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(Des)emprego na indústria

Segundo pesquisa do Seade/Dieese elevação do desemprego no Grande ABC em fevereiro ficou em 10,3%


Sandro Maskio

12/04/2014 | 07:07


A pesquisa realizada pelo Seade/Dieese apontou elevação do desemprego no Grande ABC em fevereiro, que ficou em 10,3% da PEA (População Economicamente Ativa). A série histórica da pesquisa revela que o total de empregados na indústria de transformação apresentou pequena tendência de queda entre o início do ano de 2011 e 2014.

Analisando os dados da Rais (Relação Anual de Informações sociais) e do Caged (Cadastro Geral de Empregos e Desemprego), divulgados pelo MTE, o mercado formal de trabalho da região também vem apresentando redução no número de empregados desde 2011, após um ciclo de ampliação do emprego no setor que marcou o ano de 2010.

Este triênio de estagnação do mercado de trabalho industrial acende uma pequena luz amarela. O mercado de trabalho reflete o ritmo da atividade produtiva, em seus diferentes ajustes temporais. No curto prazo, a ampliação do ritmo da produção inevitavelmente amplia a necessidade de contratação de trabalhadores, a não ser que alguma empresa os tenha ociosos em suas equipes, o que não é comum. No longo prazo, a incorporação e a evolução da tecnologia possibilita a ampliação da produção, ainda que sem a necessidade de contratação, ou até com redução do número de trabalhadores.

Nas últimas décadas, a dinâmica do mercado de trabalho do Grande ABC alterou-se intensamente, acompanhando as mudanças ocorridas na estrutura produtiva da região após 1990. Com a abertura econômica, a economia brasileira saiu de uma estrutura fechada e de baixa competição para um mercado aberto, com amplas possibilidades de comercialização com parceiros mundiais, ampliando o grau de competição. Neste novo cenário, as empresas tiveram de readequar suas estratégias e estruturas produtivas, a fim de tornarem-se mais competitivas.

Dentre as ações tomadas pelas empresas, merecem destaque: concentração das atividades industriais em seus respectivos ramos de especialidade; transferência de diversas atividades a empresas parceiras (ou terceirizadas); incorporação e modernização tecnológica; revisão e atualização dos modelos de gestão.

Dados da Rais mostram que, em 1990, o setor da indústria de transformação era o maior empregador do Grande ABC, sendo responsável por 55,6% dos empregos formais na região, enquanto o setor de serviços gerava 21,19% dos postos formais de trabalho.

Com a reorganização produtiva, o setor de serviços ampliou sua participação, equiparando-se ao segmento na geração de empregos no fim da década de 1990, e ultrapassando-a na primeira década deste século. Segundo pesquisa realizada no Observatório Econômico da Universidade Metodista de São Paulo, entre 1990 e 2009 a indústria da região perdeu 49.630 empregos, tendo como base as informações da Rais.

Os subsetores que mais perderam foram a indústria de transporte, mecânica, eletrônica, têxtil e química. Do outro lado, o setor de serviços foi o que mais gerou empregos no período, 171.957, sendo a metade destes gerado no subsetor de serviços administrativos, técnicos e profissionais, evidenciando o processo de reestruturação e transferência de várias atividades para prestadores de serviços, tanto na área técnica quando administrativa.

Diante deste cenário, passou-se a questionar se os principais componentes do produto final da economia do Grande ABC deixaram de estar vinculados à indústria, ou se a atividade reorganizou seu modo de produção, mantendo como carro-chefe os mesmos produtos finais. Ao longo da primeira década deste século, o mercado de trabalho voltou a crescer juntamente com a atividade econômica, com a importante participação do setor industrial, que gerou aproximadamente 51 mil empregos formais entre 2002 e 2009 na região. Sem entrar na discussão sobre a natureza das mudanças no perfil produtivo local, é importante ressaltar que as retrações recentes observadas nos empregos industriais advêm, em grande parte, da baixa competitividade das empresas locais frente aos fornecedores internacionais.
 



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(Des)emprego na indústria

Segundo pesquisa do Seade/Dieese elevação do desemprego no Grande ABC em fevereiro ficou em 10,3%

Sandro Maskio

12/04/2014 | 07:07


A pesquisa realizada pelo Seade/Dieese apontou elevação do desemprego no Grande ABC em fevereiro, que ficou em 10,3% da PEA (População Economicamente Ativa). A série histórica da pesquisa revela que o total de empregados na indústria de transformação apresentou pequena tendência de queda entre o início do ano de 2011 e 2014.

Analisando os dados da Rais (Relação Anual de Informações sociais) e do Caged (Cadastro Geral de Empregos e Desemprego), divulgados pelo MTE, o mercado formal de trabalho da região também vem apresentando redução no número de empregados desde 2011, após um ciclo de ampliação do emprego no setor que marcou o ano de 2010.

Este triênio de estagnação do mercado de trabalho industrial acende uma pequena luz amarela. O mercado de trabalho reflete o ritmo da atividade produtiva, em seus diferentes ajustes temporais. No curto prazo, a ampliação do ritmo da produção inevitavelmente amplia a necessidade de contratação de trabalhadores, a não ser que alguma empresa os tenha ociosos em suas equipes, o que não é comum. No longo prazo, a incorporação e a evolução da tecnologia possibilita a ampliação da produção, ainda que sem a necessidade de contratação, ou até com redução do número de trabalhadores.

Nas últimas décadas, a dinâmica do mercado de trabalho do Grande ABC alterou-se intensamente, acompanhando as mudanças ocorridas na estrutura produtiva da região após 1990. Com a abertura econômica, a economia brasileira saiu de uma estrutura fechada e de baixa competição para um mercado aberto, com amplas possibilidades de comercialização com parceiros mundiais, ampliando o grau de competição. Neste novo cenário, as empresas tiveram de readequar suas estratégias e estruturas produtivas, a fim de tornarem-se mais competitivas.

Dentre as ações tomadas pelas empresas, merecem destaque: concentração das atividades industriais em seus respectivos ramos de especialidade; transferência de diversas atividades a empresas parceiras (ou terceirizadas); incorporação e modernização tecnológica; revisão e atualização dos modelos de gestão.

Dados da Rais mostram que, em 1990, o setor da indústria de transformação era o maior empregador do Grande ABC, sendo responsável por 55,6% dos empregos formais na região, enquanto o setor de serviços gerava 21,19% dos postos formais de trabalho.

Com a reorganização produtiva, o setor de serviços ampliou sua participação, equiparando-se ao segmento na geração de empregos no fim da década de 1990, e ultrapassando-a na primeira década deste século. Segundo pesquisa realizada no Observatório Econômico da Universidade Metodista de São Paulo, entre 1990 e 2009 a indústria da região perdeu 49.630 empregos, tendo como base as informações da Rais.

Os subsetores que mais perderam foram a indústria de transporte, mecânica, eletrônica, têxtil e química. Do outro lado, o setor de serviços foi o que mais gerou empregos no período, 171.957, sendo a metade destes gerado no subsetor de serviços administrativos, técnicos e profissionais, evidenciando o processo de reestruturação e transferência de várias atividades para prestadores de serviços, tanto na área técnica quando administrativa.

Diante deste cenário, passou-se a questionar se os principais componentes do produto final da economia do Grande ABC deixaram de estar vinculados à indústria, ou se a atividade reorganizou seu modo de produção, mantendo como carro-chefe os mesmos produtos finais. Ao longo da primeira década deste século, o mercado de trabalho voltou a crescer juntamente com a atividade econômica, com a importante participação do setor industrial, que gerou aproximadamente 51 mil empregos formais entre 2002 e 2009 na região. Sem entrar na discussão sobre a natureza das mudanças no perfil produtivo local, é importante ressaltar que as retrações recentes observadas nos empregos industriais advêm, em grande parte, da baixa competitividade das empresas locais frente aos fornecedores internacionais.
 

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