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Cronista eterno


Thiago Mariano
Do Diário do Grande ABC

10/12/2011 | 07:02


É difícil imaginar o que Assis Valente, verdadeiro e essencial cronista musical de sua época, poderia recortar do mundo de hoje para suas composições. Nascido há 100 anos - e morto há 53 -, ele, se vivo, estaria em meio a uma fauna totalmente diversa da que estava acostumado, na qual ‘delícia' e ‘ai, se te pego' estão entre as interjeições que sintetizam o pensamento mais comum das noites brasileiras.

A riqueza de detalhes, histórias e personagens de suas composições, que na maioria das vezes celebram a folia e o amor, faz dele um dos maiores da nossa música. Clássico que estava desgastado e longe das prateleiras e que volta agora em luxuoso disco duplo, com 'Assis Valente Não Fez Bobagem - 100 Anos de Alegria' (EMI, preço médio R$ 30).

O primeiro álbum traz recriações de clássicos como 'Brasil Pandeiro', interpretado pelo Novos Baianos; 'E O Mundo Não Se Acabou', na voz de Isaura Garcia; 'Tem Francesa no Morro', com a atriz Marília Pêra; e 'Camisa Listrada', por Maria Bethânia.

Ninguém faz feio nas releituras. Há até surpresas, como a versão de Wanderléa para 'Uva de Caminhão'. Seus contorcionismos vocais e verve interpretativa mostram uma artista que ficou escondida nas bobeiras dos tempos da Jovem Guarda.

O segundo disco é verdadeiro baú de tesouros, com gravações originais da época de Valente. Carmen Miranda, que foi uma das grandes intérpretes do compositor, se exibe nos sambas 'Tenho Raiva do Luar', 'Isso Não se Atura' e 'Deixa Comigo'.

Cyro Monteiro, Dircinha Batista, Orlando Silva, Carlos Galhardo e Bando da Lua, ao lado de Carmen, listam no repertório da parte que é o biscoito fino do lançamento. E provam que se já não existe compositores do cacife de Assis Valente, também estão em falta os intérpretes capazes de transformar em histórias suas - e consequentemente de todos - os casos de amor e alegria que já não ilustram tão bem os encartes dos discos no Brasil.

Sem igual
Safadinho, Assis Valente trouxe boa dose de pimenta para as canções que compôs. Uma de suas qualidades, ainda que pouco comentada, era transformar-se em personagem feminino com a mesma força com que Chico Buarque fez em letras como 'Olhos nos Olhos' e 'Com Açúcar, Com Afeto'. Só há uma coisa em que ninguém, se analisarmos a obra toda, fez igual: ser alegre até quando a mensagem é triste.



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Cronista eterno

Thiago Mariano
Do Diário do Grande ABC

10/12/2011 | 07:02


É difícil imaginar o que Assis Valente, verdadeiro e essencial cronista musical de sua época, poderia recortar do mundo de hoje para suas composições. Nascido há 100 anos - e morto há 53 -, ele, se vivo, estaria em meio a uma fauna totalmente diversa da que estava acostumado, na qual ‘delícia' e ‘ai, se te pego' estão entre as interjeições que sintetizam o pensamento mais comum das noites brasileiras.

A riqueza de detalhes, histórias e personagens de suas composições, que na maioria das vezes celebram a folia e o amor, faz dele um dos maiores da nossa música. Clássico que estava desgastado e longe das prateleiras e que volta agora em luxuoso disco duplo, com 'Assis Valente Não Fez Bobagem - 100 Anos de Alegria' (EMI, preço médio R$ 30).

O primeiro álbum traz recriações de clássicos como 'Brasil Pandeiro', interpretado pelo Novos Baianos; 'E O Mundo Não Se Acabou', na voz de Isaura Garcia; 'Tem Francesa no Morro', com a atriz Marília Pêra; e 'Camisa Listrada', por Maria Bethânia.

Ninguém faz feio nas releituras. Há até surpresas, como a versão de Wanderléa para 'Uva de Caminhão'. Seus contorcionismos vocais e verve interpretativa mostram uma artista que ficou escondida nas bobeiras dos tempos da Jovem Guarda.

O segundo disco é verdadeiro baú de tesouros, com gravações originais da época de Valente. Carmen Miranda, que foi uma das grandes intérpretes do compositor, se exibe nos sambas 'Tenho Raiva do Luar', 'Isso Não se Atura' e 'Deixa Comigo'.

Cyro Monteiro, Dircinha Batista, Orlando Silva, Carlos Galhardo e Bando da Lua, ao lado de Carmen, listam no repertório da parte que é o biscoito fino do lançamento. E provam que se já não existe compositores do cacife de Assis Valente, também estão em falta os intérpretes capazes de transformar em histórias suas - e consequentemente de todos - os casos de amor e alegria que já não ilustram tão bem os encartes dos discos no Brasil.

Sem igual
Safadinho, Assis Valente trouxe boa dose de pimenta para as canções que compôs. Uma de suas qualidades, ainda que pouco comentada, era transformar-se em personagem feminino com a mesma força com que Chico Buarque fez em letras como 'Olhos nos Olhos' e 'Com Açúcar, Com Afeto'. Só há uma coisa em que ninguém, se analisarmos a obra toda, fez igual: ser alegre até quando a mensagem é triste.

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