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'Se voltar para essa vida vou acabar morto'


André Vieira
Do Diário do Grande ABC

01/02/2009 | 07:00


Carlos foi detido por assalto a mão armada. Praticou o crime para sustentar o vício em drogas. Mesma substância que Santiago dependia desde os 12 anos e o levou a ser apreendido por tráfico. Ambos têm 18 anos. Os nomes são fictícios, mas as histórias são reais.

 Moradores de Mauá, os dois estão internados na Fundação Casa na mesma cidade. "Eu era viciado em drogas e fiquei com muita vontade de usar, não tinha dinheiro e minha opção foi fazer um assalto", disse Carlos, que morava com a família no Jardim Santa Rosa e está na unidade há nove meses.

 Internado há um ano e dois meses, Santiago, do bairro Itapark Novo, reconhece a opção. "São diversos motivos que levam uma pessoa a se envolver com o tráfico de drogas. Algumas delas se envolvem por necessidade, mas, eu, especificamente, fui por vontade, para ir para a rua e usar drogas."

 A rotina dos adolescentes em pouco diferia. Carlos abandonou a escola no sétimo ano do Ensino Fundamental e, embora matriculado, Santiago não freqüentava as aulas no oitavo ano. Os dois retomaram os estudos na unidade.

 "Eu usava muita droga. Era difícil ter tempo livro porque a maioria do tempo, que era para ser livre, eu estava no tráfico", disse Santiago. "Nesse mundo que eu estava a única coisa na minha vida era usar drogas e ir para as baladas. Não pensava em muita coisa", completou Carlos.

 Os dias de visita provocam sensações diferentes. "Todos os domingos minha mãe, meu padrasto e meus irmãos vêm me visitar. Passo a semana inteira pensando como eles estão lá fora", disse Carlos.

 Para Santiago, que chegou a ficar oito meses sem contato com parentes, o encontro pode não oferecer prazer. "Muito raramente eles vêm. Às vezes é bom, às vezes é ruim, depende do que eu estou sentido no dia. O fato de eu estar aqui todo esse tempo e por eles não virem sempre. Fazem muito falta, principalmente meus irmãos menores", disse se referindo a dois dos sete irmãos.

 Entre as diversas atividades que participam na Fundação, os dois desenvolveram simpatia pela arte. "Gosto da oficina de música. Acho mais complicado para aprender. Nunca tinha visto um trompete na minha frente", disse Carlos sobre o instrumento que escolheu.

 Santiago também optou por um que exige esforço dos pulmões. "Percussão eu já tinha conhecimento lá fora. Moro em zona de periferia e sempre tem um samba no bar, na roda e a gente vai aprendendo no dia a dia. O saxofone é um instrumento difícil de achar."

 Enxergando a vida com mais música, Santiago planeja o futuro. "Não penso mais em traficar e voltar a fazer o que fazia antes. O que as pessoas mais querem é viver e eu sinto que se voltar para essa vida vou acabar morrendo, ou cedo ou tarde."



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