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Ela anda meio caída

Não, não é questão de pesquisa: pela pesquisa, Dilma Rousseff caiu, Aécio Neves subiu, mas a presidente continua favoritíssima


Carlos Brickmann
Para o Diário do Grande ABC

29/04/2014 | 23:27


Não, não é questão de pesquisa: pela pesquisa, Dilma Rousseff caiu, Aécio Neves subiu, mas a presidente continua favoritíssima. A questão é outra: é o discreto afastamento de sua candidatura de políticos cujo faro, por questão de sobrevivência, é apurado. Eles sentem antes de todos quem vai nomear e demitir no próximo governo.

Romero Jucá, que foi líder do governo tanto de Fernando Henrique Cardoso quanto de Lula, expoente da equipe de raposas predadoras do PMDB, já está na oposição – Aécio ou Eduardo Campos, tanto faz, mas com quem estiver na frente. O PR, do mensaleiro preso Valdemar Costa Neto, decidiu romper com o governo (sem, naturalmente, abandonar os cargos que ocupa). O líder da bancada, deputado Bernardo Santana, tirou o retrato de Dilma da parede e colocou o de Lula. Com Lula, diz, o PR marcha. Com Dilma, nem sonhar (a menos, claro, que ela exiba maior musculatura eleitoral). O PMDB apoia Dilma, mas importantes seções estaduais – como a do Rio de Janeiro – vão para a oposição. E o cacique-mor do PSD, Gilberto Kassab, comprometido com a reeleição, negocia em São Paulo com PSDB e PMDB, e liberou as seções estaduais para que apoiem quem quiserem para a Presidência.

O usineiro Maurílio Biagi entrou no PR com o compromisso de ser vice de Alexandre Padilha, candidato do PT ao governo paulista. Já desistiu: disse que o agronegócio vai mal, que a culpa é de Dilma e que fará campanha para candidatos de oposição. A coisa pode mudar se o candidato for Lula (a colunista Joyce Pascowitch garante que Lula já decidiu disputar). Mas, se isso demorar, desanda.

Gente é pra brilhar...
A sacada do lateral Daniel Alves, da Seleção Brasileira, de comer a banana que um idiota atirou em campo, teve efeito-cascata instantâneo: despertou a opinião pública para a tragédia do racismo no futebol. É ótimo, mas tardio. No futebol brasileiro, por exemplo, o racismo é antigo e já foi bem mais explícito. O Palmeiras só contratou o primeiro jogador negro, o volante Og Moreira, em 1942, 28 anos após a fundação do clube (o segundo negro, Djalma Santos, viria em 1959, dez anos após a saída de Og Moreira). O time do Santos era conhecido como “Melindrosas”, por jogar todo de branco e não aceitar negros no elenco – justo o Santos, que teria Pelé, Coutinho e Edu! O Fluminense, fundado em 1902, contratou em 1914 um mulato, Carlos Alberto – e, para disfarçar, fez com que entrasse em campo coberto com pó-de-arroz. Valeu até que começasse a transpirar; o Flu ganhou o apelido que ostenta até hoje, “pó de arroz”. E a Seleção?

...não pra ser insultada
Depois que o Brasil perdeu para o Uruguai em 1950, no Maracanã, surgiu a lenda de que negro não tinha condições emocionais de aguentar a pressão de uma final. À Seleção, “faltava raça”. Em 1958, houve vários negros convocados, mas os brancos eram preferidos: De Sordi, grande jogador, pôs Djalma Santos, muito melhor, na reserva; Zózimo perdeu o posto para Orlando (que, aliás, jogou um bolão); o mulato Canhoteiro nem foi cogitado para a ponta-esquerda. Didi era titular, mas seu reserva Moacir também era negro. Pelé era Pelé. Djalma Santos jogou só a final, e foi considerado o melhor lateral do mundo. Pelé e Didi liquidaram o mito. Pelé – o Crioulo, o Negrão, o Craque-Café – era indiscutível. Morreu ali, nos campos da Suécia, a discriminação no time campeão do mundo.

Paga quem deve
O TCU (Tribunal de Contas da União) determinou que o senador Delcídio Amaral, do PT sul-mato-grossense, 12 diretores da Petrobras e a empresa Termoceará Ltda devolvam R$ 14 milhões. Motivo: responsabilidade por contratos “expressivamente desfavoráveis à Petrobras”. Delcídio está citado juntamente com Nestor Cerveró, aquele que, segundo Dilma, apresentou parecer falho no caso Pasadena.

Tem mais samba
Fala-se do cartel do Metrô e dos trens urbanos, fala-se de pagamento de propina, mas algo que não pode ser esquecido está ficando de fora. Comenta-se que equipamentos auxiliares de estações, como escadas rolantes e elevadores, merecem investigações tanto nas licitações e nas compras quanto nas especificações. Os sobrepreços, pelos padrões brasileiros, nem são tão grandes: uns 40%.

Nova luz
As lâmpadas comuns saíram de linha. A Osram lança sua alternativa às lâmpada eletrônicas: as de LED, modernas, de luz mais parecida com as tradicionais. 



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Ela anda meio caída

Não, não é questão de pesquisa: pela pesquisa, Dilma Rousseff caiu, Aécio Neves subiu, mas a presidente continua favoritíssima

Carlos Brickmann
Para o Diário do Grande ABC

29/04/2014 | 23:27


Não, não é questão de pesquisa: pela pesquisa, Dilma Rousseff caiu, Aécio Neves subiu, mas a presidente continua favoritíssima. A questão é outra: é o discreto afastamento de sua candidatura de políticos cujo faro, por questão de sobrevivência, é apurado. Eles sentem antes de todos quem vai nomear e demitir no próximo governo.

Romero Jucá, que foi líder do governo tanto de Fernando Henrique Cardoso quanto de Lula, expoente da equipe de raposas predadoras do PMDB, já está na oposição – Aécio ou Eduardo Campos, tanto faz, mas com quem estiver na frente. O PR, do mensaleiro preso Valdemar Costa Neto, decidiu romper com o governo (sem, naturalmente, abandonar os cargos que ocupa). O líder da bancada, deputado Bernardo Santana, tirou o retrato de Dilma da parede e colocou o de Lula. Com Lula, diz, o PR marcha. Com Dilma, nem sonhar (a menos, claro, que ela exiba maior musculatura eleitoral). O PMDB apoia Dilma, mas importantes seções estaduais – como a do Rio de Janeiro – vão para a oposição. E o cacique-mor do PSD, Gilberto Kassab, comprometido com a reeleição, negocia em São Paulo com PSDB e PMDB, e liberou as seções estaduais para que apoiem quem quiserem para a Presidência.

O usineiro Maurílio Biagi entrou no PR com o compromisso de ser vice de Alexandre Padilha, candidato do PT ao governo paulista. Já desistiu: disse que o agronegócio vai mal, que a culpa é de Dilma e que fará campanha para candidatos de oposição. A coisa pode mudar se o candidato for Lula (a colunista Joyce Pascowitch garante que Lula já decidiu disputar). Mas, se isso demorar, desanda.

Gente é pra brilhar...
A sacada do lateral Daniel Alves, da Seleção Brasileira, de comer a banana que um idiota atirou em campo, teve efeito-cascata instantâneo: despertou a opinião pública para a tragédia do racismo no futebol. É ótimo, mas tardio. No futebol brasileiro, por exemplo, o racismo é antigo e já foi bem mais explícito. O Palmeiras só contratou o primeiro jogador negro, o volante Og Moreira, em 1942, 28 anos após a fundação do clube (o segundo negro, Djalma Santos, viria em 1959, dez anos após a saída de Og Moreira). O time do Santos era conhecido como “Melindrosas”, por jogar todo de branco e não aceitar negros no elenco – justo o Santos, que teria Pelé, Coutinho e Edu! O Fluminense, fundado em 1902, contratou em 1914 um mulato, Carlos Alberto – e, para disfarçar, fez com que entrasse em campo coberto com pó-de-arroz. Valeu até que começasse a transpirar; o Flu ganhou o apelido que ostenta até hoje, “pó de arroz”. E a Seleção?

...não pra ser insultada
Depois que o Brasil perdeu para o Uruguai em 1950, no Maracanã, surgiu a lenda de que negro não tinha condições emocionais de aguentar a pressão de uma final. À Seleção, “faltava raça”. Em 1958, houve vários negros convocados, mas os brancos eram preferidos: De Sordi, grande jogador, pôs Djalma Santos, muito melhor, na reserva; Zózimo perdeu o posto para Orlando (que, aliás, jogou um bolão); o mulato Canhoteiro nem foi cogitado para a ponta-esquerda. Didi era titular, mas seu reserva Moacir também era negro. Pelé era Pelé. Djalma Santos jogou só a final, e foi considerado o melhor lateral do mundo. Pelé e Didi liquidaram o mito. Pelé – o Crioulo, o Negrão, o Craque-Café – era indiscutível. Morreu ali, nos campos da Suécia, a discriminação no time campeão do mundo.

Paga quem deve
O TCU (Tribunal de Contas da União) determinou que o senador Delcídio Amaral, do PT sul-mato-grossense, 12 diretores da Petrobras e a empresa Termoceará Ltda devolvam R$ 14 milhões. Motivo: responsabilidade por contratos “expressivamente desfavoráveis à Petrobras”. Delcídio está citado juntamente com Nestor Cerveró, aquele que, segundo Dilma, apresentou parecer falho no caso Pasadena.

Tem mais samba
Fala-se do cartel do Metrô e dos trens urbanos, fala-se de pagamento de propina, mas algo que não pode ser esquecido está ficando de fora. Comenta-se que equipamentos auxiliares de estações, como escadas rolantes e elevadores, merecem investigações tanto nas licitações e nas compras quanto nas especificações. Os sobrepreços, pelos padrões brasileiros, nem são tão grandes: uns 40%.

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