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Identidade regional depende de despoluição visual


Vanessa Fajardo
Do Diário do Grande ABC

11/03/2009 | 07:00


A identidade da região depende de projetos que permitam a despoluição visual, a exemplo do que ocorreu em São Paulo com o Cidade Limpa, na visão de especialistas da área.

O emaranhado de fios elétricos e postes misturados ao excesso de publicidade, além de confundir o morador e poluir a paisagem urbana, pode esconder peças-chaves da história dos municípios.

"Preservar a memória da cidade não é só fazer tombamentos, é permitir que o cidadão reconheça aquilo como elemento importante. É fundamental para o afetivo das pessoas reconhecer algo que faz parte do seu cotidiano", explica o professor da Universidade São Judas e mestre em Direito Urbanístico, Fernando Bruno.

Urbanistas apontam a criação de leis mais eficazes - que disciplinem a veiculação de propagandas ao ar livre - como primeiro passo para resolver o problema no Grande ABC. As normas, no entanto, devem vir seguidas de um trabalho de controle e fiscalização - hoje inexistente. Caso contrário, elas se tornam inócuas. "Nos shoppings centers e condomínios comerciais as pessoas cumprem regras e não há placas monstruosas. Nas ruas, sem sistema de fiscalização há tanta propaganda e informação que as pessoas não veem nada", diz a doutora em arquitetura, Silvia Helena Passarelli. Como exemplo, Silvia cita a ligação entre a Rua Itambé e a Avenida Industrial, no Centro de Santo André. "Tem tanta informação que eu duvido que alguém perceba alguma."

A questão vai além de uma preocupação estética ou patrimonial. A arquiteta e professora da UFABC (Universidade Federal do ABC), Rosana Denaldi, lembra que em alguns pontos da região, a poluição visual é tamanha, que a sinalização de trânsito é engolida pela publicidade.

Com leis em vigor e fiscalização séria, a terceira frente de trabalho por uma paisagem urbana mais limpa, apontada pelos especialistas, seria investir em trabalhos de conscientização e educação ambiental.

"As ações humanas criam efeitos revertidos contra nós mesmos. A quantidade de propaganda nas ruas é uma representação clara da nossa forma de vida nas cidades, pois estimula o consumo", afirma o arquiteto e professor da Metodista, Carlos Henrique Andrade de Oliveira. Ele explica, ainda, que o efeito desta ‘descarga' é um caso de Saúde Pública, pois o excesso de propaganda atinge o bem-estar dos moradores e provoca o estresse.

EXAGERO - Até quem trabalha com comunicação admite que o observado na paisagem urbana do Grande ABC beira o exagero. "Por isso, é interessante que o poder público normatize a propaganda ao ar livre para que não se torne proibida, como na Capital", diz o diretor de Comunicação da Universidade Metodista, Paulo Rogério Tarsitano. Ele explica que os canais de comunicação ao ar livre são importantes tanto no aspecto publicitário quanto no econômico, mas é preciso haver equilíbrio.



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Identidade regional depende de despoluição visual

Vanessa Fajardo
Do Diário do Grande ABC

11/03/2009 | 07:00


A identidade da região depende de projetos que permitam a despoluição visual, a exemplo do que ocorreu em São Paulo com o Cidade Limpa, na visão de especialistas da área.

O emaranhado de fios elétricos e postes misturados ao excesso de publicidade, além de confundir o morador e poluir a paisagem urbana, pode esconder peças-chaves da história dos municípios.

"Preservar a memória da cidade não é só fazer tombamentos, é permitir que o cidadão reconheça aquilo como elemento importante. É fundamental para o afetivo das pessoas reconhecer algo que faz parte do seu cotidiano", explica o professor da Universidade São Judas e mestre em Direito Urbanístico, Fernando Bruno.

Urbanistas apontam a criação de leis mais eficazes - que disciplinem a veiculação de propagandas ao ar livre - como primeiro passo para resolver o problema no Grande ABC. As normas, no entanto, devem vir seguidas de um trabalho de controle e fiscalização - hoje inexistente. Caso contrário, elas se tornam inócuas. "Nos shoppings centers e condomínios comerciais as pessoas cumprem regras e não há placas monstruosas. Nas ruas, sem sistema de fiscalização há tanta propaganda e informação que as pessoas não veem nada", diz a doutora em arquitetura, Silvia Helena Passarelli. Como exemplo, Silvia cita a ligação entre a Rua Itambé e a Avenida Industrial, no Centro de Santo André. "Tem tanta informação que eu duvido que alguém perceba alguma."

A questão vai além de uma preocupação estética ou patrimonial. A arquiteta e professora da UFABC (Universidade Federal do ABC), Rosana Denaldi, lembra que em alguns pontos da região, a poluição visual é tamanha, que a sinalização de trânsito é engolida pela publicidade.

Com leis em vigor e fiscalização séria, a terceira frente de trabalho por uma paisagem urbana mais limpa, apontada pelos especialistas, seria investir em trabalhos de conscientização e educação ambiental.

"As ações humanas criam efeitos revertidos contra nós mesmos. A quantidade de propaganda nas ruas é uma representação clara da nossa forma de vida nas cidades, pois estimula o consumo", afirma o arquiteto e professor da Metodista, Carlos Henrique Andrade de Oliveira. Ele explica, ainda, que o efeito desta ‘descarga' é um caso de Saúde Pública, pois o excesso de propaganda atinge o bem-estar dos moradores e provoca o estresse.

EXAGERO - Até quem trabalha com comunicação admite que o observado na paisagem urbana do Grande ABC beira o exagero. "Por isso, é interessante que o poder público normatize a propaganda ao ar livre para que não se torne proibida, como na Capital", diz o diretor de Comunicação da Universidade Metodista, Paulo Rogério Tarsitano. Ele explica que os canais de comunicação ao ar livre são importantes tanto no aspecto publicitário quanto no econômico, mas é preciso haver equilíbrio.

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