Fechar
Publicidade

Segunda-Feira, 25 de Outubro

|

Max º Min º
Clima da Região Trânsito Assine Clube do Assinante Diário Virtual Login

Economia

economia@dgabc.com.br | 4435-8057

Indústria automotiva dará passo atrás


Leone Farias
Do Diário do Grande ABC

15/02/2009 | 07:10


Voltar ao patamar de vendas de 2007, o que significará a necessidade de reduzir postos de trabalho no segmento para próximo dos níveis daquele ano. É dessa forma que André Beer, ex-vice-presidente da General Motors, ex-presidente da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) e atual consultor especializado na área automotiva, traça o cenário para as fabricantes de veículos zero-quilômetro em 2009.

Beer avalia que, apesar da crise financeira internacional, há espaço para uma recuperação, depois da freada brusca ocorrida nos últimos meses. Ele aponta que, pelos cálculos de dias úteis, já foi possível, com a ajuda das medidas de incentivo dadas pelos governos federal e estadual (redução de tributos e crédito para o financiamento de carros), ter uma reversão. Mas é realista. "Voltar aos níveis de 2007 já é excelente, melhor do que conseguirá qualquer outro país", diz. E sobre a redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), que dura até fim de março, ele considera que o ideal seria uma retirada gradativa do estímulo tributário.

DIÁRIO - Em meados do ano passado, representantes do setor já comentavam que o ritmo de crescimento das vendas (que chegava a 30% em relação ao ano anterior) era muito forte e não se sustentaria. O sr. acredita em uma reação, depois da queda nas vendas, a partir de outubro?

ANDRÉ BEER - Eu acho que há um certo exagero (em relação à crise). Tanto é verdade que se pegarmos os 26 primeiros dias úteis deste ano, de janeiro até o final da semana passada, estaremos com 10 mil unidades diárias vendidas. Poderemos chegar a 2,4 milhões de unidades em 2009, um volume que dá sustentação à indústria.

DIÁRIO - Então, vamos voltar aos níveis de 2007 de vendas do setor?

BEER - Voltar aos níveis de 2007 já é excelente, melhor do que conseguirá qualquer outro país.

DIÁRIO - O sr. diz que independente dos números, a indústria automotiva do Brasil pode se destacar no cenário mundial?

BEER - O Brasil tem uma posição privilegiada. Todos os países sentem a crise, mas os outros vão ser mais atingidos. A situação do Brasil é muito melhor do que a da Europa, por exemplo. Isso porque nossa indústria tem produtos que são atualizados, tem tecnologia e não tem dependência de importação.

DIÁRIO - Não depende das importações, mas fornecedores de autopeças sentiram os efeitos da crise por causa das paradas das montadoras e da falta de crédito...

BEER - São problemas pontuais. Com a parada brusca, os fornecedores pararam. Quando isso acontece, a situação é mais complicada, já que as empresas de autopeças esperam uma programação da indústria (das montadoras). Mas com o aumento de vendas que ocorreu, vamos ter uma reversão dessa situação. Nos primeiros 26 dias úteis deste ano tivemos vendas acumuladas de 256.628 unidades. Dividido por 26, temos 9.870 unidades diárias. Nesse mesmo período do ano passado, as vendas foram de 248.402 unidades, ou seja, para comparação, as vendas cresceram 3,3%. É claro que não podemos dizer que isso se manterá durante todo o ano, mas serve para alicerçar nossa tese de que estamos reagindo.

DIÁRIO - Bom, mas se devemos ficar nos níveis de 2007, dá para manter o nível de emprego atual?

BEER - Não, dá para manter os níveis de emprego de 2007. Vamos ter de cortar pessoal temporário que foi admitido no ano passado. Vai haver desligamentos, principalmente temporários. Isso é inevitável. Para mantê-los seria necessário ter níveis de vendas acima de 3,5 milhões de unidades, que era o volume planejado para este ano.

DIÁRIO - A indústria mostrou sinais de reação com a ajuda de incentivos do governo, que ofereceu crédito e reduziu o IPI. Quando março acabar, a medida de redução do IPI acaba. E então, o que deve ocorrer?

BEER - Não foi por acaso que o mercado reagiu. O governo injetou dinheiro. Foram R$ 4 bilhões do governo federal e R$ 4 bilhões do governo estadual. E já houve uma recuperação do crédito, com a queda das taxas e o alongamento de prazos. Com o incentivo do governo, as fábricas puderam fazer um bom trabalho de marketing, com campanhas que redundaram em crescimento de vendas. Em março, o governo terá de sentar com representantes do setor para avaliar se deve manter o IPI menor. O ideal seria retirar o incentivo de forma gradativa.

DIÁRIO - Também se comenta que o problema da indústria continua sendo os carros usados, que alavancam as vendas de zero-quilômetro.

BEER - Esse é um grande calcanhar de Aquiles. Precisaria que houvesse mais injeção de recursos, juros mais adequados... E voltar a ter preços mais compatíveis.

DIÁRIO - Os preços dos usados tiveram uma forte desvalorização nos últimos meses. No entanto, há quem diga que antes esses veículos estavam com valores muitos alto...

BEER - Nem tanto ao mar nem tanto à terra. Estava muito valorizado, com muitas pessoas se financiando. O setor estava muito ‘especulado'. Depois, houve uma redução violenta. Isso também afugenta o comprador.

DIÁRIO - Uma das preocupações que existem, com a crise do crédito, é de que haja aumento da inadimplência. O sr. vê riscos para o segmento?

BEER - A inadimplência no passado era muito baixa (no setor) e vai continuar baixa. No Brasil, no caso do financiamento de veículos, a retomada do carro é muito fácil. Eu acho que isso é uma forma de garantir o financiamento.



Comentários

Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.


Copyright © 1995-2017 - Todos direitos reservados

;