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Diadema dispensa 3.422 trabalhadores em 2008

Na região, município foi o que mais fechou postos de trabalho desde estagiários a registrados em carteira


Soraia Abreu Pedrozo
Do Diário do Grande ABC

27/01/2009 | 07:00


No Grande ABC, a indústria demitiu em dezembro 5.349 trabalhadores apenas nos municípios de São Bernardo, Santo André, São Caetano e Diadema, incluindo os registrados em carteira, temporários e estagiários, segundo informações da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) e do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo). Considerando o ano de 2008, o saldo foi de 142 vagas a menos nas quatro cidades. O resultado negativo foi puxado por Diadema onde foram encerrados 3.422 postos de trabalho no ano. Em dezembro, no município o setor também foi o que mais enxugou, com 2.048 demissões.

De acordo com Donizete Duarte da Silva, segundo vice-diretor do Ciesp de Diadema, na cidade existem muitas micro e pequenas empresas. "De 1.500 indústrias, cerca de 400 são autopeças e 300 têm micro ou pequeno porte. Essas empresas são ‘quarterizadas', ou seja, dependem dos repasses de pedidos dos fornecedores oficiais, que terceirizam a produção. Com a redução da demanda, portanto, elas estão mais suscetíveis às demissões", explica Silva.

Para o executivo, o município corre muitos riscos com os impactos que vem sofrendo, já que muitas dessas empresas não possuem estrutura interna e nem qualidade de maquinário, além de ter funcionários com baixo nível de instrução. "A flexibilização do salário e da jornada de trabalho é uma saída para empresas de grande porte. Para as menores, a postergação do pagamento de tributos seria uma solução, já que elas não conseguem crédito junto aos bancos e acabam tendo que demitir".

Na opinião de Paulo Francini, diretor-titular do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos da Fiesp e do Ciesp, os efeitos são mais intensos na região porque não há grande diversificação das áreas de atuação na indústria, havendo uma concentração de empresas automotivas.

Considerando as quatro cidades, 29% das indústrias estão relacionadas ao setor automobilístico. Em São Bernardo esse índice é o maior: 46,1%. São Caetano vem em seguida, com 43,2%. Em Santo André, a participação é de 14.3% e em Diadema, 13,1%. "As montadoras são impiedosas. Se recebem uma ordem da matriz (geralmente sediadas no exterior, onde os efeitos da crise financeira internacional são mais severos) têm de cumprir. Cortam programas cancelando a entrega de pedidos por telefone", pontua Francini.

No Estado de São Paulo, dezembro foi encerrado com 130 mil vagas a menos na indústria. "O pior resultado em todos os meses desde 1994", afirma o diretor. O saldo de 2008 foi de 7.000 desempregados. "A violência da crise fez com que perdêssemos, em três meses, tudo aquilo que ganhamos no restante do ano".

Segundo Francini, as entidades representantes das indústrias estão conversando com o governo federal para encontrar uma saída à situação. "Ainda vamos sentir os reflexos da crise por um bom tempo (ou seja, as perspectivas vão além do primeiro trimestre do ano, conforme especialistas haviam previsto), pois quem perdeu o emprego no mês passado terá, por um tempo, verba de rescisão de contrato e seguro desemprego para se manter. Quando o dinheiro acabar e o consumo estagnar, aí é que vamos sentir de fato os efeitos da turbulência".



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