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Protesto por moradia fecha Avenida dos Estados

Nario Barbosa/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Ocupantes de terreno no bairro Utinga entram em confronto com a Polícia Militar


Camila Galvez
Renata Rocha

25/03/2014 | 07:00


Protesto de ocupantes de terreno particular na Rua Fernão Dias, no bairro Utinga, em Santo André, bloqueou a Avenida dos Estados, no sentido Mauá, durante cerca de meia hora, por volta das 17h de ontem. O ato, lotado de mães com crianças, acabou em confronto com a PM (Polícia Militar). De um lado, os ocupantes disseram que os policiais chegaram com bombas e balas de borracha. Do outro, a polícia diz ter sido recebida com pedradas, o que motivou a reação contra os manifestantes. O trânsito ficou complicado na região.

As cerca de 200 famílias, todas moradoras do bairro, organizaram-se há cerca de um mês e ocuparam o terreno vazio, que estava com mato alto e servia como ponto de desova de carros roubados, além de concentrar usuários de drogas. Esse cenário foi substituído por pequenas casas de madeira, entre as quais crianças correm descalças.

Muitas famílias que estão na área pagavam aluguel ou moravam de favor. “Não somos ligados a nenhum movimento. Nos organizamos sozinhos e pedimos moradia digna à Prefeitura”, diz a desempregada Francisca Miriam Barbosa, 28 anos. Ela, que recebe Bolsa Família para os dois filhos, de 8 e 6 anos, e está grávida do terceiro, espera desde 2007 ser atendida por programa habitacional. “Sobrevivemos por meio de doações. Contamos com a boa vontade dos vizinhos aqui.”

As famílias afirmam que chegaram a ser impedidas de entrar e sair do terreno por seguranças particulares. “Os proprietários deixaram a gente preso aqui, sem conseguir receber comida nem água. Tivemos que nos esgueirar como ratos para sair”, afirma Francisca.

O ajudante de pedreiro Sebastião José Ferreira, 41, tem três filhos e está no terreno desde o início da ocupação. “Morava de favor antes de vir para cá. Os aluguéis estão muito caros, não tenho condição de bancar. Meu sonho é que todos aqui consigam ter a sua casa própria.”

A desempregada Daiane Nunes de Freitas, 28, tem quatro filhos, um deles deficiente. “Não consigo pagar tratamento, aluguel, e ainda cuidar dele. Quero ter casa própria, vou ficar pagando aluguel até quando?”.

REPRESENTAÇÃO

Há cerca de 15 dias, a Amorf (Associação de Moradores Organizados por Regularização Fundiária) começou a ajudar os moradores a negociar com a Prefeitura. João Eudes, 43, um dos líderes da associação, está à frente das tratativas. “No dia 17 tivemos reunião na Secretaria de Habitação e nos foi prometido que o caso seria avaliado. Mas na sexta-feira fomos surpreendidos com a informação de que teria reintegração de posse.”

O comandante da PM no Grande ABC, coronel Mauro Cezar dos Santos Ricciarelli, garante que a reintegração ainda não tem data para ocorrer. “Estamos fazendo o planejamento da ação com todas as partes envolvidas”, destaca. A Prefeitura confirma e afirma que o terreno é área particular e que o proprietário conseguiu a reintegração de posse na Justiça, que será cumprida após manifestação do Poder Judiciário, que definirá o prazo da reintegração em conjunto com a PM.  



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Protesto por moradia fecha Avenida dos Estados

Ocupantes de terreno no bairro Utinga entram em confronto com a Polícia Militar

Camila Galvez
Renata Rocha

25/03/2014 | 07:00


Protesto de ocupantes de terreno particular na Rua Fernão Dias, no bairro Utinga, em Santo André, bloqueou a Avenida dos Estados, no sentido Mauá, durante cerca de meia hora, por volta das 17h de ontem. O ato, lotado de mães com crianças, acabou em confronto com a PM (Polícia Militar). De um lado, os ocupantes disseram que os policiais chegaram com bombas e balas de borracha. Do outro, a polícia diz ter sido recebida com pedradas, o que motivou a reação contra os manifestantes. O trânsito ficou complicado na região.

As cerca de 200 famílias, todas moradoras do bairro, organizaram-se há cerca de um mês e ocuparam o terreno vazio, que estava com mato alto e servia como ponto de desova de carros roubados, além de concentrar usuários de drogas. Esse cenário foi substituído por pequenas casas de madeira, entre as quais crianças correm descalças.

Muitas famílias que estão na área pagavam aluguel ou moravam de favor. “Não somos ligados a nenhum movimento. Nos organizamos sozinhos e pedimos moradia digna à Prefeitura”, diz a desempregada Francisca Miriam Barbosa, 28 anos. Ela, que recebe Bolsa Família para os dois filhos, de 8 e 6 anos, e está grávida do terceiro, espera desde 2007 ser atendida por programa habitacional. “Sobrevivemos por meio de doações. Contamos com a boa vontade dos vizinhos aqui.”

As famílias afirmam que chegaram a ser impedidas de entrar e sair do terreno por seguranças particulares. “Os proprietários deixaram a gente preso aqui, sem conseguir receber comida nem água. Tivemos que nos esgueirar como ratos para sair”, afirma Francisca.

O ajudante de pedreiro Sebastião José Ferreira, 41, tem três filhos e está no terreno desde o início da ocupação. “Morava de favor antes de vir para cá. Os aluguéis estão muito caros, não tenho condição de bancar. Meu sonho é que todos aqui consigam ter a sua casa própria.”

A desempregada Daiane Nunes de Freitas, 28, tem quatro filhos, um deles deficiente. “Não consigo pagar tratamento, aluguel, e ainda cuidar dele. Quero ter casa própria, vou ficar pagando aluguel até quando?”.

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Há cerca de 15 dias, a Amorf (Associação de Moradores Organizados por Regularização Fundiária) começou a ajudar os moradores a negociar com a Prefeitura. João Eudes, 43, um dos líderes da associação, está à frente das tratativas. “No dia 17 tivemos reunião na Secretaria de Habitação e nos foi prometido que o caso seria avaliado. Mas na sexta-feira fomos surpreendidos com a informação de que teria reintegração de posse.”

O comandante da PM no Grande ABC, coronel Mauro Cezar dos Santos Ricciarelli, garante que a reintegração ainda não tem data para ocorrer. “Estamos fazendo o planejamento da ação com todas as partes envolvidas”, destaca. A Prefeitura confirma e afirma que o terreno é área particular e que o proprietário conseguiu a reintegração de posse na Justiça, que será cumprida após manifestação do Poder Judiciário, que definirá o prazo da reintegração em conjunto com a PM.  

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