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Morador de S.Bernardo conduziu plano
de proteção de avião de Jango a Brizola

Stefan Jucewicz levou para Porto Alegre planejamento de resistência contra golpe militar


Cynthia Tavares
Do Diário do Grande ABC

31/03/2014 | 07:00


Morador de São Bernardo, Stefan Jucewicz tinha 20 anos quando recebeu ordem que ele guardaria a sete chaves por muitos anos. No dia 1º de abril de 1964, o soldado da Aeronáutica foi até Porto Alegre para entregar ao deputado federal Leonel Brizola plano de proteção ao avião do presidente João Goulart, que sairia da capital gaúcha e iria para Brasília tentar impedir o domínio dos militares.

Jango, no mesmo dia, havia saído do Rio de Janeiro para Brasília se reunir com aliados para articular sua permanência no poder. A ida à capital federal contrariou orientação de sua base de apoio, que sugeriu ao presidente ficar em Porto Alegre, onde havia grupo de resistência já estruturado e liderado por Brizola.

A viagem à capital gaúcha aconteceu horas após o encontro com aliados em Brasília. Jango desembarcou em Porto Alegre já com planejamento de retorno. A ideia era levar o presidente no dia 2 de abril e duelar pelo poder com militares.

Foi então que Jucewicz foi acionado. Ele teve de levar, para Brizola, plano de voo de Jango para Brasília, com alternativas de pouso. Havia temor que a aeronave presidencial fosse abatida durante o trajeto.

Seguindo ordens superiores, Jucewicz saiu na surdina, pegou táxi e foi parar na casa do brigadeiro Ricardo Nicoll, um dos militares de confiança de Jango. “Me falaram que era missão supersecreta e, se por acaso tentassem me pegar, era para rasgar os documentos. Precisava chegar em Porto Alegre naquele mesmo dia e entregar isso para o Brizola de qualquer jeito”, contou.

Jucewicz desembarcou em sua cidade natal, que se transformou em foco da resistência aos militares. Iniciou tratativas para entregar o documento a Brizola. O intermediário foi o vice-prefeito de Porto Alegre, Ajadil de Lemos. Para voltar ao Rio sem levantar suspeitas, Jucewicz foi para o hospital militar em Canoas, pois estava com febres frequentes.

Apesar de toda estratégia, o esforço de Jucewicz foi em vão. Jango não quis utilizar poderio bélico na disputa contra militares e, em vez de ir para Brasília, se exilou no Uruguai.

Em 1968, o brigadeiro João Burnier começou a investigar o episódio. Pressionado, Jucewicz saiu da FAB (Força Aérea Brasileira) e seguiu carreira como empresário. Há dez anos desembarcou em São Bernardo ao casar-se com moradora do município.

Relatório diz que JK foi assassinado

Relatório elaborado pela Comissão da Verdade na Capital afirma que o ex-presidente Juscelino Kubitschek foi vítima de atentado, num acidente proposital de carro.

Os parlamentares ouviram 12 pessoas envolvidas no suposto acidente e chegaram à conclusão de que os laudos periciais foram fraudados para reforçar a tese acidental do episódio. JK morreu no dia 22 de agosto de 1976, após seu carro bater numa carreta, tendo sido fechado por ônibus.

O motorista aposentado Ademar Jahn declarou à comissão que viu Geraldo Ribeiro, motorista do ex-presidente, “debruçado, com a cabeça caída entre o volante e a porta do automóvel”. De acordo com a testemunha, o condutor estava nitidamente desacordado e inconsciente.

O estudo da Comissão da Verdade considerou que as investigações mostraram que veículo emparelhou com o carro de JK e disparou um tiro na cabeça de Ribeiro. Passageiros do ônibus envolvido na colisão relatam que notaram “um clarão” sob o automóvel do ex-presidente.

O perito criminal Alberto Carlos de Minas relatou que foi impedido de fotografar o crânio de Ribeiro e alegou ter visto furo com características de projétil de arma de fogo na cabeça do motorista. “A perícia, feita 20 anos depois, achou fragmento de metal e falou que era o prego do caixão”, relatou o vereador Gilberto Natalini (PV), presidente da comissão.

As fotos dos cadáveres, que poderiam ajudar a desvendar o mistério, não foram anexadas ao processo. Em laudo obtido pelos parlamentares, o perito criminal Haroldo Ferraz anotou que as imagens não foram anexadas “acolhendo à recomendação de ordem superior.”

Natalini aguarda resposta da Presidência da República, local para onde o estudo foi enviado. “O País tem de reconhecer que o Juscelino foi morto. Ele foi vítima de atentado”, salientou o parlamentar.

No ano passado, o corpo de Jango foi exumado para nova perícia. Ele morreu de infarto quatro meses depois de JK, quando estava exilado na Argentina. A família acredita que ele possa ter sido envenenado.



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Morador de S.Bernardo conduziu plano
de proteção de avião de Jango a Brizola

Stefan Jucewicz levou para Porto Alegre planejamento de resistência contra golpe militar

Cynthia Tavares
Do Diário do Grande ABC

31/03/2014 | 07:00


Morador de São Bernardo, Stefan Jucewicz tinha 20 anos quando recebeu ordem que ele guardaria a sete chaves por muitos anos. No dia 1º de abril de 1964, o soldado da Aeronáutica foi até Porto Alegre para entregar ao deputado federal Leonel Brizola plano de proteção ao avião do presidente João Goulart, que sairia da capital gaúcha e iria para Brasília tentar impedir o domínio dos militares.

Jango, no mesmo dia, havia saído do Rio de Janeiro para Brasília se reunir com aliados para articular sua permanência no poder. A ida à capital federal contrariou orientação de sua base de apoio, que sugeriu ao presidente ficar em Porto Alegre, onde havia grupo de resistência já estruturado e liderado por Brizola.

A viagem à capital gaúcha aconteceu horas após o encontro com aliados em Brasília. Jango desembarcou em Porto Alegre já com planejamento de retorno. A ideia era levar o presidente no dia 2 de abril e duelar pelo poder com militares.

Foi então que Jucewicz foi acionado. Ele teve de levar, para Brizola, plano de voo de Jango para Brasília, com alternativas de pouso. Havia temor que a aeronave presidencial fosse abatida durante o trajeto.

Seguindo ordens superiores, Jucewicz saiu na surdina, pegou táxi e foi parar na casa do brigadeiro Ricardo Nicoll, um dos militares de confiança de Jango. “Me falaram que era missão supersecreta e, se por acaso tentassem me pegar, era para rasgar os documentos. Precisava chegar em Porto Alegre naquele mesmo dia e entregar isso para o Brizola de qualquer jeito”, contou.

Jucewicz desembarcou em sua cidade natal, que se transformou em foco da resistência aos militares. Iniciou tratativas para entregar o documento a Brizola. O intermediário foi o vice-prefeito de Porto Alegre, Ajadil de Lemos. Para voltar ao Rio sem levantar suspeitas, Jucewicz foi para o hospital militar em Canoas, pois estava com febres frequentes.

Apesar de toda estratégia, o esforço de Jucewicz foi em vão. Jango não quis utilizar poderio bélico na disputa contra militares e, em vez de ir para Brasília, se exilou no Uruguai.

Em 1968, o brigadeiro João Burnier começou a investigar o episódio. Pressionado, Jucewicz saiu da FAB (Força Aérea Brasileira) e seguiu carreira como empresário. Há dez anos desembarcou em São Bernardo ao casar-se com moradora do município.

Relatório diz que JK foi assassinado

Relatório elaborado pela Comissão da Verdade na Capital afirma que o ex-presidente Juscelino Kubitschek foi vítima de atentado, num acidente proposital de carro.

Os parlamentares ouviram 12 pessoas envolvidas no suposto acidente e chegaram à conclusão de que os laudos periciais foram fraudados para reforçar a tese acidental do episódio. JK morreu no dia 22 de agosto de 1976, após seu carro bater numa carreta, tendo sido fechado por ônibus.

O motorista aposentado Ademar Jahn declarou à comissão que viu Geraldo Ribeiro, motorista do ex-presidente, “debruçado, com a cabeça caída entre o volante e a porta do automóvel”. De acordo com a testemunha, o condutor estava nitidamente desacordado e inconsciente.

O estudo da Comissão da Verdade considerou que as investigações mostraram que veículo emparelhou com o carro de JK e disparou um tiro na cabeça de Ribeiro. Passageiros do ônibus envolvido na colisão relatam que notaram “um clarão” sob o automóvel do ex-presidente.

O perito criminal Alberto Carlos de Minas relatou que foi impedido de fotografar o crânio de Ribeiro e alegou ter visto furo com características de projétil de arma de fogo na cabeça do motorista. “A perícia, feita 20 anos depois, achou fragmento de metal e falou que era o prego do caixão”, relatou o vereador Gilberto Natalini (PV), presidente da comissão.

As fotos dos cadáveres, que poderiam ajudar a desvendar o mistério, não foram anexadas ao processo. Em laudo obtido pelos parlamentares, o perito criminal Haroldo Ferraz anotou que as imagens não foram anexadas “acolhendo à recomendação de ordem superior.”

Natalini aguarda resposta da Presidência da República, local para onde o estudo foi enviado. “O País tem de reconhecer que o Juscelino foi morto. Ele foi vítima de atentado”, salientou o parlamentar.

No ano passado, o corpo de Jango foi exumado para nova perícia. Ele morreu de infarto quatro meses depois de JK, quando estava exilado na Argentina. A família acredita que ele possa ter sido envenenado.

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