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Indicadores econômicos

Qual o papel dos indicadores econômicos? Por que se utilizam tantos indicadores para avaliar o comportamento da economia?


Sandro Maskio

30/08/2014 | 07:00


Com muita frequência os profissionais da economia são reconhecidos, ou acusados, de trabalhar com uma série de indicadores que mais parecem uma sopa de letrinhas. Do outro lado, o elevado número de indicadores afasta a maioria das pessoas que não conhece suas funções, o que invariavelmente as afasta das discussões qualitativas sobre comportamento da economia. Qual o papel dos indicadores econômicos? Por que se utilizam tantos indicadores para avaliar o comportamento da economia?

A economia é uma ciência humana, e não exata, como alguns acreditam. O desafio está em compreender a dinâmica econômica, o comportamento e as decisões dos agentes que atuam na economia, sejam as empresas, o governo ou os consumidores. Como avaliar as melhores estratégias de competição para determinada empresa? Como definir a melhor estrutura para uma política pública a fim de melhorar a distribuição de renda ou estimular o crescimento? Como avaliar o perfil e as características do comportamento de consumo da sociedade? Estas são algumas das múltiplas questões que precisam ser analisadas para compreender o comportamento a economia.

Entretanto, como avaliá-las? Quais parâmetros utilizá-los? Uma boa análise requer tanto parâmetros qualitativos como quantitativos. Os indicadores econômicos nada mais são que parâmetros quantitativos, sejam estes agregados ou números índices. Um exemplo de indicador é o PIB (Produto Interno Bruto), que analisa o volume de novas riquezas produzidas na economia a partir do valor adicionado nos processos de produção. Ou seja, PIB é uma avaliação do processo de produção, e não da qualidade de vida ou do bem estar da sociedade, como alguns tentam interpretar, embora a expansão da riqueza seja um dos fatores importantes para melhorar o bem estar.

Olhando para a situação econômica do Grande ABC, podemos destacar a evolução de alguns indicadores neste primeiro semestre, para que possamos entender sua importância. No mercado de trabalho, o desemprego teve pequeno aumento no período. Entretanto, o dado mais preocupante é a redução dos empregos na indústria e a queda na massa de salários, apontada não só na pesquisa de emprego e desemprego do Seade/Dieese, como também nos registros do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) do MTE (Ministério do Trabalho e Emprego). Segundo este último, a indústria de transformação da região perdeu mais de 7.000 empregos formais nos primeiros seis meses do ano. Como a redução da massa salarial (total de salários pagos), há um volume de renda menor circulado na economia, no bolso do conjunto de trabalhadores. Com isso, qual impacto deverá se refletir no comércio?

Outro dado importante é a redução do volume de operações de crédito no primeiro semestre de 2014, após um período de desaceleração que já se estendia desde 2012. Com um volume menor de empréstimos, seja pelo aumento da taxa de juros, pela ampliação da inadimplência ou por maior seletividade dos bancos, que efeitos esperamos?

Apenas para pontuar mais um indicador, no primeiro semestre a balança comercial do Grande ABC registrou deficit de US$ 397 milhões, após um déficit de US$ 41 milhões em 2013, o que não ocorria havia mais de dez anos. Em grande parte, este resultado é fruto da queda das exportações do setor automobilístico no primeiro semestre, que se juntou à retração nas vendas de automóveis no mercado interno. Estes indicadores revelam o porquê a indústria da região perdeu elevado número de empregos.

Os indicadores acima já apontam para diminuição da produção, com consequente redução no número de pessoas ocupadas e da massa salarial, ao qual se soma a redução nas operações de crédito. 



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Indicadores econômicos

Qual o papel dos indicadores econômicos? Por que se utilizam tantos indicadores para avaliar o comportamento da economia?

Sandro Maskio

30/08/2014 | 07:00


Com muita frequência os profissionais da economia são reconhecidos, ou acusados, de trabalhar com uma série de indicadores que mais parecem uma sopa de letrinhas. Do outro lado, o elevado número de indicadores afasta a maioria das pessoas que não conhece suas funções, o que invariavelmente as afasta das discussões qualitativas sobre comportamento da economia. Qual o papel dos indicadores econômicos? Por que se utilizam tantos indicadores para avaliar o comportamento da economia?

A economia é uma ciência humana, e não exata, como alguns acreditam. O desafio está em compreender a dinâmica econômica, o comportamento e as decisões dos agentes que atuam na economia, sejam as empresas, o governo ou os consumidores. Como avaliar as melhores estratégias de competição para determinada empresa? Como definir a melhor estrutura para uma política pública a fim de melhorar a distribuição de renda ou estimular o crescimento? Como avaliar o perfil e as características do comportamento de consumo da sociedade? Estas são algumas das múltiplas questões que precisam ser analisadas para compreender o comportamento a economia.

Entretanto, como avaliá-las? Quais parâmetros utilizá-los? Uma boa análise requer tanto parâmetros qualitativos como quantitativos. Os indicadores econômicos nada mais são que parâmetros quantitativos, sejam estes agregados ou números índices. Um exemplo de indicador é o PIB (Produto Interno Bruto), que analisa o volume de novas riquezas produzidas na economia a partir do valor adicionado nos processos de produção. Ou seja, PIB é uma avaliação do processo de produção, e não da qualidade de vida ou do bem estar da sociedade, como alguns tentam interpretar, embora a expansão da riqueza seja um dos fatores importantes para melhorar o bem estar.

Olhando para a situação econômica do Grande ABC, podemos destacar a evolução de alguns indicadores neste primeiro semestre, para que possamos entender sua importância. No mercado de trabalho, o desemprego teve pequeno aumento no período. Entretanto, o dado mais preocupante é a redução dos empregos na indústria e a queda na massa de salários, apontada não só na pesquisa de emprego e desemprego do Seade/Dieese, como também nos registros do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) do MTE (Ministério do Trabalho e Emprego). Segundo este último, a indústria de transformação da região perdeu mais de 7.000 empregos formais nos primeiros seis meses do ano. Como a redução da massa salarial (total de salários pagos), há um volume de renda menor circulado na economia, no bolso do conjunto de trabalhadores. Com isso, qual impacto deverá se refletir no comércio?

Outro dado importante é a redução do volume de operações de crédito no primeiro semestre de 2014, após um período de desaceleração que já se estendia desde 2012. Com um volume menor de empréstimos, seja pelo aumento da taxa de juros, pela ampliação da inadimplência ou por maior seletividade dos bancos, que efeitos esperamos?

Apenas para pontuar mais um indicador, no primeiro semestre a balança comercial do Grande ABC registrou deficit de US$ 397 milhões, após um déficit de US$ 41 milhões em 2013, o que não ocorria havia mais de dez anos. Em grande parte, este resultado é fruto da queda das exportações do setor automobilístico no primeiro semestre, que se juntou à retração nas vendas de automóveis no mercado interno. Estes indicadores revelam o porquê a indústria da região perdeu elevado número de empregos.

Os indicadores acima já apontam para diminuição da produção, com consequente redução no número de pessoas ocupadas e da massa salarial, ao qual se soma a redução nas operações de crédito. 

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