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Seu Navarro tem loja especializada na Vila Curuçá e toca o instrumento desde que era criança


Yara Ferraz
Do Diário do Grande ABC

13/09/2014 | 07:00


A Vila Curuçá, em Santo André, é composta por uma mistura de residências e comércios, com abundância de padarias e mercadinhos, Porém, há espaço também para um tipo de estabelecimento diferente. É o Acordeon ABC, que pertence a Eridion Lopes Navarro, 83 anos, que, conforme o nome da loja denuncia, é especializado em consertar o instrumento musical.

O proprietário é natural de Presidente Prudente, no interior paulista, e chegou ao Centro da Capital em 1953. A vocação e o domínio do pesado instrumento vieram da família de origem catalã. “Comecei a tocar sozinho mesmo, até porque meu pai e irmão já tocavam. Como cresci ouvindo o som, não teve como escapar. Quando cheguei em São Paulo, entrei em uma escola de música e me especializei. Mas o pior mesmo era comprar o instrumento, porque ele era muito caro, já que só vinha importado da Alemanha ou da Itália. Custava o equivalente a R$ 10 mil de hoje.”

Seu Navarro até tentou ficar longe do instrumento, mas o destino se encarregou da reaproximação entre os dois. “Quando comecei a namorar minha mulher, vendi o acordeom. Casei e mudei para São Caetano, então, em uma festa de aniversário da minha filha, um dos meus amigos levou o acordeom dele e eu toquei. Todo o mundo perguntava ‘por que você não volta a tocar?’. Comprei outro e montamos uma banda.”

Assim como a música, o conserto ele também aprendeu na prática. “Trabalhei durante dez anos na fábrica da Scavone Instrumentos Musicais e lá conheci toda a estrutura interna do instrumento.”

Hoje só de olhar o objeto seu Navarro já sabe o modelo e os problemas mais comuns. “O que mais costuma quebrar ou enferrujar é a voz (peça na parte interna com o número de linguetas utilizadas para emitir uma nota), mas o pior defeito está nos baixos, que são os botões que ficam do lado. Às vezes a pessoa quer arrumar sozinha e estraga mais ainda. Além disso, os importados têm muito cupim por causa da parte em madeira. Se não tiver cuidado, os bichos comem tudo.”

A habilidade de seu Navarro é reconhecida por quem entende de música. Atualmente ele conserta os instrumentos da Orquestra Sinfônica de São Paulo e do cantor e vice-prefeito de São Bernardo, Frank Aguiar.

Na pequena oficina, mantém tudo arrumado com o mesmo carinho com que dedilha o acordeom. Mesa forrada para não riscar o instrumento é utilizada para mantê-lo aberto enquanto realiza o serviço. Depois de fechado, a superfície é polida manualmente, tecla por tecla. “E não pode usar nenhum produto de limpeza, se não estraga tudo.”

Apesar de ter acordeons para venda, hoje seu Navarro não compra para comercializar. “Não consigo mais contato com o vendedor que me fornecia os instrumentos. Esses que tenho aqui estão todos abaixo do preço e, mesmo assim, não vendem. Ganho no serviço e na mão de obra.”

Para quem já teve uma loja por mais de 20 anos na Santa Efigênia, ele considera o movimento de Santo André fraco. Mas decidiu mudar o comércio para o Grande ABC para ficar próximo de casa, já que também mora na cidade. “Ainda não sei se continuo por aqui ou se volto para lá, mas acho que já estou muito velho. Por via das dúvidas, vou esperar construir o Metrô (monotrilho – Linha 18), então vai ficar pertinho e talvez volte para lá, ou mais clientes venham.”

Paróquia transmite missa pela internet

A Paróquia Nossa Senhora de Fátima fica na Praça do Cruzeiro e tem 54 anos. Toda a estrutura foi construída pelos próprios moradores, primeiramente como capela de madeira na Rua Araguaia. Hoje a igreja passou por reformas e tem capacidade para 800 pessoas sentadas.

O público das missas realizadas nas noites de quarta-feira e aos domingos, porém, é bem maior que esse. Isso porque as celebrações são transmitidas em tempo real pela internet, por meio do site da paróquia.

Conforme explica o pároco da igreja, Renato Souto, 32 anos, as transmissões começaram há cerca de três anos. “Temos uma web TV, nosso site e a revista mensal. Quem cuida disso tudo é a equipe da Pastoral da Comunicação, que é bem animada. A gente percebe que toda semana mais pessoas do Brasil inteiro inteiro e até do Exterior acompanham as missas. E isso tudo é aliado ao trabalho de divulgação nas redes sociais.”

Para se ter noção da força da comunidade na internet, até o fechamento desta edição a página do Facebook da paróquia tinha 7.224 curtidas.

A Semana Nacional da Família, celebrada em abril pela Igreja Católica, também ganhou toque moderno. Após oração feita em uma sexta-feira, as famílias enviaram uma foto junto a um crucifixo pelo Facebook ou WhatsApp. “A gente tenta estimular a criatividade e fazer com que todos participem. Foram mais de 1.000 fotos enviadas no mesmo dia e horário. Foi lindo e especial, é apenas um gesto, mas que marca a participação da comunidade.”

O padre acredita no trabalho das redes sociais a favor da evangelização. “Sentimos isso de forma muito concreta porque, cotidianamente, encontramos pessoas que começaram a participar da paróquia por causa das redes sociais, do site e principalmente pelas transmissões da missa.”

Mesmo assim, padre Renato esclarece que a difusão da fé vai além de compartilhar mensagens e orações. “A melhor forma de evangelizar é propagar sentimentos bons, como ética, moral, respeito pelo próximo, tolerância religiosa e de todas as formas possíveis. Acima de tudo, a melhor evangelização é quando somos capazes de tratar o outro como semelhante. Porque você pode saber 1 milhão de orações, mas se não consegue tratar o próximo de forma igual, essas palavras são somente da boca para fora.”

Os planos da paróquia não param. Até o fim do ano, será lançada no site uma web rádio com programação católica durante todo o dia.

Fraternidade disponibiliza biblioteca

A Fraternidade Antialcoólica e Drogas possui uma das sedes na Rua Egito. Quem precisa de ajuda ou quer apenas bater um papo encontra ali, diariamente, Pedro Gomes, 66 anos, sentado em sua mesa, lendo revistas e livros.

Ele é voluntário há 20 anos e, além de participar das reuniões, é responsável por cuidar do espaço, que conta com biblioteca comunitária. O acervo vai desde clássicos da literatura até livros didáticos, porém, as visitas não correspondem à importância das obras. “Não vem mais quase ninguém aqui. De vez em quando o pessoal que vem nas reuniões leva um ou outro livro e depois devolve, mas de fora não tem mais ninguém mesmo”, disse Gomes.

Tanto que para os exemplares não ficarem empoeirados e expostos ao mofo, os voluntários decidiram doar parte dos livros para um bazar de igreja. “Desde que começou a internet, ninguém mais faz consultas aos livros didáticos. É uma pena acabar com tudo isso, porque essa biblioteca é minha menina dos olhos”, disse outra voluntária, Sebastiana Carrara, 69.

Mesmo assim, seu Pedro faz uso dos volumes enquanto passa as tardes na sede. “Meus temas preferidos são história e política. Acho que já li todas essas enciclopédias e fico muito impressionado com as figuras, as fotos e os detalhes que narram grandes acontecimentos, como as guerras”, afirmou.

Ele também faz questão de participar de todas as reuniões, realizadas às terças e sextas-feiras, às 20h. “Conheci a fraternidade por meio dessas reuniões, porque sofro de alcoolismo. Elas me ajudaram muito. Hoje é uma emoção enorme poder auxiliar outras pessoas a se curarem do mesmo problema que tenho, é gratificante.”

Voluntário há 36 anos, Paulo Carrara, 73, complementa que não é só a pessoa que é salva. “Por meio da conversa, do diálogo, famílias inteiras se veem longe dos males das drogas e do álcool e se reaproximam”, garantiu. 



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