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Bater não educa

Crami realiza média de 40 atendimentos diários de casos de violência infantil em três cidades da região


Natália Fernandjes
Do Diário do Grande ABC

19/04/2014 | 07:00


Diariamente, o Crami (Centro Regional de Atenção aos Maus-tratos na Infância) realiza média de 40 atendimentos de familiares, vítimas e agressores das diversas formas de violência existentes nas três cidades em que atua: Santo André, São Bernardo e Diadema. O número expressivo traz à tona a necessidade de se romper com uma cultura socialmente instalada no País, que ainda aceita a violência como forma de punição ou tentativa de educar crianças.

De acordo com a coordenadora técnica do Crami, Lígia Vezzaro Caravieri, uma das principais dificuldades observadas atualmente é a visão social de que a violência doméstica por parte da família contra a criança é normal. Em 2012, o órgão atendeu 107 casos de agressão física e 29 de violência psicológica, enquanto em 2013 foram 74 e 17, respectivamente. No ano passado, o serviço realizou 13.823 atendimentos e atualmente, 474 famílias estão sendo acompanhadas.

Conforme explica o presidente da comissão da Infância e Juventude da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) São Bernardo e membro do Condeca (Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente), Ariel de Castro Alves, as pessoas de quem as crianças mais dependem e em quem confiam (geralmente pais e mães) muitas vezes são os principais responsáveis pelas agressões. “Temos vários fatores que contribuem para isso, como o fato de crianças serem tratadas como objetos dos adultos, e não como sujeitos de direitos, a tradição brasileira de que só se impõem limites através de agressões, além dos problemas relacionados à desagregação familiar em razão da vulnerabilidade social.”

Para o psiquiatra do Prove/Unifesp (Programa de Atendimento e Pesquisa em Violência da Universidade Federal de São Paulo), Paulo Menezes, apesar de as pessoas estarem denunciando e procurando mais ajuda atualmente, a sociedade está longe de conhecer o verdadeiro problema. “É preciso ter garantido o acesso e a segurança para poder pedir ajuda, porém, vemos um organograma de sofrimento e incompreensão.”

Geralmente, as famílias são encaminhadas ao serviço de assistência pelo Creas (Centro de Referência Especializado de Assistência Social) ou conselhos tutelares via denúncia. Com isso, existe dificuldade em se criar vínculos, destaca Lígia. “É um processo árduo porque as famílias não querem estar aqui e nem que um estranho interfira na maneira com que os filhos são educados”, ressalta.

Segundo Ariel, as situações de violência doméstica são mais denunciadas no caso das famílias mais pobres, até porque as formas de moradia facilitam que vizinhos saibam o que ocorre nas casas próximas. “Mas nas famílias de classes mais abastadas esses casos também ocorrem e, quando são descobertos, pode ser tarde, como ocorreu no caso da morte da menina Isabela Nardoni (2008), na Capital, que chocou o País”, lembra.

Família precisa de cuidado, dizem especialistas

De acordo com os especialistas ouvidos pelo Diário, a criminalização do ato de violência não basta como forma de resolver o problema. O atendimento a toda a família é visto como a melhor maneira de solucionar os casos.

“Muitos desses pais reproduzem a forma como foram tratados no passado pelos seus familiares, sofrendo abusos e violência. Alguns não possuem nenhum apoio do poder público, seja educacional ou com relação a atendimento, orientações, acompanhamento e assistência psicossocial e jurídica”, considera Ariel de Castro Alves.

“Não podemos simplesmente culpar sem compreender o sofrimento, porque em muitos casos a vítima pode se tornar um agressor”, explica Paulo Menezes. De acordo com o psiquiatra infantil, num momento de crise, o agressor tem dificuldade de aceitar ajuda por não enxergar que está precisando.

O papel do Crami (Centro Regional de Atenção aos Maus-tratos na Infância), segundo Lígia Vezzaro Caravieri, é de quebrar o ciclo da violência sem apontar o dedo ou punir. “Prestamos atendimento psicológico e apoio não só à vítima, mas também ao agressor”, diz a coordenadora técnica do órgão. Em geral, as famílias permanecem em tratamento por um ano e meio.

PREVENÇÃO

Além disso, Lígia esclarece que o trabalho de prevenção é fundamental. “Vamos até as comunidades e nos reunimos com a população para conversar sobre o tema. Também capacitamos profissionais da Saúde sobre como observar e encaminhar os casos de violência contra menores”, diz. Somando os anos de 2012 e 2013, o serviço atingiu público de 5.352 pessoas em ações preventivas. 



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