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Outra Argentina

No mapa argentino, há uma parte que parece querer avançar sobre a Bolívia e o Chile, ultrapassando a Cordilheira dos Andes


Daniel Trielli
Enviado a Argentina

05/06/2008 | 07:03


No mapa argentino, há uma parte que parece querer avançar sobre a Bolívia e o Chile, ultrapassando a Cordilheira dos Andes. E em muitos pontos, as províncias do Norte já se apoderaram de aspectos das nações vizinhas. O desenho dos rostos, os tecidos de pêlo de lhama e o cotidiano montanhês dos habitantes deixam claro que, apesar de ser tecnicamente uma porção da República Argentina, a região é parte de algo maior: a nação andina.

A verdade é que bem antes dos espanhóis e dos movimentos de independência do século 19 delimitarem as fronteiras da América do Sul, muitos dos nomes que são usados hoje na província de Jujuy, extremo Norte argentino, foram definidos por povos muito mais antigos (e, pelo que sugere uma linha de historiadores, talvez as primeiras civilizações avançadas): os incas e suas populações satélites. Tilcara, Maimara, Uquia são nomes de povoados que sobreviveram a séculos de invasões e batalhas.

O próprio nome "Jujuy", segundo uma das teorias locais, viria dos gritos de alegria que os nativos teriam soltado com a chegada dos europeus - felicidade que não duraria muito.

Em Jujuy, aliás, houve uma sucessão de chegadas. Primeiro os pré-colombianos, cujas marcas ainda sobrevivem. Depois vieram os incas, com seus avanços tecnológicos da agricultura e domesticação de animais. Em seguida, vieram os espanhóis, que fizeram do local um ponto de parada na rota entre Rio da Prata e Peru.

Tanto na história quanto na geografia, as características de Jujuy são únicas. A província agrega, nos seus mais de 53 mil quilômetros quadrados, quatro tipos distintos de clima.

Ao Norte e centro, a Quebrada do Humahuaca é um grande vale estendido por 170 quilômetros, começando no Chile e com sua maior parte em Jujuy. É a veia central da província, e onde se encontra o maior universo de cultura e arqueologia da região.

Esse vale serve também como delimitador das outras áreas. As montanhas do Leste escondem as Yungas, que, ao contrário da seca Quebrada, é úmida, chuvosa e quente. sendo mais parecida com uma floresta tropical.

Do outro lado, atrás das montanhas do Oeste, está a Puna, o local mais desértico e comparativamente mais alto de toda a província. A vegetação é mais escassa, o clima mais ríspido e as paisagens mais vertiginosas.

Ao Sul da Quebrada está o incompreensivelmente chamado de Vale Central, onde fica a capital da província, San Salvador de Jujuy. Lá a temperatura é amena e há morros e florestas que servem como ótimo ponto de partida.

O jornalista viajou a convite dos governos das províncias de Jujuy e Catamarca e de Cláudia Lopes Operadora de Turismo.

GUIA DE VIAGEM

PASSAGENS
A Aerolíneas Argentinas tem passagens para São Paulo-Buenos Aires-Jujuy a partir de R$ 1.204,71 (ida e volta, com taxas incluídas). O vôo sai de São Paulo até Buenos Aires e prossegue na manhã seguinte para Jujuy. O vôo de São Paulo-Buenos Aires-Catamarca sai a partir de R$ 1.037,79 (ida e e volta, com taxas). Também é preciso pernoitar em Buenos Aires. Informações: 0800-7073313 ou www.aerolineas.com.ar
* Os preços podem variar conforme a disponibilidade de assentos.

PACOTES
A Claudia Lopez Operadora de Turismo oferece pacote de oito dias para Jujuy e Buenos Aires a partir de US$ 1.738 (cerca de R$ 2.838). Inclui transfer, hospedagem, city tour em Jujuy, Termas de Reyes e Laguna Yala, Quebrada Del Humahuaca e Salinas Grandes e Punamarca.
A operadora também tem pacote de oito dias para Catamarca e Buenos Aires a partir de US$ 2.446 (cerca de R$ 3.994). Inclui transfer, hospedagem, city tour em San Fernando de Catamarca, circuito Cuesta Del Potuzuelo, Puna de Catamarca, Salinas Grandes e Punamarca, Informações: 4110-0332 ou www.claudialopezturismo.com.br.

ONDE FICAR
Jujuy
Altos de la Viña
Apartamento duplo: 350 pesos. Inclui impostos e café-da-manhã (Tarifa-balcão vigente entre 1º de julho e 31 de dezembro). Rua Pasquíni López, 50, San Salvador de Jujuy. Informações: www.altosdelavinahotel.com.ar.

Ohasis Hotel Jujuy
Apartamento duplo: 190 pesos. Inclui impostos e café-da-manhã (tarifa-balcão vigente entre 1º de julho e 31 de dezembro).
Rua Ramírez de Velasco, 244, San Salvador de Jujuy. Informações: www.ohasishoteljujuy.com

Termas de Reyes
Apartamento standard: 300 pesos. Inclui impostos, café-da-manhã, transfer do aeroporto de Jujuy, acesso à piscina termal ao ar livre e estacionamento (tarifa-balcão vigente até fevereiro de 2009). Ruta 4, km 19, Termas de Reyes. Informações: www.termasdereyes.com

El Manantial del Silencio
Apartamento standard: US$ 150 Inclui impostos e café-da-manhã (Tarifa-balcão vigente até 21 de dezembro). Ruta Nacional 52, km 3,5, Purmamarca.
Catamarca

Hotel Belén
Quarto duplo: US$ 79. Inclui impostos e café-da-manhã. Esquina da Rua Belgrano com a Rua Cubas, s/n, Belén. Informações: www.belencat.com.ar.

Hotel Ancasti
Quarto duplo: 178 pesos. Inclui impostos e café-da-manhã. Rua Sarmiento, 520, San Fernando del Valle. Informações: www.hotelancasti.com.ar.

Capital revela história

Os Vales Centrais, que apesar do nome ficam no Sul da província de Jujuy, têm como ponto principal a capital, San Salvador.

Com mais de 200 mil habitantes, San Salvador de Jujuy está rodeada por montanhas, motivo pelo qual os espanhóis, quando chegaram, a apelidaram de "xícara de prata". No centro comercial da cidade, pode-se encontrar prédios históricos, padarias com especialidades locais e, como se trata da Argentina, muitas livrarias.

A capital se encaixa entre dois rios: o Grande e o Xibi-Xibi. Ambos são alimentados por afluentes com águas de degelo. Ou seja, quando os picos nevados da região começam a derreter, no final do ano, os córregos começam a fluir e o Rio Grande faz jus ao nome. Mas na maior parte do ano, o que se vê é um filete de água correndo por uma ampla superfície.

É uma visão que se pode ter em um passeio pela Avenida Santibañes, onde também há grandes casas antigas por toda sua extensão. Isso faz da avenida uma boa rota de turismo arquitetônico.

Outro lugar para se admirar prédios antigos é a Praça Belgrano, que abriga em seu entorno o palácio do governo provincial e a catedral. Também há uma universidade, o que faz com que o espaço esteja sempre cheio de estudantes lendo nos bancos e gramados.

Os habitantes de San Salvador de Jujuy se orgulham em dizer que, a 1.259 metros acima do nível do mar, é a capital provincial mais alta do país. Isso é indicativo da grande altitude média da província, o que significa, no entanto, uma variação térmica grande: de dia pode fazer bastante calor, mas à noite o frio é mais intenso.

Estrada é atração à parte

Cortando Jujuy, a Ruta Nacional 9 é a veia central da província. Ela é parte da chamada Rodovia Panamericana, porque começa em Buenos Aires e termina na Colômbia.

A via é o eixo da viagem pela Quebrada do Humahuaca e por onde se acessa os principais vilarejos históricos de Jujuy. Dessa estrada também se acessa a Ruta 52, e a Costa de Lipan, uma via tortuosa e íngreme - ou seja, completamente andina.

Conforme se passa pela Ruta Nacional 9, começam a se ver povoados de diferentes tamanhos e a vegetação muda do verde dos Vales Centrais para os cactos mais ao Norte.

Na estrada ainda perto da capital, aliás, salta aos olhos os arbustos imensos repletos de uma flor pequena e amarela. Trata-se do "pasto cubano", que na verdade é uma praga - veio importada da ilha da América Central e dominou a vegetação local.

De fato, o pasto cubano pode tomar campos inteiros, criando uma paisagem linda, mas não natural. Nesse canto da Argentina, até as pragas são bonitas.



Comentários

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Outra Argentina

No mapa argentino, há uma parte que parece querer avançar sobre a Bolívia e o Chile, ultrapassando a Cordilheira dos Andes

Daniel Trielli
Enviado a Argentina

05/06/2008 | 07:03


No mapa argentino, há uma parte que parece querer avançar sobre a Bolívia e o Chile, ultrapassando a Cordilheira dos Andes. E em muitos pontos, as províncias do Norte já se apoderaram de aspectos das nações vizinhas. O desenho dos rostos, os tecidos de pêlo de lhama e o cotidiano montanhês dos habitantes deixam claro que, apesar de ser tecnicamente uma porção da República Argentina, a região é parte de algo maior: a nação andina.

A verdade é que bem antes dos espanhóis e dos movimentos de independência do século 19 delimitarem as fronteiras da América do Sul, muitos dos nomes que são usados hoje na província de Jujuy, extremo Norte argentino, foram definidos por povos muito mais antigos (e, pelo que sugere uma linha de historiadores, talvez as primeiras civilizações avançadas): os incas e suas populações satélites. Tilcara, Maimara, Uquia são nomes de povoados que sobreviveram a séculos de invasões e batalhas.

O próprio nome "Jujuy", segundo uma das teorias locais, viria dos gritos de alegria que os nativos teriam soltado com a chegada dos europeus - felicidade que não duraria muito.

Em Jujuy, aliás, houve uma sucessão de chegadas. Primeiro os pré-colombianos, cujas marcas ainda sobrevivem. Depois vieram os incas, com seus avanços tecnológicos da agricultura e domesticação de animais. Em seguida, vieram os espanhóis, que fizeram do local um ponto de parada na rota entre Rio da Prata e Peru.

Tanto na história quanto na geografia, as características de Jujuy são únicas. A província agrega, nos seus mais de 53 mil quilômetros quadrados, quatro tipos distintos de clima.

Ao Norte e centro, a Quebrada do Humahuaca é um grande vale estendido por 170 quilômetros, começando no Chile e com sua maior parte em Jujuy. É a veia central da província, e onde se encontra o maior universo de cultura e arqueologia da região.

Esse vale serve também como delimitador das outras áreas. As montanhas do Leste escondem as Yungas, que, ao contrário da seca Quebrada, é úmida, chuvosa e quente. sendo mais parecida com uma floresta tropical.

Do outro lado, atrás das montanhas do Oeste, está a Puna, o local mais desértico e comparativamente mais alto de toda a província. A vegetação é mais escassa, o clima mais ríspido e as paisagens mais vertiginosas.

Ao Sul da Quebrada está o incompreensivelmente chamado de Vale Central, onde fica a capital da província, San Salvador de Jujuy. Lá a temperatura é amena e há morros e florestas que servem como ótimo ponto de partida.

O jornalista viajou a convite dos governos das províncias de Jujuy e Catamarca e de Cláudia Lopes Operadora de Turismo.

GUIA DE VIAGEM

PASSAGENS
A Aerolíneas Argentinas tem passagens para São Paulo-Buenos Aires-Jujuy a partir de R$ 1.204,71 (ida e volta, com taxas incluídas). O vôo sai de São Paulo até Buenos Aires e prossegue na manhã seguinte para Jujuy. O vôo de São Paulo-Buenos Aires-Catamarca sai a partir de R$ 1.037,79 (ida e e volta, com taxas). Também é preciso pernoitar em Buenos Aires. Informações: 0800-7073313 ou www.aerolineas.com.ar
* Os preços podem variar conforme a disponibilidade de assentos.

PACOTES
A Claudia Lopez Operadora de Turismo oferece pacote de oito dias para Jujuy e Buenos Aires a partir de US$ 1.738 (cerca de R$ 2.838). Inclui transfer, hospedagem, city tour em Jujuy, Termas de Reyes e Laguna Yala, Quebrada Del Humahuaca e Salinas Grandes e Punamarca.
A operadora também tem pacote de oito dias para Catamarca e Buenos Aires a partir de US$ 2.446 (cerca de R$ 3.994). Inclui transfer, hospedagem, city tour em San Fernando de Catamarca, circuito Cuesta Del Potuzuelo, Puna de Catamarca, Salinas Grandes e Punamarca, Informações: 4110-0332 ou www.claudialopezturismo.com.br.

ONDE FICAR
Jujuy
Altos de la Viña
Apartamento duplo: 350 pesos. Inclui impostos e café-da-manhã (Tarifa-balcão vigente entre 1º de julho e 31 de dezembro). Rua Pasquíni López, 50, San Salvador de Jujuy. Informações: www.altosdelavinahotel.com.ar.

Ohasis Hotel Jujuy
Apartamento duplo: 190 pesos. Inclui impostos e café-da-manhã (tarifa-balcão vigente entre 1º de julho e 31 de dezembro).
Rua Ramírez de Velasco, 244, San Salvador de Jujuy. Informações: www.ohasishoteljujuy.com

Termas de Reyes
Apartamento standard: 300 pesos. Inclui impostos, café-da-manhã, transfer do aeroporto de Jujuy, acesso à piscina termal ao ar livre e estacionamento (tarifa-balcão vigente até fevereiro de 2009). Ruta 4, km 19, Termas de Reyes. Informações: www.termasdereyes.com

El Manantial del Silencio
Apartamento standard: US$ 150 Inclui impostos e café-da-manhã (Tarifa-balcão vigente até 21 de dezembro). Ruta Nacional 52, km 3,5, Purmamarca.
Catamarca

Hotel Belén
Quarto duplo: US$ 79. Inclui impostos e café-da-manhã. Esquina da Rua Belgrano com a Rua Cubas, s/n, Belén. Informações: www.belencat.com.ar.

Hotel Ancasti
Quarto duplo: 178 pesos. Inclui impostos e café-da-manhã. Rua Sarmiento, 520, San Fernando del Valle. Informações: www.hotelancasti.com.ar.

Capital revela história

Os Vales Centrais, que apesar do nome ficam no Sul da província de Jujuy, têm como ponto principal a capital, San Salvador.

Com mais de 200 mil habitantes, San Salvador de Jujuy está rodeada por montanhas, motivo pelo qual os espanhóis, quando chegaram, a apelidaram de "xícara de prata". No centro comercial da cidade, pode-se encontrar prédios históricos, padarias com especialidades locais e, como se trata da Argentina, muitas livrarias.

A capital se encaixa entre dois rios: o Grande e o Xibi-Xibi. Ambos são alimentados por afluentes com águas de degelo. Ou seja, quando os picos nevados da região começam a derreter, no final do ano, os córregos começam a fluir e o Rio Grande faz jus ao nome. Mas na maior parte do ano, o que se vê é um filete de água correndo por uma ampla superfície.

É uma visão que se pode ter em um passeio pela Avenida Santibañes, onde também há grandes casas antigas por toda sua extensão. Isso faz da avenida uma boa rota de turismo arquitetônico.

Outro lugar para se admirar prédios antigos é a Praça Belgrano, que abriga em seu entorno o palácio do governo provincial e a catedral. Também há uma universidade, o que faz com que o espaço esteja sempre cheio de estudantes lendo nos bancos e gramados.

Os habitantes de San Salvador de Jujuy se orgulham em dizer que, a 1.259 metros acima do nível do mar, é a capital provincial mais alta do país. Isso é indicativo da grande altitude média da província, o que significa, no entanto, uma variação térmica grande: de dia pode fazer bastante calor, mas à noite o frio é mais intenso.

Estrada é atração à parte

Cortando Jujuy, a Ruta Nacional 9 é a veia central da província. Ela é parte da chamada Rodovia Panamericana, porque começa em Buenos Aires e termina na Colômbia.

A via é o eixo da viagem pela Quebrada do Humahuaca e por onde se acessa os principais vilarejos históricos de Jujuy. Dessa estrada também se acessa a Ruta 52, e a Costa de Lipan, uma via tortuosa e íngreme - ou seja, completamente andina.

Conforme se passa pela Ruta Nacional 9, começam a se ver povoados de diferentes tamanhos e a vegetação muda do verde dos Vales Centrais para os cactos mais ao Norte.

Na estrada ainda perto da capital, aliás, salta aos olhos os arbustos imensos repletos de uma flor pequena e amarela. Trata-se do "pasto cubano", que na verdade é uma praga - veio importada da ilha da América Central e dominou a vegetação local.

De fato, o pasto cubano pode tomar campos inteiros, criando uma paisagem linda, mas não natural. Nesse canto da Argentina, até as pragas são bonitas.

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