Fechar
Publicidade

Sexta-Feira, 22 de Março

|

Max º Min º
Clima da Região Trânsito Assine Clube do Assinante Diário Virtual Login

|

Importância da paridade do poder de compra

Uma das formas de entender a flutuação cambial é analisar a PPC (Paridade do Poder de Compra)


Elmo Tambosi Filho

16/08/2014 | 07:01


Poucos temas têm provocado tanta controvérsia no Brasil nos últimos tempos como a discussão acerca dos principais fatores que determinam a taxa de câmbio no longo prazo. Uma das formas de entender a flutuação cambial é analisar a PPC (Paridade do Poder de Compra). Assim, a taxa de câmbio à vista entre duas moedas deve se igualar à diferença entre o poder de compra (inflação) dos respectivos países. Nesse prisma, um grande número de estudos vem procurando testar a existência da PPC entre diferentes países, principalmente no histórico recente da economia brasileira.

Com o fim do sistema monetário, conhecido como padrão- ouro na década de 1970, foi quebrado o regime de taxas de câmbio fixas e diversos pesquisadores passaram a adotar a hipótese da PPC. Tais pesquisadores tomam como suposição, no longo prazo, o fato de que a taxa real de câmbio é estável, garantindo a partir daí a condição de equilíbrio. Esse fato indica que o conceito de paridade de poder de compra é utilizado para representar uma condição de equilíbrio para empresas estrangeiras, funcionando assim como hedge (proteção contra flutuações das moedas) para decisões de investimentos em diferentes países.

Essa teoria fortalece e facilita a relação comercial entre países. Mas somente pode ser vista como válida no caso de se considerar um conjunto de bens sujeitos a trocas internacionais, uma vez que ela se baseia na lei do preço único. Na teoria da lei do preço único supõe-se que os bens são idênticos, que os mercados são concorrenciais e livres de custos de transportes e de barreiras alfandegárias. Neste caso, as diferenças nos preços de um determinado bem permitem a realização de lucros: comprando onde é considerado barato e vendendo onde for tido como caro. Assim, a arbitragem levaria a taxa de câmbio nominal para o nível indicado pela PPC.

A teoria estabelece que uma queda no poder de compra interno de uma moeda será ligada a desvalorização proporcional da moeda no mercado cambial. Analogamente, um aumento no poder de compra interno de uma moeda estará ligado a uma valorização proporcional da moeda. Os proponentes da teoria da PPC argumentam, no entanto, que sua validade (em particular, sua validade como teoria de longo prazo) não exige que a lei do preço único se mantenha rigorosamente. Desde os anos 1920, com o fim do padrão-ouro, muitos economistas passaram a adotar a hipótese da paridade do poder de compra, ao qual supõe que, no longo prazo, a taxa de câmbio real tenda para um nível razoavelmente estável que poderia, então, ser chamado de equilíbrio.

Nos últimos anos, o volume de investidores estrangeiros atuantes do mercado de capitais brasileiro aumentou consideravelmente e, ao mesmo tempo, empresas brasileiras passaram a investir no mercado externo através das bolsas de valores, se capitalizando por meio de valores mobiliários estrangeiros. Com a participação das empresas nacionais no mercado externo, as práticas adotadas no Exterior passaram a ser mais transparentes, empregando princípios de governança corporativa. Dessa forma, investidores brasileiros passaram a lidar com acionistas mais exigentes e sofisticados, o que vislumbrou a necessidade de utilização da teoria da PPC como instrumento de previsão de taxa de câmbio para investimentos de longo prazo.

Nos dias de hoje é importante considerar que a utilização dessa teoria auxilia a criação de parâmetros usados no sistema bancário, o que gera aumento da credibilidade e previsibilidade das taxas de câmbio e de juros em nosso País.  



Comentários

Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.

Importância da paridade do poder de compra

Uma das formas de entender a flutuação cambial é analisar a PPC (Paridade do Poder de Compra)

Elmo Tambosi Filho

16/08/2014 | 07:01


Poucos temas têm provocado tanta controvérsia no Brasil nos últimos tempos como a discussão acerca dos principais fatores que determinam a taxa de câmbio no longo prazo. Uma das formas de entender a flutuação cambial é analisar a PPC (Paridade do Poder de Compra). Assim, a taxa de câmbio à vista entre duas moedas deve se igualar à diferença entre o poder de compra (inflação) dos respectivos países. Nesse prisma, um grande número de estudos vem procurando testar a existência da PPC entre diferentes países, principalmente no histórico recente da economia brasileira.

Com o fim do sistema monetário, conhecido como padrão- ouro na década de 1970, foi quebrado o regime de taxas de câmbio fixas e diversos pesquisadores passaram a adotar a hipótese da PPC. Tais pesquisadores tomam como suposição, no longo prazo, o fato de que a taxa real de câmbio é estável, garantindo a partir daí a condição de equilíbrio. Esse fato indica que o conceito de paridade de poder de compra é utilizado para representar uma condição de equilíbrio para empresas estrangeiras, funcionando assim como hedge (proteção contra flutuações das moedas) para decisões de investimentos em diferentes países.

Essa teoria fortalece e facilita a relação comercial entre países. Mas somente pode ser vista como válida no caso de se considerar um conjunto de bens sujeitos a trocas internacionais, uma vez que ela se baseia na lei do preço único. Na teoria da lei do preço único supõe-se que os bens são idênticos, que os mercados são concorrenciais e livres de custos de transportes e de barreiras alfandegárias. Neste caso, as diferenças nos preços de um determinado bem permitem a realização de lucros: comprando onde é considerado barato e vendendo onde for tido como caro. Assim, a arbitragem levaria a taxa de câmbio nominal para o nível indicado pela PPC.

A teoria estabelece que uma queda no poder de compra interno de uma moeda será ligada a desvalorização proporcional da moeda no mercado cambial. Analogamente, um aumento no poder de compra interno de uma moeda estará ligado a uma valorização proporcional da moeda. Os proponentes da teoria da PPC argumentam, no entanto, que sua validade (em particular, sua validade como teoria de longo prazo) não exige que a lei do preço único se mantenha rigorosamente. Desde os anos 1920, com o fim do padrão-ouro, muitos economistas passaram a adotar a hipótese da paridade do poder de compra, ao qual supõe que, no longo prazo, a taxa de câmbio real tenda para um nível razoavelmente estável que poderia, então, ser chamado de equilíbrio.

Nos últimos anos, o volume de investidores estrangeiros atuantes do mercado de capitais brasileiro aumentou consideravelmente e, ao mesmo tempo, empresas brasileiras passaram a investir no mercado externo através das bolsas de valores, se capitalizando por meio de valores mobiliários estrangeiros. Com a participação das empresas nacionais no mercado externo, as práticas adotadas no Exterior passaram a ser mais transparentes, empregando princípios de governança corporativa. Dessa forma, investidores brasileiros passaram a lidar com acionistas mais exigentes e sofisticados, o que vislumbrou a necessidade de utilização da teoria da PPC como instrumento de previsão de taxa de câmbio para investimentos de longo prazo.

Nos dias de hoje é importante considerar que a utilização dessa teoria auxilia a criação de parâmetros usados no sistema bancário, o que gera aumento da credibilidade e previsibilidade das taxas de câmbio e de juros em nosso País.  

Ao acessar você concorda com a nossa Política de Privacidade.


Para continuar, faça o seu login:


  • Aceito receber novidades e ofertas do Diário do Grande ABC e parceiros por
    correio eletrônico, mala direta, SMS ou outros meios de comunicação.


Ou acesse todo o conteúdo de forma ilimitada:

Veja como ter acesso a todo o conteúdo de forma ilimitada:

Copyright © 1995-2017 - Todos direitos reservados

;