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Aprender a ler amplia renda em 10%

Estudo realizado pela FGV aponta que adulto analfabeto que resolve ir à escola melhora condição de vida


Leone Farias
Do Diário do Grande ABC

26/04/2009 | 07:10


Quem não teve oportunidade de ir à escola quando criança e decidiu voltar a estudar tem boa chance de fazer sua renda dar um salto. É o que aponta pesquisa realizada pela FGV (Fundação Getulio Vargas).

O estudo, que toma como base a Pesquisa Mensal de Emprego do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), mostra que adultos analfabetos que aprendem a ler conseguem ampliar em torno de 10% o valor recebido.

Segundo os pesquisadores Maúna Soares de Baldini Rocha e Vladimir Ponczek, o retorno financeiro é ainda maior no caso de mulheres (gira em 17%) e quanto mais velho for o indivíduo. Para pessoas de 46 a 60 anos, o incremento é de 15%. Se forem trabalhadoras dessa faixa etária, chega a 25%.

Outro estudo da FGV, de 2008, e que utilizou como referência a PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) do IBGE, já ia em direção semelhante. Por essa análise, a diferença de rendimentos entre uma pessoa sem qualquer ano de estudo com a de um trabalhador com apenas um ano de escolaridade é de 6,88%.

Essa relação entre salário e instrução pode parecer evidente, mas a alfabetização é um degrau importante para o mercado de trabalho e para a inserção na sociedade, na avaliação da professora de Economia da USCS (Universidade Municipal de São Caetano) Marlene Laviola. "Para pessoas analfabetas os obstáculos são muito grandes, elas têm dificuldade de se deslocar sozinhas pela cidade e têm mais chance de serem enganadas", explicou.

Ainda segundo a economista, esse passo inicial "abre portas e a possibilidade de novos conhecimentos, já que a pessoa passa a ter condições de ler, de entrar em contato com informações e de dominar a própria vida".

E as oportunidades atualmente estão mais abertas a adultos que voltam à escola. O gerente regional da consultoria de RH Gelre, Pedro Scigliano, afirmou que há uma tendência de valorização, pelas empresas, de pessoas mais velhas, "maduras", consideradas com mais estabilidade emocional e mais comprometimento. "Se ainda por cima, a pessoa se predispõe a estudar, isso vai fazer a diferença", afirmou.

NA REGIÃO - Polo industrial e importante mercado consumidor do País, o Grande ABC ainda reúne pessoas que não passaram pelos bancos escolares e que podem dar um salto para uma condição melhor de renda e de inserção social.

No entanto, o percentual de analfabetos tem caído na região. Pesquisa socioeconômica realizada pela USCS - e que se refere apenas a Santo André, São Bernardo e São Caetano - mostra evolução nos últimos dez anos.

Em 1999, os analfabetos significavam 1,7% da população com mais de 18 anos das três cidades, percentual que sobe para 4,8% se forem agregados os que dizem compreender as palavras mas nunca foram à escola. Em agosto de 2008, esses dois grupos somados eram 1,7%, ou estimadas 20 mil pessoas.

Pelos últimos dados disponíveis do Ministério da Educação, em 2000, eram 90 mil que não sabiam ler nos sete municípios.

Empreendedor dá ‘volta por cima' com estudo

Para o microempresário Reginaldo Gomes da Silva, 33 anos, aprender a ler significou "dar a volta por cima".

Nascido em Pedra Branca (CE), Silva veio para Diadema com 17 anos sem ter passado por uma escola. Arrumou emprego sem admitir aos patrões que não sabia ler e, ao longo dos anos, passou de ajudante a encarregado. Até que soube que passaria para o departamento financeiro e revelou sua falta de instrução.

Silva saiu da empresa e ficou mais de um ano desempregado. Até que resolveu se alfabetizar. Tinha 31 anos. "Em seis meses, já sabia assinar um cheque", contou, orgulhoso. Hoje, tem uma pequena empresa de construção. "Agora, sei ler um contrato. E o estudo ajudou a abrir a minha mente", acrescentou.

A influência da família também foi decisiva para Luzia de Fátima Oliveira, 50, que hoje tem um salão de beleza em Mauá.

Ela citou que, quando seus filhos eram pequenos, eles pediam ajuda para fazer as lições. Apesar de ter frequentado escola, Luzia não sabia juntar as letras e resolveu começar da 1ª série, em 1977. Há quatro anos, concluiu o colegial. "Voltei a trabalhar e consegui montar o salão", afirmou.



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