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Bebê morre baleado em São Bernardo

Criminosos atiraram em carro onde estava o menino durante fuga de tentativa de execução


Rafael Ribeiro
do Diário do Grande ABC

17/11/2012 | 07:00


Um menino de 1 ano e oito meses morreu na noite de quinta-feira com um tiro no pescoço durante fuga de dois criminosos em um Palio prata após tentativa de execução de adolescente de 17 anos na Estrada Galvão Bueno, no Jardim Represa, em São Bernardo.

Pedro Henrique Patrocínio Manga estava no colo da mãe, a cabeleireira Tamyres Santos Silva Manga, 22, no banco do passageiro do Celta preto do namorado, Jurandy Luis da Silva, 20. Iam comer em uma lanchonete próxima quando foram surpreendidos pela aproximação em alta velocidade do Palio, por volta das 22h30. Quando os suspeitos fizeram a ultrapassagem, um deles atirou três vezes contra o para-brisa, acertando a criança.

A dupla fugia de outro crime, cometido pouco antes, na mesma via. O adolescente estava no portão de sua casa com parentes, a namorada e um vizinho quando um dos homens desceu do carro e atirou. A bala acertou de raspão a cabeça. A arma travou no momento do segundo disparo, evitando a execução.

As duas vítimas foram socorridas à UPA (Unidade de Pronto Atendimento) Demarchi, mas Pedro não resistiu ao ferimento. "Ele acabou com a estrutura da minha família", disse o avô, o motorista José do Patrocínio da Silva, 53, durante o enterro da criança, no Cemitério Vale da Paz, em Diadema. Cerca de 200 pessoas estavam no cortejo, entre parentes e vizinhos. Chocados, afirmaram não acreditar na eficácia da Justiça.

"É ruim saber que isso não vai dar em nada. Não existe lei. Eu gostaria que a Justiça agisse, mas não confio. A polícia pode até prender (os responsáveis), mas sabemos que eles pagam fiança e saem", desabafou Silva.

A emoção de enterrar o filho foi demais para Tamyres. Chorando, precisou ser amparada diversas vezes. "Não aguento mais tudo isso. Não quero viver nesse mundo sem o meu filho", gritava enquanto o caixão era sepultado.

Na quinta-feira, Pedro passou o dia todo em casa, uma das quatro construídas no mesmo quintal, onde moravam parentes da cabeleireira. "Era uma criança alegre, contente. Quando nos abraçava, não queria mais sair do nosso colo", relembrou o avô.

O choque pela tragédia ainda era tão grande ontem que a família criava coragem para entrar no quarto do menino. Silva tentava levantar o ânimo dos familiares após a morte do neto caçula, mas sabe que o tempo para curar as dores será longo. "Como explicar algo assim? Não tenho como colocar algo na cabeça. Ele (Pedro) era tudo para mim. A população está perdida. Não tem mais como se defender."

Polícia não identifica suspeitos do crime

O setor de investigação do 3º DP (Assunção) de São Bernardo, onde o caso foi registrado, ainda não tinha nenhum suspeito de ser o autor do disparo que matou Pedro Henrique Manga até a noite de ontem. Os trabalhos serão conduzidos junto com a Delegacia de Homicídios.

O primeiro passo será esclarecer qual o motivo que levou os homens a tentarem assassinar o adolescente. Segundo informações da Polícia Civil, ele tinha passagens pela Fundação Casa da cidade, de onde teria saído há pouco tempo.

O jovem seguia internado na noite de ontem no Pronto-Socorro Central da cidade, para onde foi transferido. Consciente e recuperado, pode receber alta médica. Sua namorada, Aline Pereira dos Santos, 20, disse que não conseguiu dormir.

"Se a arma não tivesse falhado, eu teria morrido", afirmou. Segundo ela, todos estavam distraídos conversando e não perceberam quando o homem desceu do carro e atirou. "Ele não tinha brigado com ninguém, não tinha nenhuma rixa. Não tive coragem nem de olhar na cara (do atirador). Só sentei na calçada e rezei por minha vida", disse.



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