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Câncer de bexiga

A bexiga é um órgão do sistema urinário, que tem como função armazenar a urina...


Leo Khan
Do Diário do Grande ABC

19/12/2013 | 07:00


A bexiga é um órgão do sistema urinário, que tem como função armazenar a urina produzida pelos rins, é revestido por camada de células transicionais e está separada dos músculos da bexiga por uma faixa fina de tecido chamado lamina própria. Existem três tumores de bexiga, mas vamos abordar somente os dois mais comuns, que são o tumor de células transicionais (90% dos casos) e o carcinoma epidermoide ou não transicional (8% dos casos).

O tumor transicional de bexiga é a quinta causa de óbito por câncer em pacientes com mais de 75 anos de idade. A incidência desse câncer aumenta com a idade e menos de 1% dessas neoplasias ocorrem antes dos 40 anos. A doença, que é de três a cinco vezes mais frequente em pacientes masculinos, surge anualmente em seis de cada 100 mil indivíduos com menos de 40 anos e em 150 de cada 100 mil indivíduos com mais de 70 anos. Ao contrário dos carcinomas transicionais, os carcinomas epidermoides predominam no sexo feminino na proporção 3:2 e isso se deve provavelmente à associação entre essas neoplasias e infecções urinárias crônicas, frequentes em mulheres. Os carcinomas epidermoides se manifestam em adultos, com casos descritos entre 37 e 84 anos, principalmente na quinta e sexta décadas de vida.
O aparecimento desse tipo de carcinoma relaciona-se com irritação vesical e, por isso, ocorre em casos de infecção urinária crônica, uso prolongado de sonda, litíase vesical não tratada e esquistossomose vesical. Nos Estados Unidos, o câncer de bexiga é o quarto tumor de maior incidência em homens e o nono em mulheres, além de ser a nona causa de mortalidade por câncer em homens. Embora as taxas de incidência tenham aumentado levemente desde os anos 1980, as de mortalidade têm diminuído. Estima-se que 52,9 mil novos casos de câncer da bexiga sejam diagnosticados anualmente nesse país.

Sinais e sintomas

- Frequentemente, o câncer da bexiga pode ser suspeitado pela primeira vez antes do surgimento de qualquer sintoma, quando um exame microscópico de rotina de amostra de urina revela a presença de eritrócitos. No entanto, a urina pode ser visivelmente sanguinolenta.

- Posteriormente, os sintomas podem incluir a dor e a sensação de queimação durante a micção e uma necessidade urgente e frequente de urinar. Os sintomas do câncer da bexiga podem ser idênticos aos de uma infecção vesical (cistite) e os dois problemas podem ocorrer simultaneamente.

- O diagnóstico do câncer de bexiga pode ser feito por exames de urina e de imagens, como tomografia computadorizada e citoscopia (investigação interna da bexiga por um instrumento dotado de câmera). Durante a citoscopia podem ser retiradas células para biópsia e até mesmo todo o tumor.

Dicas

- Como em muitas outras doenças, existem pessoas que apresentam predisposição genética. Isso não quer dizer que essas pessoas desenvolverão invariavelmente o câncer. Elas apenas apresentam risco maior. É válido lembrar que a predisposição, quando atuando junto a outros fatores como o tabaco, aumenta muito as chances de aparecimento de uma lesão.

- O hábito de fumar cigarros aumenta o risco de duas a 6,4 vezes do aparecimento de câncer de bexiga, principalmente em mulheres. É interessante notar que o uso de cigarros com filtro não reduz os riscos de câncer. Assim, as pessoas que fumam mais têm maior risco, que chega a ser cinco vezes maior numa pessoa que fuma dois maços por dia em comparação aos não fumantes. É fundamental observarmos que, diferentemente das doenças cardiovasculares e do câncer de pulmão, o risco não diminui significativamente com o término do hábito. É válido lembrar que o fumo tem relação com cerca de 20 tipos de cânceres, entre outras doenças.

- Evite trabalhar com aminas aromáticas empregadas em indústrias de tintas, couro, borracha, têxteis e gráficas, pois estão comprovadamente relacionadas com o desenvolvimento de câncer vesical.

- Mais recentemente, relacionou-se o emprego de ciclofosfamida com maior incidência de neoplasias vesicais e esse fator deverá ser investigado nos próximos anos.

- Outros fatores, como uso de adoçantes artificiais, de café, ingestão de fenacetina, irradiação pélvica, parecem estar relacionados com o aparecimento do câncer vesical, porém a influência precisa desses fatores não foi comprovada de forma clara.

- Sintomas irritativos do trato urinário inferior, como polaciúria, urgência e disúria, constituem a segunda apresentação mais frequente de câncer de bexiga, estando especialmente associados a carcinoma in situ ou tumores invasivos.

- A irritação crônica que ocorre na esquistossomíase (uma infecção parasitária) ou na litíase renal (presença de cálculos nos rins) também predispõe os indivíduos ao câncer da bexiga, embora a irritação seja responsável por apenas uma pequena porcentagem de todos os casos.

- Hematúria (sangue na urina), não seguida de dor, é a queixa na maioria dos casos. No entanto, parte dos pacientes pode nos contar dor ao urinar e urgência miccional, o que está associado a quadros mais preocupantes, como infiltração da parede da bexiga, disseminação do carcinoma in situ (câncer localizado) ou o acometimento da uretra posterior.

- Pessoas com lesão de medula espinhal apresentam incidência de carcinoma epidermoide de bexiga que é cerca de 460 vezes maior que a da população normal.

Apesar de nada ainda comprovado, é bem possível que a ingestão de grandes quantidades de água, diariamente, possa ajudar na prevenção, já que diminuiria o tempo de exposição da mucosa vesical aos agentes carcinogênicos.

O médico indicado é o urologista.

* Se você tem dúvidas sobre saúde, envie um e-mail para leo.kahn@uol.com.br ou visite o blog www.topblog.com.br/endocrino. 



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Câncer de bexiga

A bexiga é um órgão do sistema urinário, que tem como função armazenar a urina...

Leo Khan
Do Diário do Grande ABC

19/12/2013 | 07:00


A bexiga é um órgão do sistema urinário, que tem como função armazenar a urina produzida pelos rins, é revestido por camada de células transicionais e está separada dos músculos da bexiga por uma faixa fina de tecido chamado lamina própria. Existem três tumores de bexiga, mas vamos abordar somente os dois mais comuns, que são o tumor de células transicionais (90% dos casos) e o carcinoma epidermoide ou não transicional (8% dos casos).

O tumor transicional de bexiga é a quinta causa de óbito por câncer em pacientes com mais de 75 anos de idade. A incidência desse câncer aumenta com a idade e menos de 1% dessas neoplasias ocorrem antes dos 40 anos. A doença, que é de três a cinco vezes mais frequente em pacientes masculinos, surge anualmente em seis de cada 100 mil indivíduos com menos de 40 anos e em 150 de cada 100 mil indivíduos com mais de 70 anos. Ao contrário dos carcinomas transicionais, os carcinomas epidermoides predominam no sexo feminino na proporção 3:2 e isso se deve provavelmente à associação entre essas neoplasias e infecções urinárias crônicas, frequentes em mulheres. Os carcinomas epidermoides se manifestam em adultos, com casos descritos entre 37 e 84 anos, principalmente na quinta e sexta décadas de vida.
O aparecimento desse tipo de carcinoma relaciona-se com irritação vesical e, por isso, ocorre em casos de infecção urinária crônica, uso prolongado de sonda, litíase vesical não tratada e esquistossomose vesical. Nos Estados Unidos, o câncer de bexiga é o quarto tumor de maior incidência em homens e o nono em mulheres, além de ser a nona causa de mortalidade por câncer em homens. Embora as taxas de incidência tenham aumentado levemente desde os anos 1980, as de mortalidade têm diminuído. Estima-se que 52,9 mil novos casos de câncer da bexiga sejam diagnosticados anualmente nesse país.

Sinais e sintomas

- Frequentemente, o câncer da bexiga pode ser suspeitado pela primeira vez antes do surgimento de qualquer sintoma, quando um exame microscópico de rotina de amostra de urina revela a presença de eritrócitos. No entanto, a urina pode ser visivelmente sanguinolenta.

- Posteriormente, os sintomas podem incluir a dor e a sensação de queimação durante a micção e uma necessidade urgente e frequente de urinar. Os sintomas do câncer da bexiga podem ser idênticos aos de uma infecção vesical (cistite) e os dois problemas podem ocorrer simultaneamente.

- O diagnóstico do câncer de bexiga pode ser feito por exames de urina e de imagens, como tomografia computadorizada e citoscopia (investigação interna da bexiga por um instrumento dotado de câmera). Durante a citoscopia podem ser retiradas células para biópsia e até mesmo todo o tumor.

Dicas

- Como em muitas outras doenças, existem pessoas que apresentam predisposição genética. Isso não quer dizer que essas pessoas desenvolverão invariavelmente o câncer. Elas apenas apresentam risco maior. É válido lembrar que a predisposição, quando atuando junto a outros fatores como o tabaco, aumenta muito as chances de aparecimento de uma lesão.

- O hábito de fumar cigarros aumenta o risco de duas a 6,4 vezes do aparecimento de câncer de bexiga, principalmente em mulheres. É interessante notar que o uso de cigarros com filtro não reduz os riscos de câncer. Assim, as pessoas que fumam mais têm maior risco, que chega a ser cinco vezes maior numa pessoa que fuma dois maços por dia em comparação aos não fumantes. É fundamental observarmos que, diferentemente das doenças cardiovasculares e do câncer de pulmão, o risco não diminui significativamente com o término do hábito. É válido lembrar que o fumo tem relação com cerca de 20 tipos de cânceres, entre outras doenças.

- Evite trabalhar com aminas aromáticas empregadas em indústrias de tintas, couro, borracha, têxteis e gráficas, pois estão comprovadamente relacionadas com o desenvolvimento de câncer vesical.

- Mais recentemente, relacionou-se o emprego de ciclofosfamida com maior incidência de neoplasias vesicais e esse fator deverá ser investigado nos próximos anos.

- Outros fatores, como uso de adoçantes artificiais, de café, ingestão de fenacetina, irradiação pélvica, parecem estar relacionados com o aparecimento do câncer vesical, porém a influência precisa desses fatores não foi comprovada de forma clara.

- Sintomas irritativos do trato urinário inferior, como polaciúria, urgência e disúria, constituem a segunda apresentação mais frequente de câncer de bexiga, estando especialmente associados a carcinoma in situ ou tumores invasivos.

- A irritação crônica que ocorre na esquistossomíase (uma infecção parasitária) ou na litíase renal (presença de cálculos nos rins) também predispõe os indivíduos ao câncer da bexiga, embora a irritação seja responsável por apenas uma pequena porcentagem de todos os casos.

- Hematúria (sangue na urina), não seguida de dor, é a queixa na maioria dos casos. No entanto, parte dos pacientes pode nos contar dor ao urinar e urgência miccional, o que está associado a quadros mais preocupantes, como infiltração da parede da bexiga, disseminação do carcinoma in situ (câncer localizado) ou o acometimento da uretra posterior.

- Pessoas com lesão de medula espinhal apresentam incidência de carcinoma epidermoide de bexiga que é cerca de 460 vezes maior que a da população normal.

Apesar de nada ainda comprovado, é bem possível que a ingestão de grandes quantidades de água, diariamente, possa ajudar na prevenção, já que diminuiria o tempo de exposição da mucosa vesical aos agentes carcinogênicos.

O médico indicado é o urologista.

* Se você tem dúvidas sobre saúde, envie um e-mail para leo.kahn@uol.com.br ou visite o blog www.topblog.com.br/endocrino. 

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