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Celso Luiz de
Almeida: esclarecedor

Orlando Filho/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Mandato do presidente à frente do Santo André
acaba dia 31; Jairo Aparecido Livolis reassumirá


Dérek Bittencourt
Do Diário do Grande ABC

16/12/2013 | 07:00


O mandato do presidente Celso Luiz de Almeida à frente do Santo André termina no dia 31 – Jairo Aparecido Livolis reassume a partir do dia 2. Nos últimos dias no comando do Ramalhão (permanecerá à frente do Conselho Deliberativo), o atual mandatário recebeu a equipe do Diário na sede do clube, no Jaçatuba, e falou sobre os objetivos e o futuro, a retomada do trabalho com as categorias de base e a necessidade de voltar a revelar valores, situação financeira, os erros e acertos da temporada, melhor e pior momentos de 2013, principais rivais na Série A-2, interferência de empresários na montagem do grupo e no dia a dia do clube, entre outros. Celso Luiz deixou claro que não se arrepende de ter sido um dos responsáveis em ter passado o comando do futebol à Saged (Santo André Gestão Empresarial Desportiva) de 2007 a 2012, tentou esclarecer sobre o motivo de manter o time e a parte social afastados, criticou a cota de R$ 132 mil (bruta) repassada aos clubes da Segunda Divisão Estadual, citou a desapropriação do Clube de Campo, mas disse seguir sonhando em construir um Centro de Treinamento e assumiu compromisso: para que a torcida volte, vai proporcionar bom time de futebol. “Ela está adormecida”, destacou.

DIÁRIO – O time está na Série A-2 e fora do Campeonato Brasileiro. O que fazer para sair da atual situação?

CELSO LUIZ DE ALMEIDA – Subir para a Série A-1. Não tem outro caminho. Copa do Brasil temos grandes chances de participar pelo Ranking (Nacional de Clubes), mas para voltar ao Brasileiro, tem que acessar a Série A-1. Não tem outro objetivo: ou sobe ou não disputa.

DIÁRIO – O ano de 2013 foi o retorno do Jaçatuba ao comando do futebol. Quais foram pior e melhor momentos?

CELSO – O pior foi não conseguir subir da Série D (do Brasileiro) para a Série C. Ali era a garantia de um calendário anual. Agora você disputa a Série A-2 e depois é facultativo jogar ou não a Copa Paulista (no segundo semestre). O melhor momento foi termos ficado na Série A-2, porque esse era o maior temor: disputar a competição no nosso primeiro ano (de retorno). A preocupação era muito grande por montar o time no dia 2 (de janeiro) e começar o campeonato dia 23. Começamos por último, então o bom foi a permanência na A-2, porque sabíamos da dificuldade, tanto que fomos eliminados no penúltimo jogo. Teve momento que ganhamos cinco seguidos e pensaram: agora vai. Depois ficamos um tempo sem ganhar. Então ficamos felizes por ter permanecido.

DIÁRIO – Foram cinco trocas de treinador no ano: Ademir Fonseca, Arnaldo Lira, Dedimar, Paulo Roberto e Paulo Fonseca. Por que tantos?

CELSO – É simples: você vai analisando que se continuar com o mesmo treinador não vai chegar a lugar nenhum. É nítido. Vê como é a relação dele com o grupo. Logicamente a mudança do treinador significa o momento que você quer conseguir um plus. Nossa mudança na Série A-2 foi para não cair.

DIÁRIO – O Santo André ganhou títulos de expressão, o maior deles a Copa do Brasil. Como voltar a ser grande?

CELSO – Ser clube formador. Não tem conversa. O Santo André está trabalhando para ter o certificado de clube formador (emitido pela CBF). Está perto. É importante, porque dá uma série de garantias. Estamos preparando o Santo André para trilhar linha diferente e queremos entrar no mercado nesse sentido.

DIÁRIO – Foi anunciada nesta temporada a retomada das categorias sub-11, 13, 15 e 17. A intenção é retomar o Projeto Jovem Ramalhão?

CELSO – Já foi retomado. Foi nesse projeto que nasceram todos que estão aí. O último foi o Ricardo Goulart, jogador que vai para a Europa, não tenho dúvida. Não lembro quantos jogadores o Jovem Santo André construiu. Mérito ao Jairo (Livolis, futuro presidente), que fez trabalho incrível, acompanhava, ficava em cima, fazia reunião semanal, mesmo com todas as dificuldades.

DIÁRIO – Durante a administração da Saged (2007 a 2012), o futebol mudou muito, principalmente na ação e interferência de empresários. Como você enxerga isso?

CELSO – Tem que mexer nisso, porque hoje os clubes estão reféns dos empresários, fatiados, não têm mais nada. Futebol não pode viver sem dar lucros. A partir da aprovação da Lei do Proforte (por ora, projeto de lei que prevê que o valor da dívida fiscal do clube seja revertido na produção esportiva em modalidades olímpicas de alto rendimento), o clube terá mais responsabilidades fiscais. É a última oportunidade que o governo vai dar para os clubes entrarem na linha.

DIÁRIO – Hoje, a atuação dos empresários é muito maior... Precisou de uma readaptação da parte de vocês?

CELSO – Não, porque procuramos filtrar esse tipo de coisa. Não que não conversamos, mas, se bobear, fica o dia todo atendendo empresário. Nossos profissionais têm que filtrar isso. Não vamos virar reféns, porque senão, não vamos trabalhar.

DIÁRIO – Você se arrepende de ter passado o comando do futebol à Saged?

CELSO – A gente não pode se arrepender de nada. Fiz a relação com a Saged o tempo todo como presidente. O Santo André teve momentos de glória na nossa mão, o título maior, campeão da Copa do Brasil, mas também subiu da Série A-2 (2008), como da Série B à Série A (Brasileiro). Caiu? Caiu! Mas quando reassumimos também poderia ter caído à Série A-3! Não me arrependo. Quando se assina um compromisso, tem que cumprir.

DIÁRIO – Como está o EC Santo André financeiramente?

CELSO – Se fosse para tocar com recurso do clube, não teria condição. Se não fosse o patrocínio, o futebol não se sustenta. Televisão? Esquece. Se tivesse a cota da Série A-1, do jeito que a gente toca o futebol, apertadinho, daria para levar o campeonato inteiro. Agora, com R$ 132 mil brutos, que desconta, desconta e desconta e vão sobrar R$ 40 mil para quatro meses? Esquece. Se não fosse o patrocínio do Hospital Brasil, a gente estava morto. Estamos aqui lutando, trabalhando, administrando. O clube é equilibrado, mas o futebol é deficitário.

DIÁRIO – Atualmente se vê dificuldades para o Santo André encontrar parceiros. Isso é sinal do que o time passou nos últimos anos ou é geral?

CELSO – Acho que é a soma dos dois. Digo sempre o seguinte: para voltar a ser forte precisa ter time bom, lugar para jogar, para se sentir bem e render, torcida, parceiro e municipalidade. Se não tiver time, pode até ter a Prefeitura do lado, mas o resto some. É uma soma. Com o time bom, a torcida vai estar feliz, o cara que põe a marca vai querer estampar. É isso. E outra: o clube tem que ter uma relação política com a cidade muito boa.

DIÁRIO – Quais são os principais rivais na Série A-2?

CELSO – Acho que o São Caetano, pelo poderio e atletas que tem. Passa por problemas, mas é adversário forte. Guarani, pela tradição, é complicado. O Mirassol não tem bobo, caiu por algum erro de percurso. Acho que temos dez clubes para brigar por quatro vagas e o Santo André é um deles. Por isso que lutei pela opção de classificar os oito primeiros, mas fui voto vencido.

DIÁRIO – Qual o principal nome do atual elenco?

CELSO – Não dá para falar um. Estamos montando espinha (dorsal) forte, com jogadores que não, tenho dúvidas, jogariam na Série A-1. Mas tem que responder na A-2. Vai ter de ralar a bunda no chão, senão complicará.

DIÁRIO – Qual será a folha salarial do Santo André? Vai haver teto salarial?

CELSO – Não vou falar, mas teremos teto. Vamos trabalhar dentro das nossas possibilidades, do cronograma financeiro, planejado pelo Jairo, que é o novo presidente.

DIÁRIO – Diante das dificuldades do clube, o que o motiva a seguir no comando, mesmo que no Conselho, há 20 anos em cargo não remunerado?

CELSO – É porque a gente gosta do Santo André. Sabemos que em determinado momento temos que criar nova geração, mas precisa ter identidade com o Santo André, que deixe suas vaidades pessoais e seus interesses particulares fora do clube. Queremos recuperar aqueles que amavam o futebol, porque quando veio a gestão (Saged) muita gente se afastou. Queremos trazer esse pessoal de volta. Não queremos nos perpetuar, mas nesse momento temos que estar juntos, aqui.

DIÁRIO – Muitos não entendem o motivo da separação social e futebol. É possível o time treinar no Jaçatuba? Por que não dá para misturar?

CELSO – Olhe aqui: tenho uma piscina ali e um monte de jogador treinando aqui. Aí tem uma associada ali. Como faz? Você viu o que aconteceu no Palmeiras no passado? Tinha mulher que ia tomar banho de sol na arquibancada... Não se mistura. Não se pode criar problema para jogador nem para associado. Não dá para se administrar. O torcedor tem a paixão, mas a partir do momento que se mistura é duro. O Corinthians treina na Fazendinha? O São Paulo treina no clube dele? Jogador nem frequenta a parte social. Não pode. Não crie problema. Até pode vir (treinar), não tem problema, mas esporádico. Sou dessa opinião. O Jairo pode mudar, mas vai ter de assumir as responsabilidades. Eu não quis esse problema para mim.

DIÁRIO – A respeito de patrocínio para 2014?

CELSO – Continua o Hospital Brasil e estamos buscando novos parceiros. Temos coisas andando que nos próximos dias ficaremos sabendo.

DIÁRIO – O Clube de Campo sofreu a desapropriação por parte da Prefeitura (será destinado à implantação de estação de tratamento de água) e o local é onde sempre se sonhou construir o Centro de Treinamento para o Santo André. Há outro local em vista para o CT?

CELSO – Não. Isso é coisa nova que estamos tentando entender como tratar.

DIÁRIO – Quanto o clube vai receber da Prefeitura pelo Clube de Campo?

CELSO – No momento adequado vocês vão saber. Vamos esperar, porque pode mudar de valor, posso contestar. Só tem o edital, pode demorar 10, 20 ou 30 anos. Estamos aguardando porque até agora só tem o decreto, não está consumado.

DIÁRIO – Mas o sonho do CT segue vivo?

CELSO – Sempre! Mas onde vamos fazer? Onde tem área para isso? Não temos nem local para treinar, estamos conseguindo com parceiros para usar. Mas tem coisas que a Prefeitura tem ajudado a gente e devemos ter novidade para treinamentos para a garotada.

DIÁRIO – Por um balanço, o fim dos anos 1990, como em 1997, foi o melhor período de média de torcedores para o Santo André. Existe plano para atraí-los de volta?

CELSO – Se não tiver um time não adianta nada, porque o cara vai uma, duas vezes e não volta. Futebol é resultado e precisamos disso. Aquele ano ficamos 24 partidas invictas. Se não jogar por música, tem que ser consistente, honrar a camisa e dar resultado, aí a torcida vai voltar. Ela está adormecida. Jogo bom o torcedor vai, porque senão abandona. Vai para quê? Perder tempo? Para o rival tirar sarro?



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