresas da região, o lucro líquido dos empreendimentos com ações negociadas na Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) desabou no primeiro trimestre.

Levantamento da empresa de informações financeiras Economática, com base no desempenho de 149 companhias que já apresentaram balanço, aponta queda de 29,5% no ganho líquido dos três primeiros meses de 2009, quando comparado com o de igual período de 2008.

De acordo com Fernando Exel, presidente da Economática, boa parte da queda no lucro é explicada pelo aumento de 126,3% nas despesas financeiras líquidas, que saltou de R$ 1,826 bilhão no primeiro trimestre de 2008 para R$ 4,133 bilhões agora.

Parte do aumento da despesa financeira se deve ao fato de que a dívida bruta dessas empresas somou R$ 264,956 bilhões no fim do primeiro trimestre deste ano, contra R$ 183,172 bilhões em 31 de março de 2008, o que representou aumento de 44,6%.

Para Exel, cerca de metade dos R$ 91,783 bilhões que foram contabilizados a mais na dívida dessas empresas neste ano podem ser creditados aos efeitos da valorização do dólar frente ao real. Em 12 meses, a contar a partir de abril de 2008, o dólar teve valorização de 32%.

Como a maior parte das empresas abertas tem dívidas em moeda estrangeira, a alta do dólar fez o endividamento em reais ficar maior, ampliando a base de incidência dos juros. A outra fatia do crescimento da dívida, segundo o presidente da Economática, seria referente a compromissos novos.

"A euforia do período de ouro que vimos nos últimos cinco anos já ficou para trás", comentou Exel, referindo-se à vigorosa onda de crescimento mundial que turbinou a rentabilidade das empresas brasileiras.

Despesa operacional - O lucro líquido consolidado das de todas as companhias analisadas somou R$ 7,330 bilhões, ante R$ 10,390 bilhões no primeiro trimestre de 2008. A queda no lucro também foi influenciada pelo aumento das despesas operacionais.

Isso fez o lucro da operação desse grupo de empresas cair 4,9%, embora a receita líquida tenha apresentado crescimento de 10,5%. "Essa medida, que pode ser considerada uma espécie de prima distante do PIB (Produto Interno Bruto), é o que mostra a real atividade da companhia", diz Exel.

Segundo ele, são muitos os fatores que podem explicar o aumento das despesas operacionais, variando de empresa para empresa. Entre eles, ele cita a dependência de insumos importados e a redução de margem de comercialização como forma de aproximar mais das metas estabelecidas para as vendas.



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