O órgão da ONU destaca os investimentos em software porque eles são, segundo o estudo, os que oferecem maior potencial de crescimento e de impacto na economia dos países emergentes. Para os pesquisadores, incentivo a software livres e maior acesso à banda larga, por exemplo, afetam diretamente o desenvolvimento dos países. Hardware, telefonia e internet também são considerados TIC. "Estes últimos são setores já bastante desenvolvidos, por isso a Unctad destaca que a oportunidade está nos softwares", explica Alexandre Barbosa, conselheiro do Centro de Estudos sobre as Tecnologias da Informação e da Comunicação (CETIC.br), que participou da divulgação do estudo, em São Paulo.
O documento conclui que o Brasil, apesar do gasto em TI relativamente alto como porcentagem do PIB para a região, tem potencial inexplorado para exportação de software. Segundo o dado mais recente disponível, o País exportou US$ 1,6 bilhão em softwares em 2009, número bastante inferior ao de outros Brics, como a Índia (US$ 33,8 bilhões) e a China (US$ 9,2 bilhões). O valor brasileiro também fica abaixo do obtido pelas Filipinas (US$ 2,1 bilhões) e por Cingapura (US$ 1,7 bilhão).
Demanda
Barbosa destaca que, além do potencial inexplorado para exportação, o Brasil também tem uma forte demanda interna que não é plenamente atendida. "Há uma carência forte de mão de obra qualificada nesse setor e nós deixamos de produzir; importamos muito software", comenta. O conselheiro do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), Carlos Afonso, completa que o País tem expertise em determinados tipos de software e que, por sua qualidade, eles poderiam ser mais exportados. Ele destaca a produção de softwares embarcados, que funcionam dentro de aparelhos como roteadores, calculadoras e eletrodomésticos.
O estudo destaca que, como um todo, a indústria do software na América Latina é bem menos desenvolvida do que em outras regiões do mundo. Do total de US$ 1,2 trilhão gasto em diferentes países com softwares e serviços, apenas 2% vieram do continente sul-americano. "Na América Latina, a maior parte das agendas não destaca suficientemente a necessidade de coordenar e disseminar o uso de TICs com promoção de desenvolvimento de softwares locais, de aplicativos e da indústria de serviços digitais", diz o texto da Unctad.
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