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Sobe dependência do
Bolsa Família na região

Hoje, 71.297 benefícios são concedidos para núcleos com
renda per capita de até R$ 140; alta registrada é de 142,5%


Natália Fernandjes
Do Diário do Grande ABC

18/03/2013 | 07:00


O número de famílias beneficiadas pelo programa federal Bolsa Família no Grande ABC teve alta de 142,5% em nove anos. Enquanto em 2004 29.393 famílias com renda per capita de até R$140 recebiam o benefício, em fevereiro eram 71.297. Na região, cerca de 250 mil pessoas vivem na pobreza.

Nos sete municípios houve ampliação no número de contemplados. Em São Bernardo, por exemplo, o atendimento quase que triplicou, passando de 7.301 famílias, em 2004, para as atuais 21.396. A cidade é a que detém maior quantidade de moradores inseridos no programa. Diadema é o segundo município com maior número de famílias que recebem o Bolsa Família: 16.763, seguida por Santo André, com 14.204 e Mauá, com 11.284. Em Ribeirão Pires são 3.901, em Rio Grande da Serra, 2.613, e em São Caetano, 1.136.

O aumento do número de famílias beneficiadas não significa, entretanto, elevação da situação de pobreza na região. Segundo a coordenadora do curso de Serviço Social da Anhanguera Anchieta, Glauciane Monserrati, a elevação é positiva já que demonstra esforços por parte do poder público para identificar pessoas em risco social e incluí-las em programas sociais.

A partir de 2011 o governo instituiu a chamada busca ativa, que prevê o envio de equipes da assistência social aos locais onde vivem os mais pobres para cadastrá-los. O valor recebido varia de R$ 32 a R$ 306. "A transferência de renda é um direito do cidadão com objetivo de melhorar sua condição", explica Glauciane.

Além da baixa renda, famílias em situação de vulnerabilidade vivem em condições inadequadas de saneamento e têm acesso precário a água e energia, além de estarem afastadas de programas culturais e esportivos.

A família da catadora Mileide Aguiar, 32 anos, recebe, desde 2009, R$ 166 por mês do Bolsa Família para os três filhos - Larissa, 13, Aidan, 11, e Kauê, 9. O valor complementa a renda familiar de cerca de R$ 700. "Ajuda muito porque compro o gás e pago a conta de luz." A moradora do Sítio dos Vianas, em Santo André, ficou sem receber o benefício durante um mês, quando o caçula teve crise de asma. "Esqueci de levar atestado na escola."

No caso da faxineira Marluce Martins, 37, o auxílio garante R$198 mensais, que se somam aos R$ 550 de salário. O valor é utilizado para comprar roupas e lanche para os cinco filhos da moradora do Jardim Zaíra, em Mauá. "Converso com eles para não faltarem na escola."

 

Benefício tem impacto positivo, mas eleitoreiro, diz especialista

Tendo em vista a desigualdade social do País, a ampliação de programas de transferência de renda, como o Bolsa Família, já resulta em consequências positivas para a sociedade. A avaliação é do cientista político e diretor do Cepac (Centro de Pesquisa e Comunicação) Rubens Figueiredo.

Na visão do especialista, houve aumento do consumo nas classes pobres, dinamização de pequenas economias e o fim de famílias que passam fome. "Mas é óbvio que essas políticas deveriam ser acompanhadas de programas educacionais, de saúde, cultura e esportes", considera.

Para Figueiredo, uma consequência negativa do programa é o aproveitamento político. "Estudos mostram que quanto menor o município maior o impacto eleitoral do PT (Partido dos Trabalhadores)", afirma.

 

 



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Sobe dependência do
Bolsa Família na região

Hoje, 71.297 benefícios são concedidos para núcleos com
renda per capita de até R$ 140; alta registrada é de 142,5%

Natália Fernandjes
Do Diário do Grande ABC

18/03/2013 | 07:00


O número de famílias beneficiadas pelo programa federal Bolsa Família no Grande ABC teve alta de 142,5% em nove anos. Enquanto em 2004 29.393 famílias com renda per capita de até R$140 recebiam o benefício, em fevereiro eram 71.297. Na região, cerca de 250 mil pessoas vivem na pobreza.

Nos sete municípios houve ampliação no número de contemplados. Em São Bernardo, por exemplo, o atendimento quase que triplicou, passando de 7.301 famílias, em 2004, para as atuais 21.396. A cidade é a que detém maior quantidade de moradores inseridos no programa. Diadema é o segundo município com maior número de famílias que recebem o Bolsa Família: 16.763, seguida por Santo André, com 14.204 e Mauá, com 11.284. Em Ribeirão Pires são 3.901, em Rio Grande da Serra, 2.613, e em São Caetano, 1.136.

O aumento do número de famílias beneficiadas não significa, entretanto, elevação da situação de pobreza na região. Segundo a coordenadora do curso de Serviço Social da Anhanguera Anchieta, Glauciane Monserrati, a elevação é positiva já que demonstra esforços por parte do poder público para identificar pessoas em risco social e incluí-las em programas sociais.

A partir de 2011 o governo instituiu a chamada busca ativa, que prevê o envio de equipes da assistência social aos locais onde vivem os mais pobres para cadastrá-los. O valor recebido varia de R$ 32 a R$ 306. "A transferência de renda é um direito do cidadão com objetivo de melhorar sua condição", explica Glauciane.

Além da baixa renda, famílias em situação de vulnerabilidade vivem em condições inadequadas de saneamento e têm acesso precário a água e energia, além de estarem afastadas de programas culturais e esportivos.

A família da catadora Mileide Aguiar, 32 anos, recebe, desde 2009, R$ 166 por mês do Bolsa Família para os três filhos - Larissa, 13, Aidan, 11, e Kauê, 9. O valor complementa a renda familiar de cerca de R$ 700. "Ajuda muito porque compro o gás e pago a conta de luz." A moradora do Sítio dos Vianas, em Santo André, ficou sem receber o benefício durante um mês, quando o caçula teve crise de asma. "Esqueci de levar atestado na escola."

No caso da faxineira Marluce Martins, 37, o auxílio garante R$198 mensais, que se somam aos R$ 550 de salário. O valor é utilizado para comprar roupas e lanche para os cinco filhos da moradora do Jardim Zaíra, em Mauá. "Converso com eles para não faltarem na escola."

 

Benefício tem impacto positivo, mas eleitoreiro, diz especialista

Tendo em vista a desigualdade social do País, a ampliação de programas de transferência de renda, como o Bolsa Família, já resulta em consequências positivas para a sociedade. A avaliação é do cientista político e diretor do Cepac (Centro de Pesquisa e Comunicação) Rubens Figueiredo.

Na visão do especialista, houve aumento do consumo nas classes pobres, dinamização de pequenas economias e o fim de famílias que passam fome. "Mas é óbvio que essas políticas deveriam ser acompanhadas de programas educacionais, de saúde, cultura e esportes", considera.

Para Figueiredo, uma consequência negativa do programa é o aproveitamento político. "Estudos mostram que quanto menor o município maior o impacto eleitoral do PT (Partido dos Trabalhadores)", afirma.

 

 

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